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Novas cotas do Brasileirão 2019 pagas pela TV: quem ganha com isso?

A opinião de Helcio Ribeiro

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O Brasileirão 2019 Série A está prestes a começar. A torcida se anima e as conversas entre populares sobre as possibilidades dos times disputantes também se inicia.

 

Dos bastidores vem uma novidade: a TV Globo mudou a forma de pagamento dos clubes para este ano quanto ao montante de R$ 600 milhões. A fórmula é 40-30-30: 40% para todas as equipes (240 milhões divididos igualmente), depois 30% de audiência (180 milhões) e 30% pagos em dezembro (outros 180 milhões), ao findar o campeonato, em função da classificação final.

Os defensores da meritocracia aplaudem a nova distribuição de dinheiro vindo da TV. Sim, há certa virtude nisso, mas há discrepâncias nessa ideia também. Vejamos.

Em primeiro lugar, as agremiações com as maiores torcidas continuarão com orçamentos bem superiores aos das demais equipes em razão dos 30% de audiência, ou seja, terão mais jogos exibidos pela TV e irão faturar mais. Aí temos os casos de Flamengo e Corinthians, sobretudo em comparação com os times que estiveram na Série B do ano passado, como o Fortaleza, por exemplo. Mesmo diante da demais equipes importantes do Brasil, os times de maior torcida recebem muito além.

Outra maneira de grande distinção entre clubes com mais e com menos torcidas vem de um pacote importante de receitas fora do acordo com a TV Globo: o pay-per-view e as placas publicitárias. Alguém duvida que o São Paulo fatura mais que o Avaí, o Palmeiras mais que o Athletico-PR, o Corinthians mais que o Cruzeiro? E por aí vai…

Além do mais, as associações esportivas que há muito tempo se estabeleceram no principal mercado da bola no Brasil têm uma estrutura já firmada: condições para treinamentos e alimentação dos futebolistas, formação de novos atletas e a compra daqueles já “prontos”, logística para viagens e hospedagens etc.

Enfim, já existe uma prévia condição que favorece os principais clubes brasileiros e os que são mais bem administrados, uma vez que nas últimas décadas assistimos ao rebaixamento de grandes clubes. Do ponto de vista desta discrepância de renda e de estrutura que nos referimos, tais rebaixamentos significam uma vergonha para essas agremiações mais poderosas, principalmente as do eixo Rio-São Paulo e, em segundo plano para as de Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Desse modo, é muito mais vexatório uma queda para a Série B protagonizada por Corinthians e Palmeiras; Botafogo, Fluminense e Vasco; Grêmio e Internacional; e Atlético Mineiro do que aquelas que ocorridas com Vitória, Coritiba, América-MG, Santa Cruz, Goiás etc.

Apesar de todos esses fatores que indicamos e da persistente diferença entre clubes do Brasil, o aumento da fatia paga pela TV destinada ao desempenho do time no certame é um alento, verdadeira (embora pouca) luz no fim do túnel, que pode beneficiar as direções mais sérias e competentes de agremiações de futebol do país. Única forma de justiça nessa cota da TV, pois, do contrário, o abismo entre ricos e pobre tende a aumentar.

É o futebol podendo acompanhar e reproduzir a (triste) realidade social brasileira.

NOTA DA REDAÇÃO: Helcio Ribeiro Campos é autor de publicações sobre Futebol e Geografia; doutor em Geografia pela USP; e professor do IF Barbacena.

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