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    Barbacena, MG Previsão completa
  • Morreu um homem negro ou morreu um homem porque era negro

    E eis que na véspera do Dia da Consciência Negra, um homem de 40 anos de idade morreu, espancado por dois seguranças, no estacionamento de um estabelecimento do Carrefour em Passo D’Areia.

    O homem era JOÃO ALBERTO SILVEIRA FREITAS e etnicamente classificado como negro.

    Até agora não ficou muito claro o que a vítima teria feito contra uma atendente de caixa do supermercado. Se ele bateu boca com ela. Ou se fez um gesto grosseiro com as mãos. Ou ainda se teria ele até mesmo tentado agredir a funcionária. O que se sabe é que dois seguranças foram chamados e conduziram JOÃO ALBERTO até o estacionamento.

    O vídeo da agressão está na internet. Não é difícil encontrar no YouTube ou em canais de notícias. São quase cinco minutos de muita brutalidade. Diversos socos! Na cara da vítima e de toda sociedade.

    Ainda que a abordagem tenha começado de forma justa, houve o que chamamos de excesso. A conduta pode em tese até ter começado dentro da legalidade, porém o que se vê é uma demonstração do que temos de pior! Um homem sendo espancado até morrer e uma plateia catatônica sem poder para impedir tamanha covardia!

    A viúva disse que ele pedia socorro: “Milena, me ajuda!”. Nas imagens é possível ver em certo momento o joelho de um dos seguranças no pescoço de JOÃO ALBERTO. Logo, impossível não lembrar do recente caso norte-americano que ceifou a vida de GEORGE FLOYD. A “hashtag” #blacklivesmatter parece que vai demorar para sair de moda, infelizmente.

    O estabelecimento comercial foi vandalizado na última sexta-feira. Concreto espalhado, vidros quebrados e totens queimados, fora as pichações! O que demonstra o quanto estamos todos doentes! Para protestar contra um crime, é legítimo depredar o patrimônio de outrem? Claro que não!

    Os seguranças irão responder por homicídio triplamente qualificado (inclusive com emprego de asfixia, impossibilitando a resistência da vítima.)

    E agora a pergunta que não quer calar: o fato de JOÃO ALBERTO ser negro interferiu no resultado? Morreu um homem negro. Ou morreu um homem por que era negro?

    Eu consigo imaginar um descendente indígena sendo igualmente espancado (quando eu era criança houve um caso de atear fogo em um pedinte enquanto dormia em praça pública.) Eu consigo imaginar um nordestino sendo agredido com a mesma fúria. Imagino até um homossexual sendo vítima da mesma fúria que matou o negro.

    Ainda assim, imagino que provavelmente a morte de JOÃO ALBERTO independe da quantidade de melanina em sua cútis e sangue. Morreu no entanto pela quantidade de cólera no sangue daqueles que lhe agrediram. Morreu porque não vemos o próximo como um semelhante, como um irmão. Morreu porque não temos respeito pela raça… pela nossa raça… a raça humana.