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Mostra reúne acervo do artista plástico Paulo Matos

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O artista plástico barbacenense Paulo Matos, o Paulão, ganhará uma mostra póstuma de suas obras. Falecido em 2016, Paulão nunca realizou uma exposição reunindo grande parte de sua obra, por motivos que só ele mesmo poderia explicar, já que a sua arte sempre foi reconhecida na cidade, o público barbacenense vai poder finalmente conhecer os trabalhos de um dos principais nomes do setor cultural da região. A curadoria da mostra é de Edson Brandão.

A mostra será realizada entre os dias 20 e 30 de outubro no salão do Olympic Club, no centro da cidade, ficando aberta de terça-feira a sábado de 14h às 20h e no sábado, de 9h às 14h. A entrada é franca e escolas podem agendar visitas em grupo. Os quadros serão comercializados durante a exposição.

Notas biográficas de Paulo Matos, o Paulão

Por Edson Brandão

Paulo Roberto Costa Matos, conhecido artisticamente como Paulão ou Paulinho Pigmento, foi um desenhista e pintor nascido na cidade de Prados, MG, no dia 7 de fevereiro de 1951. Radicado desde a infância em Barbacena, Paulo sempre foi incentivado pela família a desenvolver seus dons artísticos. Foi com a professora de desenho e pintura Ana Mangualde que aprendeu as primeiras lições da pintura e do desenho acadêmico. A partir da década de 70 iniciou uma série de obras com influência figurativa, pintando flores, naturezas mortas e paisagens, em especial de Minas Gerais.

À medida que ganha experiência e toma contato com a obra do pintor romeno Emeric Marcier (1916-1990), que viveu em Barbacena a partir de 1947, Paulão vive uma fase mística produzindo temas bíblicos em especial, cenas apocalípticas.

Nos anos 80, começa a passar longas temporadas no Rio de Janeiro, frequentando cursos do MAM (Museu de Arte Moderna) e EAV ( Escola de Artes Visuais do Parque Lage). Mesmo vivendo com pouco dinheiro e abrigando-se na Casa do Estudante Universitário da UFRJ, na sua fase mais anárquica e precária, Paulão logo ficou conhecido no meio artístico carioca por sua habilidade na confecção de pigmentos, bastões e tintas muito apreciadas por estudantes de artes e artistas. Foi especialmente impactado pelas lições sobre materiais artísticos em oficinas ministradas por Katie Van Scherpenberg, que por sua vez introduziu Paulão à pintura expressionista e vigorosa de seu antigo professor Oskar Kokoschka (1886-1980).

Com todas essas influências, Paulão mudou radicalmente seu estilo de pintura e passou a ser conhecido entre os frequentadores do Parque Lage como Paulinho Pigmento. A qualidade de seus pigmentos e cores é atestada por artistas respeitados como Luiz Ernesto, Lúcia Laguna, Bia Kreimer e Charles Watson. Por indicação de Watson, a grande imprensa começa a dar atenção ao trabalho de Paulo. Matérias de página inteira do Jornal O Globo e o programa de entrevistas de Jô Soares destacaram a habilidade quase extinta entre os pintores pós-renascentistas que era a capacidade de fazer as próprias tintas utilizadas nas obras.

Alternando temporadas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, Paulão, passa a realizar uma série de telas retratando a paisagem mineira com algumas obras equivalentes em qualidade e cromatismo à melhor produção de Emeric Marcier e Carlos Bracher.

Nos anos 90, foi realizada uma grande retrospectiva de seu trabalho na antiga galeria do CEFEC (Centro Ferroviário de Cultura) e duas de suas aquarelas ilustram pontos históricos de Barbacena no Museu Municipal da cidade. Suas obras estão incluídas em algumas importantes coleções particulares no Brasil e no exterior. Paulo Matos faleceu em 13 de maio de 2016, em Barbacena, Minas Gerais.

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