O planeta pede socorro

Márcio Nogueira de Paiva

Com as enchentes que se abateram sobre o Rio Grande do Sul nestes dias não consigo deixar de tecer aqui alguns comentários que julgo serem pertinentes de reflexão por todos nós. O estado teve um longo período de seca entre 2019 a 2022. Porém em 2023 a situação se inverteu e deixou 74 mortos entre junho e novembro. Agora não sabemos como será o fim desta tragédia.

Mas sabemos que elas se repetem no Brasil e em outros países com mais frequência e também de diversas formas. Temporais varreram a Região Serrana do Rio de Janeiro em 2011; em 2015 e 2019 as barragens de Mariana-MG e Brumadinho-MG se romperam; desde 2018 várias minas de extração de sal-gema vêm provocando a instabilidade do solo em vários bairros de Maceió-AL e em 2019 mais de 14 mil imóveis tiveram que ser desocupados; em 2021 foi o estado da Bahia, norte de Minas e do Espírito Santo que sofreram com  fortes chuvas; em 2022 a cidade de Petrópolis registrou fortes chuvas e deslizamentos de encostas, enquanto Pernambuco sofria com as fortes chuvas; em 2023 as chuvas devastaram São Sebastião-SP.

Em 2004 um terremoto de magnitude 9,1 na escala Richter atingiu a costa da ilha de Sumatra na Indonésia, e o forte tremor gerou um tsunami devastador. O furacão Katrina nos EUA em 2005, e a região de Nova Orleans foi a mais atingida sendo que um milhão de pessoas deixaram suas casas e pelo menos 1.800 pessoas morreram. Tivemos inundações no Paquistão em 2022 e um terço do país ficou completamente submerso. Quase metade das principais cidades da China está afundando devido à extração de água, ao peso crescente da sua rápida expansão e a extração minerais como o carvão.

Ambientalistas como Chico Mendes, Irmã Dorothy, Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips foram assassinados brutalmente. Mas existem muitos outros pelo mundo afora.

Mas a narrativa acima aponta fatos passados. Agora é hora de vivermos o presente, vislumbrarmos o futuro e começar a agir. Eventos extremos como esse no RS, cada vez mais frequentes por causa das mudanças climáticas, não podem mais ser tratados como imprevistos. Esse, infelizmente é o nosso novo normal. Enquanto voltamos nossa atenção para o desmatamento da Amazônia, o cerrado e a Mata Atlântica também sofrem degradações. O Fundo Amazônia, cujos maiores doadores são a Noruega e o Reino Unido, capta recursos financeiros não reembolsáveis para financiar ações de preservação do meio ambiente e dos recursos naturais, incluindo monitoramento e combate aos agentes degradadores. Os maiores doadores ao Fundo são a Noruega e o Reino Unido.

Temos diversas ONGS Ambientais como Greenpeace, WWF e outras espalhadas pelo planeta afora, mas elas não são suficientes e não têm poder para fazer leis. Você com certeza já ouviu falar de Malala Yousafzai, ativista paquistanesa, que foi a pessoa mais nova que conquistou com um prémio Nobel. Com louvor e merecimento. Também em Greta Thunberg, ativista sueca que cobra ações da comunidade internacional para reverter os efeitos das mudanças climáticas em curso por conta do aquecimento global. Nunca tinha ouvido falar do ex-monge indiano Satish Kumar, mas estes dias vi uma reportagem sobre ele em sua passagem pelo Brasil e disse: “Não há pessoas saudáveis em um planeta doente. Portanto, a saúde humana, a saúde da sociedade e a saúde da natureza estão todas interligadas”.

Agora, você já ouviu falar do Zé de não sei o quê? Não? Sou eu, é você. Somos nós. E estamos juntos neste mesmo barco chamado Planeta Terra. De grão em grão a galinha enche o papo. Pôr consequência nossas pequenas ações tornam-se grandes quando juntas. Descartamos corretamente pilhas, baterias, lâmpadas,  eletroeletrônicos e medicamentos vencidos?

Ou tomamos sérias atitudes agora, ou a composição de Sá e Guarabyra vai se realizar: O sertão vai virar mar.

Márcio Nogueira de Paiva – Barbacena-MG, 18 de maio de 2024.

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