[vc_row][vc_column][vc_column_text]Por Mariana Vicentini Pereira, Gestora Ambiental e membro do Laboratório de Escrita Científica e Criativa do Podcast “Falando de Ciência e Cultura”, sob orientação do professor, pesquisador e coordenador do Centro de Estudos em Ecologia Urbana do IF Barbacena, Delton Mendes Francelino.
A dinâmica da natureza é curiosa: ao mesmo tempo em que tudo está interligado, em dinâmicas complexas, as singularidades, especificidades de cada espécie são, também, extremamente interessantes. Embora possamos comparar comportamentos ecológicos, não é correto “olhar” para os seres vivos a partir de percepções simplistas, como se pudéssemos “igualar” todos. Pensar sobre isso permite que reflitamos acerca de muitos aspectos da vida humana e, com facilidade, criamos analogias e alegorias, até metáforas, com situações do nosso cotidiano.
É comum ouvirmos reflexões sobre o “peso”, ou “pesos”, que carregamos durante a vida; digo do peso no sentido figurado, em relação a bagagens culturais, traumas, inquietudes, expectativas e cobranças sociais. Como hábito, sempre comparo tudo que me “cerca” com outras estruturas da natureza e isso me permitiu, recentemente, conhecer alguns animais que possuem força física surpreendente, como o Elefante Africano que, apenas com sua tromba, consegue levantar até cerca de 300kg; ou a onça pintada que, de acordo com alguns estudos, é capaz de carregar com sua mandíbula 3 vezes o peso do seu próprio corpo. Outra característica que me chamou atenção foi a língua pegajosa de uma espécie de sapo que pode capturar outros seres com até o dobro do peso total do animal. Fascinante, não é?
No entanto, o Escaravelho Sagrado (nome popular), também conhecido como Besouro-do-Esterco, fez-me refletir bastante. A sua performance durante a vida poderia ser subjugada por carregar o esterco de um lado para outro, já que em nossas culturas tendemos a considerar tudo o que é relacionado aos excrementos como algo nojento; porém se atentarmos aos detalhes, descobriremos universos impressionantes. Entender e estudar ecologia favorece isso: nos maravilharmos com o mundo!
O Besouro-do-esterco tem sua rotina baseada em rolar as fezes de outros animais e enterra-las. Contudo, essa prática não é tão simples quanto parece. O esterco, para o Besouro, serve como fonte de alimento, auxilia na reprodução da espécie e ainda contribui para que o mesmo desempenhe sua grande contribuição ecológica: ao rolá-lo, as larvas e moscas são eliminadas e ao enterrar a “bola” no solo favorece o aumento de nutrientes; intensifica também a aeração da terra, facilitando a infiltração da água e auxiliando novas estruturas ambientais que dependem da qualidade do solo para resiliência e dinâmica ecológicas.
Ou seja, carregar o “peso” do esterco não é nada mal nem para o Besouro, nem para toda complexidade ambiental. Seria até possível criar uma fábula a partir desse “personagem” incrível do mundo natural. Dentre as várias lições que esta espécie poderia nos ensinar, talvez a mais pertinente nos dias de hoje seria: o “peso” que carregamos não precisa ser o nosso fardo, mas o nosso meio de existir, uma necessária adaptação, sendo muito mais do que nos faz sobreviver enquanto indivíduos particulares, mas também como contribuintes para o coletivo. Tanto o esterco, quanto a vida do besouro, são fundamentais para o equilíbrio dos ambientes em que esta espécie habita; na natureza, aliás, não há lixo e as fezes são algo natural, sendo recicladas por outros seres. Independente do tamanho, ou “aparência” dos bichos, todos são importantes.
Que a natureza é surpreendente e complexa já sabemos. Talvez, o que nos falte é recorrer a seus inúmeros exemplos de dinâmicas, estruturas e “saberes” para evoluirmos enquanto sociedade: enquanto seres que fazem parte da casa maior, a Terra.
Apoio divulgação científica: Samara Autopeças e Barbacena Online
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