Pauta em prosa, verso em trova (volume 69)

Por JGHeleno*

Nessa análise que costumamos fazer aqui, encontrar onde a linguagem desvela sentidos para a vida parece coisa simples. Basta evocar aqueles quatro pilares que usamos para pautar nossa tarefa: a razão, o convívio (no amor, nas parcerias…), o numinoso (na religião, na magia…), e a arte; visitar nosso universo interior particular e desvendar sua interação com os outros universos…

Ver o sentido de uma pedra é simples, até que essa pedra se torne uma escultura; ver o espectro de cores também é simples, até que esse conjunto de cores se torne uma pintura; ouvir o conjunto de sons emitidos por um piano e distingui-los é simples, mesmo quando se remetem suas diferenças a questões físicas de frequência e comprimento de ondas, até que esses sons se arranjem para constituírem uma melodia; ler uma frase, um parágrafo numa bilhete, numa receita culinária é coisa simples, enquanto essa mesma frase não esteja dentro de um poema. Aqui a coisa é diferente.

Quando a pedra, o som, a cor, a linguagem saem de seu campo utilitário e passa a fazer parte de um peça artística, essas matérias começam a refletir a complexidade do ser humano.

É aqui que eu quero que você, leitor, encare comigo um desafio. Primeiro o de ouvir a canção, depois o de desvendar os sentidos possíveis numa poesia, no presente caso, em o “O timoneiro” cantada por Paulinho da Viola, na composição de Hermínio Bello de Carvalho e Paulo César B. de Faria.

Timoneiro

 

E quanto mais remo mais rezo
Pra nunca mais se acabar
Essa viagem que faz
O mar em torno do mar
Meu velho um dia falou
Com seu jeito de avisar:
Olha, o mar não tem cabelos
Que a gente possa agarrar

Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar

Timoneiro nunca fui
Que eu não sou de velejar
O leme da minha vida
Deus é quem faz governar
E quando alguém me pergunta
Como se faz pra nadar
Explico que eu não navego
Quem me navega é o mar

Não sou eu quem me navega …

A rede do meu destino
Parece a de um pescador
Quando retorna vazia
Vem carregada de dor
Vivo num redemoinho
Deus bem sabe o que ele faz
A onda que me carrega
Ela mesma é quem me traz

Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar

Fonte: LyricFind

É uma poesia predominantemente metafórica. Para não me alongar em excesso, vou ficar por aqui. A metáfora consiste em a gente usar uma palavra para significar outra palavra. O mar aqui, por exemplo, é um desafio. Sua significação metafórica é muito ampla. Na próxima publicação a gente continua. Enquanto isso, nós vamos pensando. Há mais de uma metáfora nessa letra, a principal das quais é o mar e outros elementos que pertencem a seu campo semântico,

 

Como tudo termina em trova:

 

 

No navegar pela vida

em mim existem as instâncias

que, de forma decidida,

me ligam às circunstâncias.

 

 

*UBT, ABL, AJL, LEIAJF

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