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Período da “piracema” começa dia 01 de novembro: entenda o fenômeno e seu impacto nos rios

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Começa na sexta-feira (1 de novembro) o período de defeso conhecido como “piracema”, fenômeno que acomete diferentes espécies de peixes ao redor de todo o mundo. A palavra, que tem origem no idioma tupi, significa “subida do peixe” e se refere ao processo anual em que os peixes nadam rio acima, ou seja, contra a correnteza, com o objetivo de realizarem a desova. A Piracema é fundamental para o sucesso reprodutivo desses animais e, no caso do Brasil, ocorre nas épocas de chuvas de verão, quando há aumento do nível dos rios. O aumento da temperatura da água e do ar também são consequências dessa época do ano, que dura até o dia 28 de fevereiro de 2020.

Os peixes de piracema, conhecidos também como migradores, realizam um esforço físico intenso para que possam subir o rio e nadar contra a correnteza, o que aumenta a produção de hormônios e queima de gordura, melhorando o processo reprodutivo. Alguns peixes podem nadar até centenas de quilômetros em poucos dias.

Período de Defeso – Antes mesmo do período de Piracema começar a natureza já passa a emitir sinais aos peixes, que vão percebendo a aproximação da estação favorável à sua reprodução. Com isso, e por conta dos dias mais quentes, das chuvas frequentes e da água mais oxigenada nos rios, milhões de machos e fêmeas se agrupam em grandes cardumes e se preparam para a subida.

As chuvas aumentam o nível dos rios, que transbordam e abastecem as lagoas marginais e alagadiços, permitindo aos peixes chegarem até esses locais ou subir às cabeceiras, onde encontram condições ambientais adequadas para desovar. Entre essas condições estão as águas mais quentes, oxigenadas e turvas, auxiliando na proteção contra os predadores.

Os animais chegam maduros e prontos para o acasalamento ao local de destino. A fecundação dos peixes é externa e a grande concentração de machos e fêmeas aumenta as chances de fertilização no ambiente aquático. A partir de então, milhões de ovos descerão o rio ou ficarão se desenvolvendo nas lagoas marginais, que são conhecidas como “berçários” dos peixes. Esses ovos serão vítimas de predadores e, com a escassez de alimento e outras condições adversas, poucas larvas chegarão à fase adulta. A dispersão para as lagoas marginais e remansos permitirão encontrar alimento e proteção.

Com acesso às lagoas marginais, peixes adultos entram para desovar. Já os ovos e as larvas descem à deriva e ali se depositam, encontrando abrigo seguro. Os peixes juvenis que se encontravam aprisionados desde o ano anterior se veem livres para repovoar o rio. Por isso, é absolutamente essencial preservar esses ambientes. 

Cansados da jornada, os peixes adultos se tornam presa fácil para os predadores. Além disso, pescadores se aproveitam dessa fragilidade para pescá-los de forma mais fácil, o que gera a redução drástica dos estoques pesqueiros futuros. Mesmo antes da piracema, muitas fêmeas que sobem o rio já estão ovadas. Sendo assim, é responsabilidade de cada pescador soltá-las ou não, praticando a pesca consciente.

Proibições durante o período de Piracema – Os governos federal e estadual instituem o período de defeso para rios e águas continentais durante entre 1º de novembro e 28 de fevereiro do ano seguinte. Em Minas Gerais, apenas a pesca é permitida nesse período e com um limite de quantidade. Nos rios, são encontradas espécies exóticas (de outros países), alóctones (de outras bacias brasileiras), híbridos (produzidos em laboratório), além de poucas espécies autóctones (nativas da bacia).

Os equipamentos permitidos durante o período de defeso são: linha de mão com anzol, vara, caniço simples ou carretilha ou molinete de pesca, com iscas naturais ou artificiais. Para portar o equipamento de pesca e o pescado é necessário que o pescador mantenha sua licença atualizada.

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