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Armadilha de satanás (Parte 1)

Por Eric Ramón da Costa Jr, orientado por Doutor Delton Mendes Francelino, via Laboratório Internacional de Escrita Criativa e Científica.

 

          Não tenha medo. O satanás não vai te dar uma garfada aqui. Só vou falar de suas armadilhas. Na verdade, só de um tipo. É que ela pode vir em forma de alma sebosa, de machismo, de misoginia, e, em países que tem como hobbie causar guerras, como os Estados Unidos, por exemplo, vem vestida de terno e gravata e, às vezes, de biquíni. Mas não é dessas armadilhas que quero relatar não. Pretendo falar um pouquinho de uma armadilha de satanás que continuamente e constantemente aparece nas Minas Gerais. Mais especificamente ela é um estabelecimento. Não é açougue e nem posto de gasolina. O que é então? Só pode ser ela, a única, a dona e proprietária do trigo, do glúten, dos doces de balcão, mas principalmente dele, único, sedutor, daquele que destila amor, o divino, gostoso, sexy e poderoso conhecido como pão de queijo. Ora, então a verdadeira armadilha de satanás mineira se chama PA-DA-RI-A.

          Ponto número um: estar em Minas Gerais significa, dentre outras coisas, comer bem gostoso (refiro-me ao ato de alimentar, ingerir e não o ato sexual). Deixando de lado o torresmo, o tutu, a vaca atolada, as frutas etc e fazendo um recorte porque o texto deve ser enxuto, vou falar das padarias.

          Ponto número dois: a simpatia do povo e o carinho ao atender faz você gastar mais. Aí também reside a armadilha de satanás. É ele rindo da sua cara enquanto a funcionária pergunta para você, num sotaque bem mineirinho: “acá, bobo, saiu agorinha esse biscoito de polvilho frito, leva um cadim, sô…ou cê vai levá só o pão de queijo mes?”. Aqui o satanás já me tentou com o pão de queijo, pois sempre vou comprar mais do que queria. Gula? Bom preço? Melhor comprar bastante agora porque o de São Paulo é mais ou menos? E além do pão de queijo, tem a oferta doce e cativante da funcionária anunciando o que acabou de sair, fresquinho. Outra garfada. Não resisto e pego um pouco do biscoito de polvilho.

          Ponto número três: evito olhar para as vitrines e ficar observando muito para todos os lados, pois a armadilha de satanás está em pequenas coisas tipo: brevidade, broa de milho, broinha de canjica, curau, mingau de milho verde, biscoito de polvilho doce frito, bolinho de chuva, biscoito de queijo, biscoitão de queijo (biscoito de queijo é diferente de biscoitão de queijo. Desculpe-me os outros 26 estados da república), Marta Rocha, pão de sal (francês procê?), pães doces variados, sonhos com doce de leite, broinha de milho simples, broinha de milho com goiabada, rosquinha de canela, sequilhos, quebra-quebra, bolo disso, bolo daquilo, bolo de não sei o quê, bolo com queijo, bolo de queijo com goiabada, pão de torresmo…

          Ponto número quatro: evito continuar olhando porque já comprei o pão de queijo (desejo verdadeiro e inicial), biscoito de polvilho (caí no conto da funcionária), duas brevidades (pro lanchinho da tarde com cafezinho). Pronto. Não vou comprar nada. Mentira. Vai sim (voz do satanás). Olho para o lado e vejo os doces: de goiaba (claro!), goiabada cascão, doce de leite puro, com coco, coco queimado. Aff, satanás mora aqui, não é possível. Muita tentação. Vou comprar um pedaço dessa cascão para Júlia que chega amanhã quim casa. Pronto. Não vou comprar mais nada.

          Ponto número cinco: agradeço à funcionária e me direciono ao caixa com meus produtos, quase todos frutos dos desejos de satanás que atuou em mim. Contudo, ao me encaminhar ao caixa, vejo mais uma geladeira com os branquinhos mais amados do Brasil. Pensou que eram os alemães delicinhas da Oktoberfest de Blumenau? Errou. Tô falando de queijos. Canastra, meia cura, do Serro, frescal, cabacinha, requeijão. Evito olhar para geladeira. Permaneço na fila. Vou pagar no débito. Ainda tem duas pessoas na minha frente. Olho de um lado para outro e não resisto. Acabei de receber uma garfada na bunda. Me aproximo da geladeira, abro, quase choro, não sei qual compro e se compro, penso em desistir, no rótulo do queijo vejo ele, o satanás, que me diz assim: “um canastra combina bem com a goiabada cascão e como a Júlia chega amanhã, pode ser boa essa combinação para oferecê-la.”. Vou levar um pedacinho, então.

          Ponto número seis: vou pagar, no débito. Pão de queijo, biscoito de polvilho, duas brevidades, cascão e queijo. Tá bom, gente. Já deu, né? A menina do caixa me diz o que satanás mandou ela me dizer: “aqui, por que quiocê num leva um caldo de mandioca que saiu agora? Nesse friozinho é uma delícia, sô”. Dessa vez, consegui dizer não e vi na cara dela que satanás não gostou. Tô nem aí. Saí da padaria.

          Ponto número sete: ao virar a esquina, dou de frente com um jovem mineirinho (só cê venu) com uma caixa cheia de biscoitos de São Tiago à venda. Era o satanás de novo. Não resisti e comprei dois pacotes para Júlia.

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        Para contato com a Casa da Ciência e da Cultura, basta enviar mensagem via whatsapp: (32) 98451 9914, ou Instagram: @casadacienciaedacultura/ @delton.mendes. O site é: www.casadacienciaedacultura.com.br

Apoio Divulgação Científica: Samara Autopeças e Anjos Tur – Turismo e escolares.

Armadilha de satanás (Parte 1) - Samara

 

 

 

 

 

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