Pauta em prosa, verso em trova (volume 96)

JGHeleno*

 

DESCOBERTAS CIENTÍFICAS

Correia de Almeida

 

Atualmente eu sou, em carne e em osso

que a terra há de comer, um dos macróbios,

e escuto o que se fala de micróbios,

sobre os quais nada ouvi, quando era moço.

 

Quem mais vive mais vê, diz o ditado,

e agora me assevera a experiência

que os incansáveis homens da ciência

irão de resultado em resultado.

 

Nem eu duvido que, em balão-falua,

algum aeronauta mais intrépido

consiga transportar ativo e lépido

pessoas e bagagens para a lua.

(ALMEIDA. José Joaquim Correia de. Puerilidades de um macróbio. Rio de Janeiro: Laemert. e C. Livreiros, 1898,  p. 2).

 

Correia de Almeida, nascido em Barbacena, era um poeta bem informado e culto. Não trafegava apenas pela cultura clássica latina, mas também por todo o ambiente literário de sua época, tanto no Brasil como em Portugal e em outros países. Conhecia certamente a obra de Júlio Verne, que era seu pleno contemporâneo. Verne nasceu  em 1828, enquanto C.A. era de 1820. Ambos morreram em 1905. Júlio Verne havia publicado sua obra “Da terra à lua” em 1865, e Correia publicou o poema acima em 1898.

Este sonho do homem de desvendar novos mundos na lua não é nada novo, pois há notícia de que no século II depois de Cristo Luciano de Samostrata, na sua obra “Uma história verídica”, já se referia a esse assunto. De qualquer forma, estamos diante de uma premunição compartilhada por C.A. de que o homem visitaria um dia esse satélite, o que viria a acontecer em 1969.

Todo poeta  tem essa necessidade de busca do outro, e sempre caminha no sentido de encontrá-lo, não só como habitante de outras terras, como canta Camões, no século XVI, na epopeia “Os Lusíadas”, como também na perspectiva de descobrir regiões celestes habitadas. São impulsos para ampliação de horizontes de novos convívios.

 

Para terminar em trova:

 

Correia bem que antevia

com arguta precisão

o que a ciência dizia

aliada à ficção.

 

* ABL, AJL, LEIAJF, UBPA, UBT

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