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    Barbacena, MG Previsão completa
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    Por Francisco de Santana

    Entre vários hobbies, quando criança e adolescente, o meu preferido era colecionar figurinhas. Um ato simples que me enchia de felicidade. Eu ficava radiante em ir ao “Jardim dos Macacos” (praça central que levava esse nome por ser muito arborizada e servir de morada de macacos e preguiça) para trocar minhas figurinhas repetidas. Era comum ver o ar de alegria das crianças e adolescentes carregando figurinhas numa das mãos e a relação das figurinhas faltantes anotadas num pedaço de papel ou agenda. O sorriso se transformava em vibração quando encontrávamos a figurinha que completava o álbum. Havia as mais difíceis, as carimbadas e as que davam direito a um prêmio. O valor de cada duplicata dependia do seu interesse. É a lei da oferta e da procura.

    Chegou a minha vez de abrir um pacote e encontrar uma premiada. A euforia tomou conta de mim e dos meus familiares. Estavam no mostruário os brindes: bicicleta, faqueiro, jogo de panelas, panela de pressão, jogo de pratos decorados, liquidificador, edredons e toalhas, todos expostos a espera do felizardo. Fui ao proprietário todo trêmulo e lhe entreguei a figurinha carimbada. Ele sorriu, apertou minha mão e me deu os parabéns. Andou em direção dos prêmios, ajeitou a bicicleta e percebi que a tremedeira aumentou de intensidade. Ele colocou as mãos em todos os brindes, foi para outro cômodo retornando com uma bandeja horrorosa, pequena, frágil, marrom com desenhos de girassóis no centro. O meu sorriso se transformou em frustração, a minha tremedeira em ódio. Fiquei ainda mais bravo quando ele me chamou para tirar uma foto segurando a horrenda bandeja para ser colocada na galeria dos ganhadores. 

    Em casa, todos me aguardavam ansiosos para verem o grande prêmio que eu ganhara. Quando lhes mostrei a bandeja, os sorrisos se transformaram em decepção e gargalhada. Uma irmã ficou possessa e me disse: “Chico, o tanto de dinheiro que gastamos na compra das figurinhas, dariam para comprar mais de 1000 geringonças iguais a essa que você ganhou!” Ficou uma dúvida sem explicação: como o proprietário sabia que aquela figurinha premiada me daria uma bandeja e não uma bicicleta? Não tinha nada escrito. Achamos que ele me ludibriou por ser uma criança e que talvez se uma das irmãs adultas fosse lá, o prêmio seria outro. Cheguei a chorar e disse: juro que esse foi o último álbum que tentei completar. Pura mentira!Depois, vieram mais um, dois, três, quatro e recentemente completamos um com ajuda do meu genro para dar de presente para meu neto. Não aprendi a lição. 

    O tempo passou e com ele veio a pandemia do Covid-19. Esse maldito vírus nos deixou enclausurados em nossas casas. Vivendo assim, criei um novo hobby. Para não cair na armadilha da ociosidade viciei em cinema. Hoje, sou cadastrado na Netflix, Amazon Prime vídeo e Globoplay. Opções não faltam. De tanto ver filmes estou quase chegando aos calcanhares dos grandes comentaristas de cinema Rubens Ewald Filho e Arthur Xexéo, ambos já falecidos. No passado, eu trocava figurinhas e hoje troco informações sobre filmes e séries. Tenho fontes preciosas e confiáveis no que tange a indicações.

    Fui consultar com o meu cardiologista, Túlio Vidigal, e ele me perguntou se é verdade que vejo filmes o dia todo. Ele falou com ar de seriedade me receitando caminhadas e pilates. Na saída do consultório, apertou minha mão, me abraçou e falou baixinho no meu ouvido: “Assista na Netflix as séries: “A catedral do mar”, “Maria Madalena” e “O gambito da rainha”. Depois você me fala o que achou”. De repente ele falou alto: “Santana, não deixe de caminhar!” Nós dois rimos. Outra fonte de inspiração vem da colega Vanderléa Rios lá de Contagem. Seu gosto é apuradíssimo. Suas sugestões não deixam dúvidas quanto à qualidade.  Filmes indicados por ela: “Filhos de Istambul”, “A vingança das Juanas”, “Fique comigo”, “Em silêncio” e “A troca”.  

    Outra que me indica ótimos filmes é minha filha Marina Cobucci Santana.  Interessante é a amiga Ofélia. Ele sempre me pede indicações de filmes e depois me envia uma mensagem me indicando os mesmos que eu a indiquei. Uma vez perguntei a ela: quem lhe indica esses filmes? Ela respondeu: “Um amigo de Barbacena que se chama Francisco de Santana”. Muito confusa. Interessante também é a amiga Ritinha. Ela me indica filmes e conta o final da história. “Santana, no filme tal, o assassino é o psiquiatra e não a paciente dele. É uma trama tão perfeita, tão envolvente que nos leva a confundir quem é o verdadeiro assassino. Não perca, você vai gostar!” Dá vontade de dizer a ela que eu acabara de assistir o filme.   

    O cinema é também conhecido como a sétima arte. Você sabe quais são as outras seis? Vamos a elas: arquitetura, escultura, pintura, música, dança e poesia.  

    Vou lhe indicar duas séries interessantíssimas exibidas pela Globoplay: “Desalma” e “O anjo de Hamburgo” que conta a história de Aracy de Carvalho, esposa de Guimarães Rosa.  Não perca!

    Agora, aguardo pela sua colaboração.

     

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