Take a fresh look at your lifestyle.

Ô coitado sô!

A crônica de Francisco Santana

0 151

Eu tenho um amigo de características totalmente pessimistas. Ele se preocupa em demasia com o que as pessoas possam pensar e falar dele. Os temas de suas conversas são sempre os mesmos: lamúrias, reclamações, desabafos e choros. É um quase santo preste a ser canonizado. O passado está sempre presente nas suas argumentações: injustiças dos familiares, falsos amigos que só o procuram quando necessitam de seus favores, da empresa que não o reconheceu profissionalmente, do patrão que o preteriu na hora da promoção, do professor que o perseguiu e que vive numa ilha cercado de ingratos por todos os lados. Esses adjetivos o tornam uma pessoa amarga, desconfiada e frustrada. No seu interior só existe a tristeza, rancor, decepção e nostalgia. 

Quando perguntado: “está tudo bem?” Ele responde: “mais ou menos”.  Sua energia é tão negativa que paira sobre sua cabeça tempo nublado, chuvas, tempestades com raios e trovões. Eu participei de um curso denominado: “Divina Ciência” e consegui identificá-lo inserido no contexto. Esse mal se chama: “canção psicológica”. “Ele está relacionado à nossa autoconsideração, que se dá especialmente quando nos identificamos conosco mesmo. Ele significa sentir piedade de si mesmo, é pensar que sempre nos portamos bem com todas as pessoas e estas não reconhecem isso, não nos dão o valor que achamos que temos, são ingratas, não retribuem os favores que fizemos, que nos devem algo, etc., etc. Em resumo: no fundo nos consideramos ótimas pessoas que, de alguma forma, somos sempre vítimas das injustiças e maldades das demais pessoas e da sociedade”. 

Ouvir atentamente suas reclamações é a melhor maneira de ajudá-lo. Só opino se ele pedir. Sinto-me impotente diante dos seus argumentos que para ele, são verdadeiros, irrefutáveis e indiscutíveis.  Há dias, o encontrei caminhando sob um sol escaldante e de céu azul sem nuvens. Ele se vestia como se fosse caminhar numa geleira. Muita gente se assustou ao vê-lo dentro daquela roupagem. Em se tratando dele, tudo é normal se não fosse um enorme guarda chuva em sua mão. Ao passar por mim lhe perguntei se estava tudo bem.  Ele me respondeu como sempre o fazia: “Mais ou menos”. 

 

Retruquei: Como mais ou menos? 

– Santana, mais ou menos é a tônica da minha vida profissional e pessoal. Se eu disser que está tudo bem, com certeza acontece algo de ruim. Como esse dia lindo ser capaz de se transformar e cair um temporal. Como sou precavido trouxe o meu guarda-chuva. Se eu disser que está tudo mal, piora. Como a verdade está no meio e não nas extremidades, prefiro dizer “mais ou menos”, que é o fiel da balança.

 

– Você gosta de caminhar sozinho?

– E quem lhe disse que estou caminhando sozinho? Deus está sempre do meu lado. É com Ele que eu dialogo, é Ele quem me ajuda a pensar e a refletir sobre a vida. Sem Ele eu não seria nada. Você sabia que Deus tem como qualidades o prefixo “ONI” que significa “TODO”? Por isso ele é ONIsciente, que possui todo o conhecimento, toda a ciência; ONIpresente, que está presente em toda parte e ONIpotente, que pode todas as coisas. Se eu convidar um amigo para caminhar comigo receberei uma resposta negativa, porque sou sempre rejeitado. Os amigos só aparecem na hora que precisam de você visando interesse. Nunca neguei ajuda a alguém e hoje curto essa quase solidão. Eu nunca fiz nada com a intenção de receber algo em troca. Gosto da frase: “o que a mão direita faz, a esquerda não precisa ficar sabendo”. 

E blá, blá, blá. Essa história eu a conheço há tempos. Sinto nele carências de tudo. Infelizmente não tenho o poder de modificá-lo, mas tento ajudá-lo à minha maneira conhecendo sua postura.     

Cá entre nós, você tem ou conhece alguém no seu círculo de amigos com essas características?  

 

(Fonte: Curso Divina Ciência). 

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.