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O vulcão que quase extinguiu a humanidade

Delton Mendes Francelino

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nessa virada de ano, comemore a sua existência como um grande presente oferecido por nossos ancestrais

Muitas pessoas não sabem, mas, a humanidade atual teve um processo evolutivo muito longo, cuja ancestralidade se estende por mais de 5 milhões de anos. Como espécie, somos extremamente recentes, algo em torno de 200 mil anos. Uma história raramente contada, e que nos é muito relevante na ciência, foi a grande extinção de povos humanos há aproximadamente 70 mil anos atrás, provocada pela erupção do vulcão Toba, na Indonésia.

Estudos recentes e confiáveis mostraram que certamente a população humana que existia no planeta há 70 milênios foi drasticamente reduzida a pouco menos de 15 mil pessoas. Em termos de evolução e ecologia, essa é uma população pequena e cuja sobrevivência e resiliência condicionaram a nossa existência atual. Naquela época, o mundo não era como hoje: a humanidade, há cerca de 200 mil anos, surgiu na África a partir de outra espécie de hominídeo, na região da Etiópia. Por mais de 100 mil anos, nossos ancestrais vagaram pela savana africana até partir rumo ao que hoje conhecemos como Europa e Oriente Médio. Quando o Toba entrou em erupção, não havia nenhum humano nas atuais Américas, já que o povoamento desse mega continente começou muito tempo depois, com os sobreviventes dos cataclismos provocados pelo Toba (destaca-se que Luzia, o fóssil famoso brasileiro, é humano e parte de um dos povos que cruzaram o estreito de Bering (segundo as teorias mais aceitas), no norte do planeta, chegando até nosso continente, muito tempo após a erupção dita.

Alguns cientistas têm tentado provar que os poucos humanos sobreviventes há 70 mil anos (e que eram de populações diferentes, já que éramos ainda caçadores e coletores e nem imaginávamos o que seriam a agricultura e as cidades) somente conseguiram continuar existindo por serem cooperativos. Isso significa dizer que apenas os indivíduos, ou grupos humanos, que pensavam coletivamente e praticavam a cooperação, conseguiram sobreviver às desgraças ambientais provocadas pelo grande vulcão, culminando com a perpetuação da humanidade para o restante do globo, após milhares de anos.

Importante ressaltar sempre que é totalmente comprovada cientificamente a nossa ancestralidade comum não apenas com outros primatas, como chipanzés, gorilas e orangotangos. Temos parentesco com todos os outros seres vivos e é possível saber disso a partir do DNA e de estudos fósseis. Cientificamente, aliás, a humanidade também é uma espécie de primata. Logo, nesta de virada de ano, vale a pena refletir sobre a nossa existência e comemorá-la sabendo que, se não fosse a luta de nossos ancestrais, sejam os macacos primitivos ao sairem das savanas, sejam os humanos que sobreviveram ao Toba, não estaríamos vivendo agora, neste maravilhoso planeta azul.

 

NOTA DA REDAÇÃO: Delton Mendes Francelino é Diretor Internacional do Instituto Curupira (MG, SP e EUA); Professor Col. Graduação em Ciências Biológicas/ IF Sudeste Campus Barbacena/MG; Site: https://deltonmendes.wixsite.com/meioambiente; Coordenador do Centro de Estudos em Ecologia Urbana e Educação Ambiental Crítica do IF Sudeste, Campus Barbacena, MG; Palestrante e professor: Meio Ambiente/ Eco cultura/Permacultura/Ecoeducação; Contato cel/+whatsapp:(32) 9 8451 9914

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