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Para quem vamos derramar nossas lágrimas

A crônica de Francisco Santana

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O ditado: “guerra avisada não mata ninguém” é apropriada para esclarecer as catástrofes ocorridas no Brasil nos últimos anos. A natureza não fala, não falha, age calada e isso, infelizmente, não está servindo de alerta ou lição. Todo ano as cenas se repetem e o que difere é o número de mortes. Somos um país abençoado pela natureza porque não temos: maremoto, vulcão, tsunami, terremoto, furacão, tufão e ciclone. A irresponsabilidade aliada às leis brandas, impunidade e o enriquecimento fácil ajudam no crescimento de tragédias.

A mídia não tem trabalho de elaborar suas pautas, pois os fatos são sempre os mesmos, basta se concentrar nas cidades de extremo risco e esperar pelos acontecimentos catastróficos.  Ficamos tão perplexos diante das cenas mostradas pela televisão que, passamos a acreditar no semblante triste e no discurso vazio dos políticos e dos empresários com suas promessas vãs. Quanta hipocrisia! Como são inconstantes e levianos! São tantas as calamidades que uma atropela a outra. Não dá tempo de chorar pelos mortos, vem mais e mais. Quantas lágrimas derramadas! Quantas desgraças anunciadas!

De quem é a culpa do incêndio ocorrido na boate Kiss na cidade de Santa Maria no Rio Grande do Sul em 2013, deixando um saldo lamentável de 242 pessoas mortas e de 680 feridas? Essa tragédia foi fruto de imprudência e de más condições de segurança no local. Se puxarmos pela lembrança vamos nos lembrar da ciclovia Tim Maia no Rio de Janeiro, que desabou por duas vezes onde na primeira ocorrida em 2016, matou duas pessoas. Foram detectados pontos de corrosão nos pilares das estruturas. Não vamos nos esquecer do viaduto da Marginal Pinheiros em São Paulo que teve desprendimento da estrutura de concreto.   

O Museu Nacional do Rio de Janeiro foi atingido mortalmente pela tríade fogo, chama e calor, provocado pelo desleixo de muitos que não ouviram e se ouviram não confiaram nas reclamações do iminente perigo. Tragédia anunciada ocorrida no dia 02.09.18.  

No ano de 2015 a mineradora Samarco deixou rastros de destruição e lamas após o rompimento de uma barragem causando prejuízos incalculáveis ao meio ambiente, matando 19 pessoas e deixando centenas de desabrigados. O fato ocorreu em Mariana/MG. Como um flash back, nesta sexta-feira, dia 25.01.19 foi a vez de outra barragem da mineradora da Vale do Rio Doce se romper na cidade mineira de Brumadinho. A avalanche de rejeitos composta de sílica deixou além de dezenas de mortes humanas causou uma catástrofe ambiental incalculável. Cadê a felicidade? Cadê os sonhos? Cadê as perspectivas? Essa tragédia foi mais humana que ambiental. Lamentável é saber que na região temos saqueadores, verdadeiros abutres travestidos de seres humanos. O ser humano é ingrato, dissimulado, ambicioso e faz tudo por dinheiro.

É nesse momento que aparecem os aproveitadores, aqueles que gostam de aparecer para a opinião pública querendo ajudar de alguma forma. Por que não ajudaram antes da tragédia ao dizerem que não foi um acidente?

  

De quem é a culpa? “Assumir total responsabilidade por todas as coisas que acontecem em nossa vida, incluindo sentimentos e emoções, é um passo decisivo em direção a nossa maturidade e crescimento interior. Aprendemos a justificar com desculpas perfeitas os nossos desastres de comportamentos, dizendo que fomos desamparados pelos deuses, que a conjunção dos astros não estava propícia, que a lua está minguante e que nascemos com uma má estrela. Precisamos assumir o comando de nossa vida e sair do posicionamento infantil de criaturas mimadas e frágeis, que reclamam e se colocam como “vítimas do destino”. Em vez de atribuir aos outros e ao mundo nossas derrotas e fracassos, lembremo-nos de que as “vicissitudes da vida têm, pois, uma causa e, uma vez que Deus é justo, essa causa deve ser justa”. (Francisco do Espírito Santo Neto).   

 

Nesta semana começaram os campeonatos regionais de futebol. Os gols farão o país esquecer a tragédia. Está chegando o carnaval, farras, samba, drogas e bebedeira para esquecer as mágoas e os dissabores da vida. O Big Brother Brasil edição 19 é um lenitivo para as dores. E assim tudo cai no esquecimento, no ostracismo e só vamos nos lembrar de chorar novamente quando outra tragédia ocorrer.

 

Técnicos comprovam que no Brasil há dezenas de barragens com alto potencial de dano. Que essas tragédias sirvam de exemplo mais uma vez para que outras não aconteçam. Temos que acreditar. Nós temos 519 anos e não crescemos o suficiente para nos proteger.  Não precisamos de promessas e sim de atitudes. Que os profetas Amós, Abdias, Jonas, Baruque, Isaías, Daniel, Jeremias, Oseias, Ezequiel, Joel, Habacuque e Naum, vigilantes do Santuário do Bom Jesus de Matozinhos do município de Congonhas, obras do Mestre Aleijadinho, nos protejam e nos guardem.

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