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Perdemos a Copa, assim como Puskas, Cruyff e Falcão: ganhar é o mesmo que encantar?

Por Hélcio Ribeiro Campos

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Brasil, o país de todas as copas, perdeu mais uma vez. Mais que um jogo, perdemos a oportunidade da projeção do nome do país no exterior. Nome esse tão maltratado por autoridades incompetentes, ditatoriais e entreguistas do Brasil ao mercado exterior.

 

Caiu a Seleção de 2018, mas que não deve descer ao posto do vexame ou da chacota. Comumente, alude-se aos grandiosos salários dos jogadores para justificar uma cobrança. Futebolistas belgas, franceses, croatas etc., também atuam fora de seus países de origem em razão dos mercados e pagamentos mais atraentes, exatamente como fazem os brasileiros.

 

Atleta nenhum de todos esses escretes é responsável pela condição socioeconômica de seu respectivo país. Todos somos. Eu, você e qualquer cidadão, quer jogue ou não bola.

 

Ocorre que em cada setor, competição ou escolha, nosso compatriota nos leva ali com ele, implícito, seja na vitória ou na derrota. Assim faz nossa Seleção em cada Copa; um filme brasileiro em Cannes ou no Oscar; um dramaturgo no Nobel. E por aí vai…

 

Vai o sonho do reconhecimento. É um dito popular que “não devemos criar expectativas para não sofrermos”. Vejo em contrário: a falta de ambição positiva decreta o fim dos sonhos e vira algo ombreado com a miséria da alma.

 

Em 1982 tive expectativas. Sofri como predizem os conselheiros da tolice. Confesso que tive sofrimento. Mas tive na memória uma grande seleção. Como é bom ter o “nosso” grande time, assim como tiveram os húngaros em 1954 e os holandeses em 1974. Todas essas grandes seleções perderam. Em outro ramo, mas nesse mesmo sentido, Drummond não precisou ser vencedor do Nobel de Literatura para ser genial. Ele apenas foi e é.

 

Nossa seleção de 2018 não se equipara a essas citadas. Contudo, lutaram, jogaram bem em muitos momentos. Erraram. Vencedores não são perfeitos, apenas vencem uma competição. Por isso,  brasileiro, não perca o encantamento. Perca, sim, a vergonha de ser brasileiro. Não temos somente aqueles que nos desonram por aí. Não é porque nossa educação é ruim que devemos desistir dos livros e da formação de educadores. Perdemos a Copa e temos outras batalhas na vida, sem desistir. Teremos outras batalhas esportivas, que não devem ser entendidas como futilidades. Vença a “sua” Copa, ou, se achar que perdeu, lembre-se que um dia houve um Puskas, um Cruyff. Basta ser um exemplo, não um levantador de taças.

 

Também perdemos em 82, quando Falcão foi eleito o segundo melhor jogador daquela Copa, mesmo sem ter pisado em campo para a semi-final e a final. Nunca mais vi um volante como ele… E assim seguimos admirando não os que perderam, mas os que nos encantaram.

 

NOTA DA REDAÇÃO: Helcio Ribeiro Campos é autor de publicações sobre Geografia e Futebol; editor da Revista Pluritas; responsável pelo Blog Futebol, Cultura e Geografia; professor do IF Barbacena

 

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