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Maré vermelha: da saúde dos oceanos à nossa

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Por Júlia Gonçalves, membro do Centro de Estudos em Ecologia Urbana do IF Sudeste, Campus Barbacena, graduanda em Ciências Biológicas, sob orientação do Prof. Delton Mendes

 

Os seres vivos, na Terra, interagem entre si, formando uma teia de relações profundas e complexas. Dentre as mais diversas relações ecológicas existentes, podemos citar o amensalismo, que ocorre quando uma espécie é prejudicada por outra, inclusive com casos de liberação de substâncias tóxicas por animais, plantas e fungos. Um exemplo disso é a Maré Vermelha, um fenômeno mundialmente conhecido provocado por microalgas de cor avermelhada e que acarreta desequilíbrios ambientais muito graves. 

Segundo o Instituto Costa Brasilis “as microalgas são um dos componentes do plâncton (…) sendo na sua maioria microscópicas, podendo chegar a alguns centímetros (…) e fazem parte da parcela do plâncton […] que realiza fotossíntese, assim como as plantas terrestres. Porém as microalgas não são vegetais, são em geral protistas e bactérias, podem ser unicelulares e até formar colônias. Elas são a principal base da cadeia alimentar marinha.”

A Maré Vermelha é provocada pela proliferação demasiada desses organismos, algo também conhecido como floração, e acaba liberando algumas substâncias tóxicas no ambiente. Como o próprio nome sugere, a floração confere à água manchas que podem variar entre tons que vão do vermelho ao marrom, dependendo de sua concentração. As substâncias produzidas por essas microalgas, em quantidade acima do aceitável, inibem o crescimento e reprodução de diversos organismos de água salgada, o que, sem dúvida, provoca desequilíbrio ecossistêmico. 

A maior concentração dessas microalgas aumenta o consumo de oxigênio nas águas marinhas, prejudicando diretamente outras espécies de seres vivos que dependem do oxigênio. As próprias algas verdes, tão importantes para a vida na Terra, diminuem suas taxas fotossintéticas (produção de energia a partir da luz do Sol) por conta desse fenômeno, o que acarreta danos ecológicos não apenas ao ambiente marinho, mas também à biosfera, em geral. O aumento dessas microalgas é o que causa a Maré vermelha e diversos fatores contribuem para isso: alterações na temperatura e pH da água e, ate mesmo, a poluição humana, já que essa eleva a concentração de matéria orgânica proveniente de esgotos domésticos e do excesso de fertilizantes da agricultura, aspectos favoráveis às microalgas em questão.

Esse contexto nos leva a refletir, mais uma vez, sobre como as atitudes humanas prejudicam não apenas os ambientes terrestres, mas também os marinhos. Conservar os oceanos não significa apenas proteger espécies de animais, como peixes e baleias, mas, também, microorganismos, como as algas, sem as quais não teríamos a atual concentração de oxigênio na atmosfera. Estamos tendo vários avisos, nas últimas décadas, de que nossa biodiversidade está entrando em colapso, mas, infelizmente, ainda continuamos a devastá-la. Até quando nós praticaremos culturas prejudiciais à vida na Terra, inclusive a nossa?Vale a pena ainda destacar a triste realidade da ciência no Brasil, que tem sofrido severos e inconseqüentes ataques do atual Governo Federal, o que afasta, muito, nosso país dos rumos mundiais de conservação e preservação da natureza. 

Apoio divulgação de ciência: Samara Autopeças

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