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    Barbacena, MG Previsão completa
  • Para entender o transtorno do espectro autista

    No dia 02 de Abril comemora-se o Dia Mundial do Autismo. Temos acompanhado um aumento no número de ocorrências e diagnósticos de TEA. Para compreendermos um pouco mais sobre este assunto teremos, durante todo o mês de abril, ações e eventos promovidos pelo Centro AMA de Desenvolvimento, a fim de levar informação e contribuir para melhores condutas tanto no diagnóstico, quanto nas reabilitações.

    Neste sentido, vamos começar entendendo a definição do termo TEA.

    O que é o Transtorno do Espectro Autista (TEA)?

     O TEA é um dos Transtornos do neurodesenvolvimento, com anormalidades qualitativas e quantitativas que afetam as áreas da interação social, do comportamento e da comunicação, cujos sinais aparecem bem cedo no desenvolvimento da criança, podendo ser sutis a bastante graves, com afetação diferenciada para cada criança.

    • Como é feito o diagnóstico do TEA?

    O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista deve ser realizado por equipe multi e interdisciplinar (médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagoga, terapeutas ocupacionais e todos aqueles que se fizerem necessários de acordo com a necessidade da criança. O diagnóstico deve ser feito de forma longitudinal, acompanhando a curva do desenvolvimento da criança a partir do que se é esperado para cada faixa etária. Há diagnósticos mais simples e outros mais complexos, dada a variedade do TEA.

    • Quais são os sinais de alerta para o Transtorno do Espectro Autista?

    Os sinais podem ser sutis, desde a um atraso na fala, passando por falhas na interação social, alterações no sistema sensorial (sensibilidades táteis, auditivas, gustativas, visuais), birras comportamentais, choro atípico, restrições alimentares, alterações no padrão de sono, interesses restritos que podem ser confundidos com Altas Habilidades (QI altos), dificuldades no contato visual, comunicação precária, etc. Outros sinais podem estar presentes desde muito cedo e em outras situações, os sinais do TEA podem aparecer com mais intensidade tardiamente. Mas para o especialista experiente, os sinais podem ser detectados desde muito cedo, o que favorece o desenvolvimento global da criança.

    • O número de diagnósticos de pessoas com TEA tem aumentado?

     Temos acompanhado um aumento no número de diagnósticos de TEA, com incidência importante nos últimos 10 anos.

    Temos acompanhado um aumento no número de crianças com desenvolvimento atípico, muitas delas com características de TEA. E muitas delas com características de outros transtornos, o que chamamos de comorbidades.

    Atualmente utilizamos a nomenclatura de TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA, dada à variabilidade de sintomas. Assim, duas crianças com o mesmo diagnóstico de TEA serão totalmente diferentes e irão requerer condutas diferentes.

    As pessoas sempre questionam se é modismo ou se realmente temos tido mais crianças com característica autísticas.

    É perigoso tratar qualquer doença ou transtorno como modismo. Precisamos estar atentos se algo sai do previsto dentro do desenvolvimento infantil e a detecção precoce de quaisquer sinais é determinante para o futuro de uma criança.

    • O Transtorno do Espectro Autista tem cura?

    O TEA não é uma doença, então não falamos de cura. Sendo um Transtorno do Neurodesenvolvimento, neurobiológico, a forma como os estímulos são recebidos e percebidos é que se organizou de forma diferente, o que requer formas diferentes de intervenção.

    Não sendo uma doença, o TEA acompanhará a criança até sua vida adulta, trazendo peculiaridades, dificuldades e demandas que necessitarão de condutas específicas.

    Vale frisar que o TEA não é neurodegenerativo, ninguém morre de TEA. Perdas importantes de funções já adquiridas deverão ser avaliadas rapidamente, a fim de se identificar outros quadros associados.

    TEA tem tratamento

    O Tratamento do TEA deve ser preferencialmente interdisciplinar, privilegiando abordagens baseadas no comportamento que encorajam a interação e a compreensão da comunicação, de acordo com as características e defasagens de cada criança, sem se criar modelos engessados e perigosos de falsas reabilitações. A terapia da fala e linguagem deve começar cedo e utilizar uma variedade de métodos (p. ex. sinais, troca de fotos e dispositivos de comunicação e a fala propriamente dita). Psicomotricistas e terapeutas ocupacionais planejam e implementam estratégias para ajudar as crianças a compensarem déficits específicos da função motora e processamento sensorial. Psicólogos ou neuropsicólogos contribuem para estimulação cognitiva e ajustes comportamentais. A psicopedagogia também pode ser importante para contribuir com questões da aprendizagem.

    O tratamento medicamentoso pode ajudar a aliviar os sintomas dos quadros comórbidos (não há um remédio para o TEA!).

    Por fim, mas não menos importante, chamo a atenção para o cuidado parental das crianças com TEA. Muitas vezes, diante da complexidade do quadro e também pela pouca compreensão da condição, elas ficam à margem da própria família e também da sociedade. Compreendemos não ser fácil a jornada, mas precisamos entender que apesar do TEA a criança continua sendo criança e que também precisa de afeto.

    Para mais informações: @amadesenvolvimento.

    Fórum gratuito com palestras: www.even3.com.br/vforumtea.

    NOTA DA REDAÇÃO – Valeska Magierek. Formada em Psicologia pela UFSJ, com especialização em Neuropsicologia pela FUMEC e mestrado em Psicobiologia na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP); atua há mais de 20 anos na área de Psicologia Infantil e Neuropsicologia. Atualmente trabalha como Neuropsicóloga no Centro AMA de Desenvolvimento em Barbacena.