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Lembra daquela?

A crônica de Francisco Santana

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“Onde quer que se encontrem duas ou três pessoas reunidas em meu nome, eu com elas estarei. (S. MATEUS, 18:20)”. Essa é uma passagem Cristã que com certeza define a reunião de pessoas que estão com o pensamento elevado em Jesus seja qual for sua crença. Gosto muito desse texto. Por que, Santana? Porque é saudável demais se encontrar com amigos e todos, ex-alunos do Colégio Estadual Professor Soares Ferreira. Os encontros são maravilhosos e divertidos. Cada ex-aluno se atropela na ânsia de contar o seu caso. A expressão que mais se ouve é: “Você se lembra daquela?” São histórias verídicas que jamais sairão da nossa mente. Elas estão arquivadas na mente e no coração de cada um. Vamos a alguns casos, os mais comuns publicáveis.  

Você se lembra do professor Tiquinca? Aquele que adorava mandar as meninas, preferencialmente de saia, apagarem o quadro negro só para ver as pernas delas? E daquela famosa frase dita por ele centena de vezes e que ninguém nunca deu valor a ela? “O ê do verbo fechar é sempre fechado”. E a gente continua pronunciando féchar. 

E da frase do professor Estrada? “Meninos! Coloquem as mãos sobre a carteira onde eu possa vê-las!”.

E daquele baliza que bebeu tanto antes do desfile de Sete de Setembro que não aguentou ficar de pé e segurar a baliza?  Ele foi levado para casa pelo Professor Delmo, que o excomungou o dia todo.

E daquela colega, a Maria, ao ser perguntada: “Quem Proclamou a República do Brasil?”. Ela não se lembrava, estressou-se, enervou-se e disse ao professor Vitor: “Eu não consigo me lembrar do nome, me deu um branco!”.  E o professor: “Por falar em branco, me responda: qual era a cor do cavalo branco de Napoleão?”. Ela se sentiu humilhada, saiu da sala chorando, amparada por vários colegas. Esse caso repercutiu no Colégio porque o professor era um renomado advogado e o pai da colega era Juiz de Direito. 

Lembra do Luiz Cutia? Qual? Aquele que cortou propositalmente o dedo com uma lâmina e pediu ao professor Ítalo para ir ao banheiro se lavar! Como demorou a retornar o professor foi ver o que estava acontecendo. Lá, ele deparou com o Luiz assentado no vaso sanitário com um livro de geografia aberto, escrevendo nas mãos e braços as localizações dos países europeus, questão da prova.  Realmente essa foi demais. 

E daquele cachorro que foi atropelado na rua e alguns alunos o levaram para a sala de Biologia para o Professor Doutor Amim cuidar dele? Quanta correria na busca de remédio, seringa, agulha, gaze e outros. O cachorro saiu da cirurgia mancando, latindo e mordendo nos curiosos. O Dr. Amim passou a ser o nosso herói, protetor dos animais.

E daquela colega que morava próxima ao jardim do globo, lembram dela? Aquela que faltou a aula porque a tia morrera e estava sendo velada na sua residência? A nossa turma, mal intencionada pediu ao professor liberação para que pudéssemos ir ao velório. De 25 colegas lá estavam apenas dez, os demais foram para casa. Eu me assentei numa cadeira longe da defunta. Percebi procedimentos estranhos em duas senhoras.  Elas usavam sapatos, meias, saias, blusas tudo preto e cobriam o rosto com um véu, também preto. Ao aproximarem do caixão, levantavam, olhavam para o cadáver, colocavam as mãos no rosto e choravam copiosamente e desmaiavam. Sempre eram colocadas num sofá, eram abanadas e ganhavam um copo de água com açúcar. A cena se repetia com a chegada de alguém bem vestido. Só depois, no colégio descobrimos que elas são chamadas de “carpideiras” (mulher mercenária que acompanhava os funerais pranteando os mortos. Mulher que vive a lamentar-se, a lamuriar-se; choramingas). Interessante é que a sobrinha da defunta não as conhecia. 

Vocês se lembram que nos fundos do Colégio Estadual tinha uma zona? A gente ficava na espreita para saber quem entrava e quem saía.  Alguns colegas sacanas diziam: “Fulano você sabe quem acabou de entrar na Casa da Tia? Não! Quem? Seu pai!”. E assim era com irmão, irmã, mãe, tio, tia e tudo que pudesse ver o outro nervoso.  Vi muitas brigas acontecerem, principalmente quando se falava em “mãe”. É como diziam: “Mãe é mãe”.  

E daqueles colegas que mastigavam papel, faziam bolinhas e as arremessavam no teto? No final da aula o teto estava cheio delas. Uma vez o Alceu inovou, lembra Goretti? Ele fez uma bolona, colocou nela um elástico e prendeu um papel escrito: “Oi!” dos dois lados e jogou no teto. Foi um show a gente observar o “Oi” cumprimentando todos da sala. 

E daquele bando de tarados que colocava um espelho no sapato só para ver as calcinhas das meninas!

A melhor de todas foi aquela do Téo, que foi para aula chapado e se recusou a dissertar sobre o tema “Se”. De tanta cobrança ele escreveu: “Se eu fosse urubu cagaria na cabeça do professor Nogueira”. Ainda bem que escondemos a redação.

E daquele aluno que perguntou em voz alta ao professor de francês, Garcia: “Professor ontem fui traduzir um texto e não encontrei no meu dicionário a palavra ALINE?”. A pergunta foi tão descabida e absurda que não conseguimos rir dele. Eu me lembro do nome dele: Francisco de Santana.

Lembra do Zé Carlos? Não! Aquele italiano grandão, forte que morava em Campolide e que depois se mudou para Sá Fortes! Ele ficou famoso por quebrar os braços do Luiz Carlos Campos e do Capixaba num único jogo de futebol no torneio interno do Colégio Estadual.  

E daquele que fez uma bela redação sobre a cidade de Brasília e no final estragou tudo ao dizer que foram os “camundongos” que construíram a nossa capital. 

Por hoje chega. Recordar é viver e a gente se renova a cada encontro. O Colégio Estadual foi uma família, uma grande família onde rimos juntos, vibramos juntos e choramos unidos.  

 

Francisco de Santana

3 Comentários
  1. Jorge Victor Diz

    Santana que viagem no tempo lendo sua postagem. Essa do Alceu então foi impagável. Me lembro perfeitamente deste dia (aliás foi a tarde) um papel pendurado no teto da sala com um cumprimento. Temos muitas outras . Continue a nos brindar com seus comentários.
    Um abraço.

  2. Jair de Souza Filho Diz

    Valeu, Santana. Gostei das lembranças hilárias do período. Continue… Suas crônicas são deliciosas de ler.
    Abraço.

  3. Maria do Carmo P Aquino Diz

    Que saudades do colégio estadual estudei lá tbm , não na época que vc ,acredito que bem mais tarde mas vivi bons momentos lá tbm , momentos estes que deixaram saudades

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