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    Barbacena, MG Previsão completa
  • Maternidade x pandemia

    Por Valeska Magierek

    Talvez a maternidade seja o maior exemplo de doação, abnegação e amor que temos enquanto sociedade organizada. O amor real de uma mãe para com seu filho ultrapassa qualquer forma de entendimento.

    Mas não podemos e nem devemos nos iludir. A maternidade é dura porque exige transformação e é cansativa porque exige dedicação total.

    É claro que permite a nós mulheres vivenciar o amor mais puro que existe, mas nem por isso deixa de ter seus percalços.

    Há muito mais batalhas do que glamour no cotidiano das mães.

    Exemplo disso é a maternidade em tempo de pandemia. Todas estamos precisando, ainda mais, nos desdobrar para também dar conta daquilo que antes não nos cabia na sua totalidade.

    É óbvio que acompanhar a evolução de nossos filhos é nosso dever e obrigação! Mas estamos diante de uma jornada que já ultrapassou, em muitas casas, a condição do possível e até mesmo do tolerável.

    Temos mães cansadas, estressadas e adoecidas. Uma situação preocupante, haja vista ser a mãe aquela que é o porto seguro das famílias em geral.

    Impacto da pandemia na maternidade

    Acredito que estando ou não dentro de uma pandemia precisamos encontrar formas de auxiliar as mães a sobreviverem. Embora tenhamos evoluído em termos de sociedade ainda vivenciamos um modelo no qual cabe à mãe todos os cuidados com seus filhos. E isso é humanamente impossível haja vista que as mulheres também passaram a ser arrimos de família, a trabalhar fora e a contribuir financeiramente em casa. Passaram também a se qualificar profissionalmente, um direito de todos.

    Mas acumular tarefas não a faz uma heroína. Ao contrário. Mostra o quão falido está nosso sistema no que se refere à distribuição de tarefas e atribuição dos papeis sociais.

    Temos direito a ser cidadãs, a ter um trabalho digno, a nos qualificar.

     

    Como as mães podem mudar essa condição de sobrecarga?

    Atribuir tarefas e não querer ser uma heroína são dois passos fundamentais, importantes e necessários. Em uma casa devemos estabelecer os papeis de cada um e exercitar o companheirismo. Tanto cônjuges quanto os próprios filhos podem e devem ajudar na manutenção da casa onde todos vivem.

    E esta mudança de paradigma e comportamento precisa ser adotada desde o início para que se torne um hábito dentro de nossas casas. Precisamos permitir e favorecer que nossos filhos compreendam a necessidade desta mudança.

    Não temos mais lugar para servidão absoluta. Precisamos nos atualizar, dividir tarefas e garantir qualidade de vida para todos da família.

    NOTA DA REDAÇÃO – Valeska Magierek Formada em Psicologia pela UFSJ, com especialização em Neuropsicologia pela FUMEC e mestrado em Psicobiologia na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP); atua há mais de 20 anos na área de Psicologia Infantil e Neuropsicologia. Atualmente trabalha como Neuropsicóloga no Centro AMA de Desenvolvimento em Barbacena.