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  • Os resorts integrados e o futuro de Minas Gerais

    Está se preparando uma novidade importante para o futuro econômico de cada estado: a possível legalização dos “cassinos resort”. O tema da liberação dos jogos de cassino parecia encerrado depois da recusa, pela CCJ do Senado, do PL 186/2018 e de sua “evaporação” em meio à campanha eleitoral. Entretanto, de forma surpreendente para muitos – e seguramente para a bancada evangélica – o tema se mantém na pauta do dia.

    Bolsonaro reforçou a ideia

    Bolsonaro declarou durante a campanha eleitoral ser contra os jogos de cassino. Na verdade, porém, ele falou também, em uma palestra de empresários do Rio realizada em maio de 2018, que sendo “em princípio contra, tentaria arrumar uma saída” para que os jogos de cassino funcionassem a favor da criação de emprego no setor turístico. O que não poderia acontecer, em suas palavras, seria que “o cidadão gastasse o dinheiro do pão em caça-níquel”.

    Não é novidade que o presidente Bolsonaro tem uma atitude mais aberta em relação ao jogo do que vulgarmente se imagina. Foi dele que partiu a iniciativa decisiva no sentido de legalizar as apostas esportivas, pressionando o Congresso a aprovar a MP 846/18 antes mesmo de sua tomada de posse. A partir de julho de 2021, deverá estar terminado o processo de regulação; empresas brasileiras poderão constituir-se legalmente e concorrer com as plataformas estrangeiras que já oferecem apostas em futebol, tênis, basquete, Fórmula 1, futebol virtual, e muitas outras opções.

    A linha de orientação do governo tem sido bastante clara desde a tomada de posse de Bolsonaro e está em linha com suas várias declarações durante a campanha. O projeto apresentado pelo senador Irajá (PSD-TO) reproduz as ideias de Bolsonaro, do ministro da Economia Paulo Guedes e do governo sobre essa matéria: uma liberação limitada, focada nos “cassinos resort” e tendo a criação de emprego direto e indireto no setor turístico como objetivo.

    Novo ministro não significa nova tendência

    O anterior ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, sempre foi bastante claro desde o início sobre esta matéria. Sua substituição inesperada, no passado dia 9 de dezembro, por Gilson Machado, presidente da Embratur, não significa uma mudança na orientação do governo. Uma das primeiras comunicações públicas do novo ministro foi precisamente reforçar a mensagem da administração Bolsonaro de que é preciso “apostar” nos cassinos como um dos caminhos para a retomada econômica. O Época relatou certa insatisfação da bancada evangélica com essa nomeação.

    Minas: regresso ao passado não é opção

    Ter os jogos de cassino como foco de atividade econômica evoca memórias simpáticas no Sul de Minas, onde existiu uma forte “indústria” antes da proibição. Entretanto, não adianta sonhar com o regresso ao passado. E não é só porque o licenciamento só permitirá um estabelecimento em cada estado. É também porque tal estabelecimento terá como modelo os maiores cassinos de Las Vegas e Singapura; grandes infraestruturas com hotéis, restaurantes, etc., e com apenas 5% ou 10% de sua área (dependente do que a lei estabelecer) reservada para salas de jogo. Só um grupo empresarial de grande dimensão vencerá essa bolada.

    O futuro do setor turístico

    Ninguém tem dúvidas (com a possível exceção de José Serra e do movimento Brasil Sem Azar) que os jogos de cassino são um motor do desenvolvimento econômico para as comunidades onde estão inseridos. Não foi por acaso que Marcelo Crivella, em seu mandato como prefeito do Rio, por duas vezes recebeu Sheldon Adelson, o magnata dos cassinos de Las Vegas, em visita oficial. Crivella percebia que o investimento de Adelson traria grande riqueza ao Porto Maravilha e à própria cidade. O futuro passará por aqui. Cabe a Minas construí-lo também.

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