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Ligações entre Adidas e Puma com o Nazismo e a FIFA

Hélcio Ribeiro Campos

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Muitas marcas esportivas estão, hoje, no nosso cotidiano. Elas aparecem estampadas em personalidades (não só do mundo desportivo) por toda a Terra. Contudo, esta aparência inocente, casual e (talvez) despolitizada de seus usos não corresponde ao modo como elas ganharam força.

A multinacional alemã Adidas é um desses exemplos. A empresa surgiu na cidade de Herzogenaurach, região centro-sul germânica, na Bavária. Nessa mesma cidade também está a sede da Puma, outra multinacional dos materiais esportivos. Isso não é mera coincidência: são empresas que nasceram de uma mesma família, a Dassler, sob o nome de Dassler Brothers Sports Shoe Company.

 

A marca Dassler (ainda unida).

Fonte: Puma – história. In: https://about.puma.com/de-de/this-is-puma/history

 

Como o nome indica, seus proprietários eram irmãos: Adolf e Rudolf. A marca estourou em vendas após as Olimpíadas de Berlim (1933), pois estava nos pés do estadunidense Jesse Owens, o grande nome daqueles jogos, o vitorioso homem negro que, obviamente, irritou Hitler ao conquistar 4 medalhas de ouro.

Apesar da estratégia de patrocinar Jesse Owens, os irmãos Dassler eram membros do Partido Nazista. Por isso mesmo foram fornecedores de botas para o exército nazista. Nascia aí uma parceria que em muito fez crescer as futuras Adidas e Puma que, antes, eram uma única empresa, a Dassler.

 

O desentendimento entre os irmãos Dassler veio no decorrer da II Guerra, impulsionado por uma rivalidade entre suas esposas.

Com isso, em 1948 houve a separação da empresa. Adolf criou a Adidas, nome vindo da junção de seu apelido (Adi) com o sobrenome Dassler. Já Rudolf, criou a Ruda a partir das iniciais de seu nome e sobrenome. Mais tarde, trocou a denominação da empresa para Puma, por acreditar que esse nome soava mais desportivo.

 

Os rivais irmãos Dassler: criadores da Puma e da Adidas.

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=DDwmhs-SvTk

 

 

A FIFA e os negócios com o herdeiro da Adidas

O brasileiro João Havelange chegou ao poder na FIFA em 1974 (após vencer o inglês Stanley Rous, que a presidira de 1961 a 1974). Para isso, contou com Pelé como seu garoto-propaganda e com os votos da África.

Nessa época, o mundo passava a ficar cada vez mais globalizado: as TVs transmitiam as Copas ao vivo e a cores; jogadores tornavam-se estrelas internacionais; a mídia explodia em vendas. Enfim, o futebol passava a ser um grande negócio.

 

De olho nisso, Havelange ampliou o número de seleções participantes nos mundiais para 24 e, depois, para 32. A estratégia era a base para mais lucros e votos que o reconduziram várias vezes ao poder. Não por acaso, a FIFA supera a ONU em número de países-membros.

A própria FIFA virou algo interessante para investimentos e, assim, gigantes multinacionais passariam a patrociná-la juntamente com os torneios que organizava, “numa expansão formidável que incluiu as Copas do Mundo de futebol feminino e das categorias de base, degraus necessários para invadir os cinco continentes e ter a Copa do Mundo das seleções principais como a cereja do bolo, ou o diamante dos diamantes”, assevera Juca Kfouri.

E quem gerenciava isso? A empresa de marketing esportivo ISL, de propriedade de Horst Dassler, filho de Adolf e herdeiro da Adidas, contratada para as transmissões pela televisão, o maior filão dos lucros da FIFA. A ISL também era detentora dos direitos de transmissão das Olimpíadas. “Mas em 2001, por […] fraudes e corrupção desenfreada, a ISL faliu e passou a ser objeto de investigação da Justiça suíça […]. É nesse ponto que começa a derrocada de Havelange e seus parceiros”, diz Kfouri. O rombo na ISL girava em torno de 300 milhões de dólares.

 

Horst Dassler, herdeiro da Adidas e aliado de João Havelange.

Fonte: https://alchetron.com/Horst-Dassler

 

A suspeita era que Havelange teria beneficiado Horst Dassler nos contratos estabelecidos com a FIFA que, em troca, ajudava a manter o brasileiro no comando da entidade maior do futebol mundial por meio de subornos aos chefes de confederações em vários países. João Havelange presidiu a FIFA até 1998.

 

De Hitler a Havelange, a história da Dassler, da Adidas, da Puma e da ISL mostram ligações muito perigosas, nas quais os negócios foram maiores que a ética.

 

Hélcio Ribeiro Campos

NOTA DA REDAÇÃO: Helcio Ribeiro Campos é autor de publicações sobre Futebol e Geografia; mestre e doutor em Geografia Humana pela USP; editor da Revista Pluritas; professor do IF Barbacena

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