facebook
Publicidade Local

O Livre-Arbítrio e a realização de uma mulher: muito além do estado civil

O Livre-Arbítrio e a realização de uma mulher: muito além do estado civil - Marcela da Paz UEMG
Prof.ª Dra. Marcela da Paz – Docente na UEMG – Barbacena

Já tem um tempo que eu observo uma troca de ‘afetos’ nas redes sociais entre mulheres que procuram convencer ou demonstrar que a própria escolha de vida é a melhor, é a mais difícil ou é a que tem mais doação. 

Na verdade, na vida, cada pessoa sabe aquilo que abdica, o que sente, enfim, os caminhos na busca da própria vocação. E, não, o meu chamado não é mais importante porque eu, em meu livre-arbítrio, estou fazendo escolhas de vida que diferem das suas. E nem as mulheres que utilizaram o livre-arbítrio para escolhas diferentes das minhas estão mais corretas ou mais felizes.

No coração de todas nós se encontram desejos que somente cada uma sabe, lutas silenciosas e que podem trazer um grande peso. Estes fatores não estão obrigatoriamente relacionados a um estado civil.

Quando nós, familiares e amigos queridos são acometidos por doenças, estão desempregados ou são vítimas de violência os desafios se tornam quase insuperáveis. Assim, é necessária uma rede de apoio, um sistema público de saúde de qualidade e um amparo institucional para a nossa segurança. Mas, ainda considerando estas variáveis, é oportuna a pergunta: e o que torna cada mulher mais inteira, mais plena e mais feliz?

O contato com a espiritualidade; amar-se; nutrir um respeito sublime por si própria; autocontrole; a verdade nas ações; o amor ao próximo; saber colocar limites e compreender o momento certo de não permanecer nas mesmas relações humanas tóxicas e sentir o vento no rosto. Como não vivemos apenas de brisa e de sonho, precisamos ter condições financeiras dignas e um ofício para não permanecermos em laços adoecedores – maritais, parentais ou de coleguismos – para termos alimento e um oi de ‘conforto’, forçado e sem reciprocidade.  São todos estes fatores e muito além deles?

Como os segredos do coração são insondáveis, eu não tenho estas respostas. Na construção diária do que somos e oramos, sonhamos e pedimos, a vida sabe mais do que nós. É preciso cultivar o esforço do silêncio interior e a coragem para romper com uma escolha de vida que muitas vezes mais aprisiona do que liberta, lembrando sempre que a semeadura e a colheita são próprias, são individuais. Mas, as escolhas equivocadas podem gerar um impacto sobre a vida de quem amamos. Com o respeito pela sua jornada, ela é sua, sem competições.

 

Infelizmente, as redes sociais estão se tornando vitrines de narrativas de felicidades nem sempre reais, que causam angústias, troca de ‘afetos’ pela narrativa sobre o que é mais correto e o mais feliz. Qual mulher pode vestir roupa x? Qual mulher pode ter a profissão y? Quem tem o direito à felicidade? E o que é esta felicidade?

Tudo isto é muito mais complexo que algumas linhas nos permitem refletir. Aquilo que sentimos e sonhamos nem sempre encontram respostas naquilo que o cotidiano nos apresenta.

Mas, o tratamento digno que eu sei que eu preciso me proporcionar, bem como, a urgência de fortalecer a sororidade são passos decisivos nestes caminhos do livre-arbítrio e da busca da felicidade. Amarmo-nos mais, amarmos umas às outras, em toda a plenitude que cada uma traz em si. Talvez, mais do que troca de ‘afetos’ de posicionamentos sobre vidas mais felizes, a cooperação e o respeito mútuos sejam formas mais acolhedoras de viver, de ser e de se descobrir.

Destaques do dia

Viajar através da leitura

Sirlene Cristina Aliane   Nas histórias de um Livro viajo para lugares Muito distantes, Belos lugares, Alguns frutos somente Da imaginação e outros Realmente existem,