Por: Élida Joseane Nascimento
O Letramento Racial é um amplo processo educativo, que nos permite compreender quais os impactos do racismo na sociedade. Através do letramento entendemos a origem do racismo, identificamos entre nós quais são as atitudes racistas que permeiam o nosso dia a dia, difundir esses conhecimentos pode acarretar mudanças significativas de comportamento, dando às pessoas e as instituições, opções e ferramentas de enfrentamento e combate ao racismo.
Será que precisamos mesmo de letramento racial?
Sim, pessoas negras ainda são xingadas na rua, ainda são seguidas pelos seguranças do shopping e do supermercado; pessoas negras ainda precisam lidar com apelidos que desrespeitam sua identidade e sua religião, em muitas empresas existem cargos que nunca serão ocupados por negros, e a escola é um dos lugares onde os negros mais sofrem violência racial durante a infância e a juventude.
Para refletir:
O Brasil tem mais tempo de prática escravocrata que de liberdade, um processo de construção social em que foram concebidos diversos conceitos racistas para garantir a funcionalidade da engrenagem socioeconômica brasileira, com o objetivo de desumanizar a pessoa negra, justificando assim a existência de um grupo branco que se beneficia em detrimento da exploração do grupo negro. O racismo é um sistema de opressão que historicamente tem negado os direitos da população negra.
Enquanto a população branca se desenvolvia no campo da ciência, da matemática, e da filosofia, homens e mulheres negros estavam sendo escravizados e tratados como animais, logo brancos e negros não partem do mesmo lugar. Resgatar a história nos ajuda a entender, por exemplo, porque ainda hoje, em muitos espaços, e por muitas pessoas, a negritude é lida como inferior e ou defeituosa.
O Antropólogo Kabengele Munanga, em seu livro “Rediscutindo a mestiçagem no Brasil” (1999), elabora que a estrutura mental herdada do passado considerava a pessoa negra apenas como coisa e força animal de trabalho, fundamentada intencionalmente em validar uma hierarquia pseudocientífica de superioridade branca. O que acontece é que esta mentalidade racista e arcaica ainda se manifesta cotidianamente entre nós, através de atitudes que tendem a subjugar e discriminar a pessoa negra, contribuindo de forma direta e indireta para a manutenção da hostilidade de espaços racializados.
Por fim, é relevante citar que para que para além de qualquer subjetividade que possa surgir durante um processo de letramento racial, ”Racismo é crime tipificado na Lei 7.716, e que praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião é uma das principais formas de negar acesso, ou seja negar direitos.”
Apresentação:
Palestrante em Educação Ambiental e Educação Antirracista.
Administradora com MBA em Liderança e Programação Neurolinguística;
Artista Plástica;
Gestora de Projetos Sociais – Instituto Socioambiental das Vertentes – IVERT
Membro do Núcleo de Estudos Afrobrasileiro e Indígena do Instituto Federal de Educação Campus Barbacena/MG;
Membro do Conselho Municipal de Cultura de Barbacena; Membro do Rotary Club Barbacena Jardim do Globo;










