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Inflação, a polêmica “Vilã Nacional” …

A opinião de Pedro Tostes

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Os anos passam, os governos mudam e as promessas de campanha são sempre as mesmas: “ Vamos combater a inflação! ”. Só que ninguém conta a você como isso será feito …

Mas de onde ela vem? Como vive? Do que se alimenta? Não, não estamos em uma matéria do Globo Repórter. Mas se fôssemos responder numa tacada só poderiam sair respostas do tipo: Vem de Brasília, vive me perturbando e se alimenta do meu salário! (E olha, a resposta não estaria distante de estar correta …)

No entanto, se ficarmos presos somente aos “conceitos” acima existirá sempre a tendência ao engessamento de pensamentos, contribuindo para mais problemas, frustrações e quase zero soluções para a sua vida prática!

Peço licença a partir de agora para compartilhar minha 10ª publicação aqui no Jornal Barbacena Online, fruto de muita dedicação e por acreditar que a educação financeira no Brasil precisa de atenção especial por parte dos nossos governantes, mas não só deles, de todos os cidadãos, afinal de contas, as boas ações individuais movem as boas ações coletivas, e no meu modo de entender, justiça social se faz, dentre outros fatores, com acesso ao conhecimento.

Este texto, de tão amplo que é, será dividido em duas partes: a primeira (esta que segue nos parágrafos abaixo) dedicada a uma análise mais conceitual, abordando os diversos aspectos que fazem parte de sua formação; já a segunda, será elaborada de forma mais instrutiva, sobre as estratégias a serem adotadas para driblarmos os efeitos prejudiciais que ela nos causa (aguardem, logo estaremos juntos nessa missão!).

Em primeira mão, acredito ser pertinente definir o termo e contextualizar historicamente brevemente o que representa a inflação. Em poucas palavras, pode-se dizer o seguinte:

*** Inflação é o aumento contínuo e generalizado dos preços de bens e serviços, ocasionando a perda de poder de compra da moeda. A variação da inflação é dada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), feito pelo IBGE. ***

Ou seja, para identificarmos variação inflacionária devemos perceber que diversos bens e/ou serviços estão sofrendo aumentos constantes e por isso, tal variação afeta de forma abrangente o seu poder de compra.

De forma ilustrativa, vamos imaginar a seguinte situação hipotética:

– Em um determinado país, a inflação mensal foi calculada em 10 % ao mês;

– Em janeiro, um consumidor comprou um pacote de batatas por $ 10,00;

= logo, com este índice de inflação, o preço desse mesmo pacote de batatas custará $ 11,00 em fevereiro.

Só que como todos nós sabemos, os salários pagos aos trabalhadores não são reajustados mensalmente, fazendo com que, ao longo do ano, o poder de compra do dinheiro seja afetado progressivamente. Aproveitando o exemplo dado, se aquele índice inflacionário se mantivesse, o preço final do pacote de batatas após 12 meses seria de $ 31,38 (ou 313,80% de aumento)! (Lembrando que seu salário não teve aumento algum durante este período …).

Obviamente, este exemplo tem a intenção única de demonstrar como a inflação atua sobre a economia, pois os dados citados não apresentam a nossa atual realidade (ainda bem, né?!). Mas já foi em outros tempos a rotina dos brasileiros (as pessoas mais velhas sabem bem disso …).

Como disse, a contextualização da história brasileira pode nos revelar informações preciosas, inclusive sobre nossas decisões cotidianas. Antes da criação do Plano Real, o Brasil estava imerso em índices inflacionários estratosféricos, que ocasionavam as alterações de preços de diversos produtos nas prateleiras dos mercados de um dia para o outro (isso quando as alterações não eram feitas no mesmo dia!), a exemplo de 1993, onde tivemos uma variação de inflação para o ano anterior da ordem de singelos “2.477,15%”.

Após a criação do Plano Real, a variação da inflação começou a diminuir gradativamente, o que contribuiu para que pudéssemos ter maior previsibilidade dentro dos nossos orçamentos domésticos (no entanto, essas variações ainda corroem para inúmeras famílias muitos desejos de uma vida mais próspera …).

Voltando ao foco do texto, vamos passar para as causas da inflação. De forma resumida, destacam-se dois três principais fatores:

  • “Demanda x Oferta”: quando a demanda por bens e/ou serviços é maior do que a oferta, ou seja, quanto mais há o desejo pela compra, mais cara ela passa a ser, porque mais pessoas estarão “disputando” as disponibilidades que há no mercado;
  • “Reajustes de preços de insumos básicos”: água e energia elétrica, por exemplo e reajustamento de contratos por indexação, ou seja, por “índice” (ex: IGP-M = Índice Geral de Preços, caso dos preços dos aluguéis);
  • Aumento dos custos de produção: matéria-prima, mão-de-obra, máquinas, etc.;
  • Gastos públicos maiores do que a arrecadação: para cobrir seus gastos, o Governo imprime mais moeda, gerando maior circulação de dinheiro no mercado, sem, contudo, aumentar a riqueza ou a produção, o que exige maior quantidade de dinheiro para comprar a mesma quantidade de bens.

 

É importante destacar também como é feito o cálculo desse índice: para traçar a variação da inflação (IPCA) de determinado período, o IBGE avalia o comportamento de consumo de famílias com rendimentos entre 1 a 40 salários mínimos, realizando a média ponderada entre os elementos que constituem a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) – “cesta familiar” –, sendo a última pesquisa realizada em 2008/2009 (utilizada até hoje), adotando critérios baseados em “pesos” para cada produto e/ou serviço consumido(s) por essas famílias.

                                           Fonte da imagem: Tribuna da Internet

Por exemplo, há elementos que alteram mais significativamente o cálculo: a gasolina, de maneira geral, tem maior consumo de recursos e maior impacto num orçamento de uma família do que um produto cosmético e, por esse motivo, o primeiro elemento influenciará mais diretamente uma subida ou descida da variação da inflação.

VALE OBSERVAR! Note pelo quadro ilustrativo abaixo como diferentes elementos podem trazer impactos distintos para diferentes famílias, pois outro aspecto que devemos considerar é que a variação da inflação impacta de forma global na economia, mas também de forma individual, conforme cada família disponha seus gastos.

                                                 Fonte da imagem: Banco Central

De forma ampla, a inflação causa diversas incertezas na economia, o que provoca o desestímulo aos investimentos, prejudicando o desenvolvimento econômico. A subida do índice de forma generalizada leva a precificações distorcidas (carestia), fazendo que tanto os consumidores quanto as firmas percam a noção dos preços economicamente “praticáveis”.

Além disso, há um notável prejuízo às camadas sociais mais inferiores, logicamente por possuírem menos condições de driblarem os efeitos corrosivos de seus já fragilizados salários.

Em perspectiva nacional, a inflação em alta ocasiona o aumento do custo da dívida pública, pois o Governo Central é pressionado a aumentar as taxas básicas de juros da economia – SELIC, para controlar a demanda e compensar as incertezas diante de empréstimos e investimentos.

Pode ocorrer também uma problemática ainda mais alarmante, a chamada estagflação, que nada mais é do que a combinação de inflação alta com recessão, que está ligada a uma forte alta de preços de componentes fundamentais da economia no curto e médio prazos, como energia elétrica, transportes e alimentação.

Então, como controlar a inflação?

São três as principais ferramentas que podem reduzir índices inflacionários em alta:

  1. Aumento da taxa de juros: subir a SELIC é um mecanismo que atua para desestimular o consumo, uma vez que a taxa de juros para adquirir os produtos se eleva, levando muitos consumidores a adiarem suas compras (“reduzindo a demanda”), levando à queda dos preços. Porém, a subida da SELIC dá asas do desestímulo aos investimentos por parte das empresas, uma vez que os custos para se produzir acabam por serem elevados conjuntamente, fora que adquirir empréstimos para financiar a compra de maquinários se tornam mais custosos também;
  2. Redução dos gastos do governo: de forma que os custos governamentais com políticas públicas não superem os volumes de arrecadação, eliminando também a necessidade de impressão de papel-moeda para custear seus gastos;
  3. Investir na capacidade produtiva (mais trabalhoso, porém mais eficiente): o raciocínio é simples – “maior produção, maior oferta, produtos mais baratos” – o que impacta fortemente na geração de empregos também, possibilitando que mais consumidores disponham de recursos.

Fonte da imagem: Tribuna da Internet

 

CURIOSIDADE!

Por que a deflação é também indesejável?

Trata-se do caminho inverso da inflação: os preços de produtos e serviços entram em queda dentro de um dado período. Se tal condição permanece por muito tempo, uma recessão pode estar sendo apontada, forçando os produtores a baixarem cada vez mais seus preços diante de pouco consumo sendo realizado, o que traz prejuízos significantes às firmas: demissões começam a ser realizadas e estoques são perdidos.

A deflação conduz a escassez de recursos em circulação (moeda) – as pessoas tendem a gastar menos e a poupar mais esperando que os preços irão aumentar em determinado momento – afetando drasticamente a capacidade de investimentos também, pois não há confiança entre os produtores de que haverá consumidores afim de comprarem seus produtos.

 

Diante de tudo que foi debatido, chega-se à seguinte conclusão: crescimentos econômicos geram aqui e ali, certos índices inflacionários, tendo em vista que “os recursos são limitados, mas as necessidades são infinitas”. Porém é de responsabilidade governamental combater aumentos catastróficos, sem que estes acabem por devastar o poder de compra das famílias, abalando estruturas sociais e a esperança de um país desenvolvido, com melhores condições de vida e de sustentabilidade.

A economia apresenta termos que muitas vezes nos fazem perder o rumo, o que causa espanto e certo desinteresse pelo entendimento dela. Como disse anteriormente, o tema é extremamente amplo e complexo, mas espero ter apontado caminhos para a compreensão.

Contudo, se através dos exemplos práticos conseguirmos estabelecer fácil canal de aprendizado (e digo isso tanto daquilo que escrevo quanto do que recebo de comentários), os temas poderão estar mais próximos da realidade do seu próprio bolso, e por fim, como objetivo maior, melhorar a capacidade de decisão sobre os diversos componentes que envolvem a construção da sua riqueza.

Na próxima publicação falaremos das maneiras mais eficientes para blindar suas finanças desta sempre presente vilã nacional.

Fraterno abraço e até breve!

 

NOTA DA REDAÇÃO – Pedro Tostes Ribeiro é servidor público municipal de Barbacena; formado em Administração pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais – campus Barbacena; e pós-graduando em Gestão Pública Municipal pela Universidade Federal de São João del-Rei.

 

Contato: pedro@tostes.org

1 comentário
  1. Matheus Diz

    Muita gente acha que para combater a inflação basta aumentar o valor do salario mínimo, mas isso so aumentaria a inflação e o desemprego, porém se nao aumentar o salario o poder de compra só vai diminuir, então uma das opções e diminuir drasticamente os impostos, porém com nossos políticos corruptos e incompetentes isso é impossível:(

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