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  • Morre o homem, nasce a lenda

    A crônica de Francisco Santana

    O dia 25 de novembro de 2020 foi marcado por uma notícia triste para o esporte mundial. Morreu o talentoso, inigualável incomparável e insuperável, Diego Armando Maradona. Ele tinha 60 anos e sofreu uma parada cardiorrespiratória em sua casa, em Tigre, cidade vizinha de Buenos Aires. No meio a celeumas, uma autópsia será realizada para determinar a causa da parada cardiorrespiratória.   O mundo esportivo se rendeu às suas geniais jogadas dentro de um campo de futebol, muitas delas tidas como inacreditáveis. Morre um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos e nasce a lenda. 

    Assisti em vários canais de televisão a cobertura do seu velório e sepultamento. Ouvi atentamente comentários desapropriados sobre comparações descabidas e absurdas. Um comentarista abriu uma questão perguntando se a morte do jogador teve mais comoção na Argentina que as havidas com as mortes de Carlos Gardel e Evita Perón. 

    Vamos relembrar o falecimento de Carlos Gardel. O desastre aéreo foi uma colisão ocorrida em 24 de junho de 1935 envolvendo duas aeronaves Ford Trimotor, nas proximidades do Aeroporto Olaya Herrera, em Medellín, deixando um saldo de 17 mortos e três feridos. Entre os mortos estavam o cantor Carlos Gardel e seu parceiro, o compositor brasileiro Alfredo Le Pera. 

    “Maria Eva Duarte de Perón, conhecida como Evita pesava pouco mais de 30 quilos quando parou de respirar. A mulher mais poderosa da Argentina foi vencida por um câncer aos 33 anos, após suplicar ao povo que não a esquecesse. Naquele 26 de julho de 1952, as rádios transmitiram a mensagem oficial: “Às 20h25, entrou na eternidade a senhora Eva Perón, líder espiritual da nação”. (Site AH – Aventuras na história).

    Chegaram a comentar a má organização dos funerais citando que os do Ayrton Senna foram mais bem organizados. Absurdamente, outro perguntou: “será que quando o Édson Arantes do Nascimento, Pelé, morrer a comoção do brasileiro será maior ou menor do que o de Maradona? Depois disso tudo não poderia haver outra comparação como a pergunta: “Quem é melhor: Maradona ou Pelé?  

    Era invejável a forma atlética do Maradona que media 1,65m, baixinho para enfrentar zagueiros brutamontes de 1,80m no mínimo. Para se desvencilhar ele usava suas habilidades. Entre tantas, chutava com perfeição com a perna direita como a esquerda; tinha um controle fantástico com a perna esquerda; sabia cabecear com maestria de olhos sempre abertos e para chão; tiro livre próximo da área o narrador já gritava gol pela constância e precisão; quase nunca perdia um pênalti pelas cobranças tranquilas e serenas; fugia das infrações dos adversários com habilidade e para se defender, era malicioso. 

    Na Copa do Mundo de Futebol realizada no México em 1986, Maradona estava perfeito, com atuações magistrais que encantaram o mundo da bola. Até Deus, que estava assistindo ao jogo se rendeu ao seu talento lhe dando uma mãozinha. Um dos 125 jogos de Peter Shilton com a camisa da Inglaterra tem um gosto amargo. Jogador que mais atuou pela seleção européia, o ex-goleiro foi “vítima” do gol de mão de Maradona, lance que ficou famoso pela alcunha “La Mano de Dios”, nas quartas de final da Copa de 1986. Quase 35 anos depois do fato, Shilton mostrou, em entrevista ao The Guardian, não se conformar com o “orgulho” que o argentino tem daquela jogada. “Já vi outros jogadores trapacearem, admitirem e se desculparem. Mas sua atitude explica por que há animosidade. Ele não vai se desculpar e eu não o cumprimentarei. Maradona é o melhor jogador da história, mas eu não o respeito como esportista e nunca o respeitarei”, disse o goleiro que hoje tem 70 anos. O duelo acabou em 2 a 1 para os argentinos que, dias depois, ergueram o troféu diante da Alemanha Ocidental.

    Outro gol de Maradona que entrou para a história do futebol mundial, chamado de gol do século, viralizou nas redes sociais após sua morte. Em jogo válido pelas quartas de final da Copa do Mundo de 1986, a Argentina derrotou a Inglaterra por 2 a 1 com um gol antológico do jogador, que partiu com a bola dominada antes do meio de campo e driblou seis marcadores antes de colocar no fundo da rede.

    Esse é Diego Armando Maradona, o fenômeno que eu vi jogar. 

    (Fontes: Sites Uol/Sputinik, Wikipédia).