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O goleiro que amputou parte do dedo só para poder jogar

Hélcio Ribeiro Campos

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O futebol é um terreno fértil para loucuras, fanatismo e dedicação também. Às vezes, o mais complicado é separar uma coisa da outra.

 

O herói envolto nessa questão é Castilho, que virou ícone das traves tricolores (como goleiro titular) por incríveis 18 anos!

 

Apenas com suas defesas excepcionais, Castilho já teria lugar reservado no coração da torcida pó de arroz. Imagina escolhendo amputar parte do dedo mínimo para antecipar sua volta e ajudar o clube…

Essa história se passou na década de 1950.

 

Em 1955, Castilho já tinha passado por delicada cirurgia no joelho, obrigando-o a ficar de fora do time por semanas, até meses. Outras contusões e as convocações contínuas para a Seleção Brasileira também deixavam Castilho sem atuar pelo Fluminense.

 

Diante desse quadro, uma contusão recorrente no dedo mínimo da mão esquerda criou uma das grandiosas histórias de amor clubístico por parte de um futebolista.

Ao ser informado pelo médico do Fluminense, Newton Paes Barreto, que teria meses de tratamento do dedo, Castilho não exitou: preferiu uma amputação parcial a abandonar a equipe.

Castilho após a amputação parcial do dedo mínimo. Fonte: Lance.

Recuperando da cirurgia – 1957. Fonte: Blog Futebol, Cultura e Geografia

 

Gratidão tricolor eternizada: a estátua de Castilho. Fonte: André Durão – Globoesporte.com

Seu maior drama, porém , ainda estaria por vir

Castilho estreou pelo Fluminense em 6 out. 1946, em amistoso diante do (também) Fluminense de Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais.

Fez 702 jogos pelo Tricolor das Laranjeiras, dos quais 255 sem levar gols (ou 36% dos jogos). Foi Campeão Carioca em 1951, 59 e 1964, e do Rio-São Paulo de 1957 (machucado, não atuou) e de 1960.

Esteve nas Copas do Mundo de 1950, 54 (quando foi titular), 58 e 1962.

Encerrou a carreira no Paysandu, em 1965, após ser emprestado pelo Fluminense.

 

Cometeu suicídio em 2 fev. 1987, ao descobrir ser portador de doença incurável. Pulou do 7º andar do edifício onde morara sua ex-mulher, em Bonsucesso. Estava com 60 anos de idade. Tal episódio suscita diferentes versões.

 

Também foi treinador, levando o Operário-MS ao 3º lugar do Brasileirão de 1977, e o Santos ao título paulista de 1984.

Castilho é considerado o maior goleiro da história do Fluminense e um dos melhores do futebol brasileiro em todos os tempos.

NOTA DA REDAÇÃO: Helcio Ribeiro Campos é autor de publicações sobre Futebol e Geografia; mestre e doutor em Geografia Humana pela USP; editor da Revista Pluritas; professor do IF Barbacena.

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