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Soneto ao Vinho Tinto

Norma Martins

 

Prefiro o riso leve do rosé,
o branco que refresca sem aviso,
as festas que o espumante me fez crer,
mas é no tinto que me eternizo.


Tão denso, tão voraz, quase cruel,
me embriaga em silêncio e sedução;
me beija a boca, seca o meu papel,
me tira a calma e o rumo da razão.


Por isso, o tomo só quando convém:
em noites de jazz ou riso entre irmãos,
ou quando a solidão me quer refém,
e encontro em ti meus sonhos mais vãos.


És vinho e vórtice, amor sem medida,
veneno doce que me dá mais vida.

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