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Existe o pacto da branquitude?

Marcela Fernanda da Paz de Souza

 

No mês de novembro, nós acompanhamos no Barbacena Online uma série de artigos que nos ajudaram a refletir sobre os preconceitos e as consequências deploráveis do comportamento racista.

A discriminação motivada pela cor da pele é construída socialmente e já se encontra há séculos enraizada nas relações sociais no Brasil. O racismo é estrutural, mas isto não implica que ele não possa ser enfrentado e extirpado da sociedade. No decorrer das semanas, os nossos colegas nos explicaram de uma forma muito clara a importância de sermos antirracistas.

Mas, na prática, o que isto significa? Djamila Ribeiro (2019), de maneira bem didática, orienta em seu Pequeno Manual Antirracista: “Informe-se sobre o racismo”; “Enxergue a negritude”; “Reconheça os privilégios da branquitude”; “Apoie políticas educacionais afirmativas”; “Transforme o seu ambiente de trabalho”; “Leia autores negros”; “Questione a cultura que você consome”; “Conheça seus desejos e afetos”; “Combata a violência racial”; “Sejamos todos antirracistas” (2019, p. 4).

O pacto da branquitude nos ajuda a pensar sobre isto. Nós que somos brancos, não racistas ou, mesmo, com práticas antirracistas já possuímos na largada uma vantagem de não sermos discriminados em razão da cor da nossa pele. Você foi responsável por isto? Eu fui responsável por isto? Não. Mas, já possuímos desde criança oportunidades e acessos, acolhimentos e afetos que nem sempre são disponibilizadas a outras pessoas, de outro fenotípico.

Cida Bento, ao escrever sobre o Pacto da Branquitude (2022), explica que há um acordo silencioso para a manutenção dos privilégios dos brancos. Meritocracia? Vamos aprender com Bento:

“Quando trabalhava como recrutadora de pessoal, vivenciei diferentes situações em que essa preferência por brancos ficava evidente. Por exemplo: no processo seletivo para a vaga de secretária num banco, enviei duas mulheres negras para a entrevista inicial com a chefia e recebi uma bronca, por telefone, do contratante. ‘Não te disseram que neste banco não se contratam negras como secretária?, perguntou ele, que não sabia que falava com uma pessoa negra. Não, ninguém me havia dito. Com o tempo entendi: secretárias são o “cartão de visita” da empresa, a primeira pessoa que um cliente vê ao chegar. O banco não queria que seus clientes fossem recepcionados e acolhidos por mulheres negras, mas sim por brancas.” (Bento, 2022, p. 7).

Fechamos este mês com reflexões que nos ajudaram e, que, espero, nos nortearão a repensarmos práticas e pensamentos que, infelizmente, ainda são reproduzidos no nosso cotidiano.  Vamos ter a consciência que muitas vezes desfrutamos de um privilégio construído sobre preconceitos e exclusão de nossos irmãos e irmãs. Que tenhamos fé, força e união para compreendermos que tudo aquilo de ruim que se aprende, pode ser transformado para boas condutas e sentimentos sinceros.

Que venha dezembro e que a esperança de um mundo mais fraterno se fortaleça entre nós!

Este texto de encerramento eu dedico à minha mãe, grande exemplo de luta: Valéria Maria da Paz

Referências:

BENTO, Cida. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

 

RIBEIRO, Djamila. Pequeno Manual Antirracista. São Paulo: 1ª Companhia das Letras, 2019.  

Disponível em:

https://mulherespaz.org.br/site/wp-content/uploads/2021/04/pequeno-manual-antirracista-ribeiro-d.pdf. Acesso em: 29 nov. 2025.

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