Por Antônio M. Dias
Há uma semana o Complexo de Mídia Eletrônica Barbacena Online publicou no Canal do Youtube, no Facebook e no Instagram um vídeo de um discurso proferido por Isabelinha durante uma formatura da EPCAR nos anos de 1970. O vídeo viralizou e recebeu inúmeros comentários. Com isso, o Jornalista Antônio M. Dias produziu a matéria a seguir, contando um pouco da história de Isabelinha.
Nascida em 28 de fevereiro de 1915 como a filha única de um coronel, Isabel Vidal, a Isabelinha, não foi uma celebridade formal, mas sim uma personagem marcante, quase mítica, na memória de Barbacena, principalmente pelo bairro São José. Dona de uma oratória exemplar, exímia pianista e uma mulher extremamente culta, tornou-se conhecida por andar pelas ruas e ladeiras da cidade recitando poemas e falando com as pessoas de maneira marcante.
Apesar de marcante em Barbacena, já residiu em outras cidades da Vertentes e região. Em 1973 foi morar na cidade de Senhora dos Remédios. Após um período, retorna para Barbacena, onde vive até sua morte.
Com vestes excêntricas e sempre acompanhada de seu fiel escudeiro, o cachorro ‘Nabão’ (ou Rex em alguns relatos), Isabelinha caminhava sempre pelas ruas e vielas barbacenenses. Segundo algumas pessoas, foi após a perda de seu grande amor que ela seguiu esse estilo de vida nômade. Outras apontam que Isabelinha teria vivido uma paixão não correspondida por um cadete da Aeronáutica.
Essas diferentes versões de uma mesma história contribuem ainda mais para solidificar Isabelinha como uma figura folclórica no imaginário barbacenenses. Sozinha, passou a viver nas ruas da cidade das rosas, especialmente nas imediações da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR).
Esse amor pelo azul das fardas da EPCAR viria a transformá-la em musa da escola. Com uma linguagem descontraída, dizia a seguinte frase quando avistava um dos cadetes pelas ruas: “Lindos passarinhos, azuis da cor do céu…”
Conta a história que, em 1972, a EPCAR desfilou em São Paulo na comemoração do sesquicentenário da Independência. Dois ou três dias antes, dois Sargentos da Aeronáutica estavam indo para São Paulo, a fim de cuidar da segurança. Sofreram um acidente na Fernão Dias e faleceram. Um deles foi sepultado no Cemitério da Boa Morte. Quando estava baixando a urna, Isabelinha chegou e, mesmo sem conhecer pessoalmente o militar, fez um comovente discurso que ficou gravado na memória de várias pessoas.
Isabelinha veio a falecer em 12 de dezembro de 2000 aos 85 anos de idade, após ser detectada uma pneumonia enquanto se recuperava de uma fratura no fêmur. Após dias internada, acabou não resistindo.
Seu velório, na Igreja da Boa Morte, foi acompanhado por grande comoção popular e contou com a presença de 90 cadetes da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, retribuindo o carinho e respeito conquistado ao longo de décadas de convivência com a população.
Isabelinha também recebeu homenagens em vida. A turma de formandos de 1970 prestou tributo à mulher com um quadro pintado pelo artista plástico Lourival Vargas, posteriormente doado à instituição de ensino. Na obra, Isabelinha aparece ao lado de seu cachorro, caminhando por uma rua durante a noite.
A forma mais conhecida de sua existência, contando detalhes de sua fisionomia e jeito diferenciado é o texto de Ruth Esteves, ‘Louca de Amor’. Sua trajetória ainda inspirou a canção “Isabelinha”, composta por Júlio Dutra e eternizada na voz de Marquinhos Dutra.
Vinte e cinco anos após sua morte, Isabel Vidal, eternizada como Isabelinha, continua sendo uma das personagens mais emblemáticas da história urbana e cultural de Barbacena. Mais do que uma figura conhecida das ruas, Isabelinha tornou-se símbolo de uma cidade, inspirando músicas, relatos, pinturas e lembranças que atravessam gerações.










