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Minimalismo, a arte de ser livre e de escolher bem!

A opinião de Pedro Tostes

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Hora de sairmos do campo estritamente matemático, deixarmos um pouquinho de lado as taxas de juros e as comparações entre modalidades de investimentos mais vantajosas…

O texto de hoje retrata mais especificamente um assunto que venho pincelando nos demais textos já publicados aqui no espaço concedido pelo Barbacena Online … abordo sobre a necessidade da racionalização das opções de consumo. Esta racionalização não está condicionada em cortar radicalmente hábitos que lhe dão prazer ou que permitam que você tome cuidados extras com sua beleza, ou ainda, ao abandono por completo das atividades de lazer. Muito pelo contrário!

 Não é de hoje que um conceito extremamente inteligente e útil vem sendo difundido nas sociedades em todo o mundo, trata-se do MINIMALISMO. Alguns podem querer entender como “administração de pobreza” – o que já adianto, é ledo engano! Minimalismo se refere à conscientização sobre ter aquilo que é necessário, abrindo mão do excesso de supérfluos e concentrando mais empenho em adquirir experiências e ensinamentos.

Sabe aquele velho hábito de ficar guardando objetos permanentemente ou comprando produtos pensando que “um dia” vai precisar utilizá-los … ter roupas no armário que você não veste mais (isso quando não tem determinadas peças novinhas há tempos, sem nunca as ter colocado no corpo!) … ou fazer enormes compras em supermercados e lojas apanhando tudo o que precisa (e o que não precisa) justificando diversas vezes que “ah, estava em promoção, quis aproveitar!” … e diante disso, esta, entre outras inúmeras práticas consumistas são as mesmas que, de pouquinho em pouquinho, causam enormes rombos em seu orçamento!

Só por aqui, podemos perceber duas motivações para uma grande faxina no nosso “estoque de inutilidades”:

  1. Se você está endividado, uma alternativa é fazer pechincha, vendendo todos esses pertences que nada estão acrescentando em sua vida e, utilizando os recursos adquiridos para quitar seus compromissos atrasados (ou ao menos, parte deles), vem a ser uma excelente saída (há várias e várias pessoas que, antes mesmo de reverem de quais bens podem se desfazer, já saem apelando para o cheque especial, os empréstimos pessoais e acabam por se atolar em mais e mais dívidas – fique esperto com isso, hein?!);
  2. Caso você não possua dívidas, surge uma belíssima oportunidade para ver seu desapego transformado em boa ação – faça doações: instituições de caridade e pessoas em condições deploráveis estão ansiosas para receberem seu gesto de amor!

Por falar em desapego, uma interessante manchete da BBC News Brasil veiculada no dia 09 de setembro de 2017 (publicada no site oficial da instituição) trouxe uma abordagem muito interessante sobre o tema:

‘O PRAZER DO DESAPEGO’: MINIMALISTAS DEFENDEM QUE TER MENOS COISAS CRIA MAIS LIBERDADE.

Pare, leia novamente esta manchete acima e pense: qual é o meu nível de escravização com relação aos objetos, pertences, atividades e/ou práticas que sugam minhas energias, roubam o meu tempo e ainda por cima, não me permitem crescer profissionalmente, intelectualmente e o pior, tiram de mim qualquer esperança de realização de sonhos (ou novos sonhos) tendo assim, uma vida mais feliz?!

Já parou para raciocinar o quão limitado(a) você se torna porque existe uma sociedade consumista ditando padrões para que você se sinta “realizado(a)”? É a velha conhecida sensação (e que parece nunca passar!) sobre aquilo que você já possui nunca se torna suficiente, nunca “mata sua sede” e gera sempre um cansaço e sofrimento excessivos (como numa corrida que nunca acaba) para possuir a qualidade X de bens, na quantidade Y e tendo gastos Z para formar a “equação de uma pessoa devidamente inserida e atualizada às modernidades”… (um caminho sem dúvida árduo e como disse, “escravizante”!).

Quer um exemplo prático de hábito pernicioso que retém grande parte do seu tempo e muitas vezes, você não percebe?! Redes sociais. Mas o que as redes sociais têm a ver com minimalismo? Basicamente, existe uma grande tendência entre as pessoas de nivelarem suas respectivas “felicidades/conquistas” pelas constantes propagações que outros familiares, amigos e colegas fazem das deles na internet. Em quantas e quantas oportunidades você já não deve ter se sentido “um nada” por assistir verdadeiros desfiles de ostentação, prestígio e conquistas materiais pelas publicações que visualiza?! É como se até os seus próprios desejos e sonhos fossem diminuídos pelo brilho demonstrado nas postagens das pessoas que você segue.

Hei, não estou aqui querendo criar um boicote as redes sociais, pois elas desempenham papel importantíssimo na vida de muitos, quer seja de cunho profissional e/ou pessoal. Mas passar menos tempo conectado(a) liberta você para descobrir novos prazeres, intimamente ligados a um aprofundamento com sua própria essência, ou seja, a uma reconexão com tudo aquilo que transmite a você a ideia de vida próspera, saudável e rica (de paz e tranquilidade)!

Viver mais a realidade, exatamente aquela que te faz levantar da cama todos os dias para trabalhar e/ou estudar, que te move a levar mais conforto para você e sua família, mas não um conforto ditado por um parâmetro consumista, e sim pelos seus próprios parâmetros, por aquilo que você entende ser necessário para uma vida mais contente e harmoniosa!

Fatores essenciais a uma mudança para os bons hábitos já devem estar começando a clarear neste momento… mas observe esta outra pergunta astuta só pra ajudar nesse processo de mentalização: quais têm sido as maiores reclamações que as pessoas utilizam para justificarem a impossibilidade de mudar de vida?! Acho que eu nem precisaria responder, mas … vamos lá: TEMPO e DINHEIRO.

A sabedoria da minha avó (diga-se de passagem, aquela gostosura de pessoa), sempre me ensinou uma coisa extraordinária: “Tempo é questão de preferência.” E se você não está tendo TEMPO para colocar sua vida em ordem, muito cuidado: pois dificilmente você terá condições de perceber para onde o seu DINHEIRO escoa todos os dias, deixando você cada vez maaaaaais distante de tudo aquilo que espera conquistar no futuro (e esse futuro, dessa forma que hoje as coisas estão caminhando … pode ser que nem chegue, porque o ciclo de desorganização só aumenta!).

Uma das minhas maiores paixões é poder viajar (e aposto que é também a de muitos aqui …). Geralmente, gastamos um tanto de dinheiro a mais nelas, mas com o correto planejamento… é claro que elas podem sair!

Aqui é que surgem algumas indagações que podem doer na carne … do tipo: “se eu não tivesse feito aquele monte de prestaçãozinha” … “se eu não tivesse feito aquele financiamento gigantesco para eu ter meu carro novo (sendo que o antigo, com as devidas manutenções, atendia direitinho)” … “se eu tivesse trocado aquele programa de fim de semana mais caro (baladas, idas ao shopping center, etc.)” … ENFIM, eu conseguiria realizar a minha viagem tão desejada e teria acumulado mais experiências de vida!”

 

                                                       Imagem: Minimus Life

Não citei minha avozinha à toa, sabe qual a razão?! Porque após ficarmos velhinhos, são justamente as mais diversas experiências que pudemos desfrutar ao longo do tempo que ficam como bagagem e patrimônio de uma história de vida afortunada (e eu amo ouvir as histórias que ela e meu avô contam, repito todas elas para os meus amigos com constância, porque sinto a autenticidade das alegrias que os dois abordam em seus depoimentos – ligadas às boas lembranças vividas, muito além de qualquer bem conquistado)!

\Se me permite um pequeno conselho… antes de sair tentando se arriscar no mercado financeiro comprando ações, adquirindo títulos e fundos imobiliários ou qualquer outra modalidade de investimento … procure INVESTIR:

  • Na boa utilização do seu tempo para fazer um “detox” dos hábitos de vida que te aprisionam e que te impedem de alavancar conquistas que sejam realmente necessárias ao seu bem-estar! “Quer um carro novo?” Não há o menor problema, desde que você não se desgaste absurdamente para tê-lo (fazendo dele mero objeto de contemplação na garagem, sem poder dar uma voltinha sequer…) / “Quer adquirir/construir uma casa nova?” Vá adiante, mas veja se o esforço empreendido neste imóvel não será motivo de angústia e a renúncia a tudo que te faça bem, deixando você numa frustração contínua por não ter um “dindim” sequer para tomar um simples sorvete na praça (nessas horas, alugar um imóvel, pode se tornar uma atitude diversas vezes mais inteligente do ponto de vista financeiro e de saúde física e mental, tô falando sério!)
  • Em estabelecer contatos sociais mais próximos, permitindo conversas mais ricas, duradouras e sensíveis aos interlocutores… é fazer dos três elementos da moda cibernética “CURTIR, COMENTAR e COMPARTILHAR” ações reais, perceptíveis em sua plenitude. Quem aqui não gosta de falar para o seu ouvinte e nele perceber a atenção sendo dada?! Já notou que muitas vezes falamos com alguém, mas este(a) emite apenas alguns “ahm”, “aham”, “hummm”, “sei”, etc. … porque estava com os olhos fixos no celular (e vice-versa?!) Ou seja, nada mais que uma “obrigação cumprida”, só pra não deixar a pessoa no vácuo. (Triste!). Um ponto fundamental na boa e atenta conversa: oportunidades surgem, ideias são clareadas … talvez sua próxima escolha profissional e/ou sua motivação para estudar algo que lhe atraia possa(m) vir através dessa simples, mas eficiente atitude! Pessoas minimalistas possuem maior interação social efetiva e estão mais preparadas para conviverem, inclusive, em cenários de crise econômica, pois sabem empregar os esforços e os recursos certos, nas quantidades adequadas, não se sentindo tão desconfortáveis e oprimidas, mas tendo a inteligência de driblarem as dificuldades com criatividade!

 

Tudo isso significa SABER ESCOLHER MELHOR, o que é completamente distinto de “empobrecer suas opções”, até porque … a riqueza é um conceito muito pessoal, cada ser humano pode atribuir o valor que bem entender a ela. Não há mal em querer ter roupas de determinada marca, dirigir tal carro, ter a casa de sei lá quantos m2o mal está em querer viver uma vida sustentada por valores (financeiros e pessoais) que você não está preparado para administrá-los!

Pois então, INVISTA primeiro no seu autoconhecimento, porque uma vez dotado(a) dessa poderosa ferramenta de enriquecimento pessoal, as escolhas de aplicações de recursos financeiros ganharão metas definidas, com alicerces firmes naquilo que traduz sentimento de verdadeira realização para sua vida = EMPREENDA SEUS ESFORÇOS EM TUDO QUE EDIFICA SUA PRÓPRIA E INTRANSFERÍVEL LIBERDADE !!!

Sempre aberto ao debate porque ele nos faz crescer! E até a próxima!

 

NOTA DA REDAÇÃO – Pedro Tostes Ribeiro é servidor público municipal de Barbacena; formado em Administração pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais – campus Barbacena; e pós-graduando em Gestão Pública Municipal pela Universidade Federal de São João del-Rei.

 

Contato: [email protected]

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