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    Barbacena, MG Previsão completa
  • História de Nossa Terra: Os ingleses e a indústria têxtil barbacenense

    E a primeira fábrica de tecidos de Barbacena passou para as mãos de ingleses que colaboraram com o impulsionamento do desenvolvimento local

    Por José Silvério Ribeiro

     

    A Fiação e Tecelagem Barbacenense, a primeira fábrica de tecidos de Barbacena, passou por dificuldades financeiras exigindo medidas administrativas e de mercado que levaram à sua venda para outro grupo de empreendedores. O setor têxtil nacional foi envolvido num verdadeiro teste de sobrevivência após a 1ª Guerra Mundial e a situação financeira da empresa não comportava mais delongas. O aumento dos juros, a paralisação dos serviços e as dificuldades na compra de algodão deixaram a companhia muito próxima da insolvência.

    A mansão construída pelos ingleses, nos terrenos da empresa, em 1924. Foto: Acervo da Família Ferreira Guimarães.

     

    As dívidas da fábrica, apresentadas no balanço de 1913, giravam em 393:001$246 (Trezentos e Noventa e Três Contos e Mil Duzentos e Quarenta e Seis Réis), não entrando nesta conta valores não escriturados a tempo. A diretoria da empresa obteve um empréstimo de 100:000$000 (Cem Contos de Réis) com o Banco de Crédito Real. Pouco tempo depois, o empréstimo pôde ser amortizado à ordem de 50:000$000 (Cinquenta Contos de Réis) mas restando um saldo devedor de não pequena importância, a ser liquidado com os Henry Roggers Sons & Company, do Rio de Janeiro.

    Em 1921, a Companhia Fiação e Tecelagem Barbacenense foi vendida a um grupo de empreendedores ingleses liderados pelo Sr. Tom Pilkington. Em 1923, edital publicado na imprensa dava conta do aumento do capital social da empresa à ordem de 1.500:000$000 (Mil e Quinhentos Contos de Réis). A situação financeira da companhia estabilizou-se e logo os resultados foram visíveis.

    Em 1922 foram desembarcados na estação ferroviária de Barbacena duzentos novos teares. As obras de expansão do prédio da fábrica foram retomadas e o novo galpão recebeu janelas que logo foram envidraçadas, o clássico prédio da futura Companhia Têxtil Ferreira Guimarães, recentemente demolido.

    O segundo prédio construído pela empresa e inaugurado em 1922. Foto de Wagner Rocha

     

    Em 1924, a Fiação e Tecelagem Barbacenense foi considerada a melhor empresa do ramo têxtil do estado, destacando-se na produção de tecidos de algodão e brim. Por esta época, a empresa iniciou a construção de cinquenta casas para seus funcionários, todas construídas em torno da fábrica, onde estão hoje as atuais ruas Dr. Celso Gomes Filho, Monte Alverne e adjacências. No interior do terreno da fábrica foi construída uma mansão, destinada à residência do diretor da fábrica, Sr. Tom Pilkington, casa esta ainda existente.

    Em 1924 faziam parte da direção da empresa os senhores Miguel Bechara, Donald S. Nelson, F.B Muir e Alfred D. Howell. No escritório da companhia, além de outros funcionários, também trabalhava a Srta. Maria Chein, auxiliar direta do Sr. Tom Pilkington.

    A empresa mantinha organizada três associações em benefício de seus funcionários: a Liga da Fraternidade, destinada a socorrer os operários que adoecessem, a qual dispunha de médicos e fornecia os medicamentos que lhes fossem necessários. O Iris Football Club e uma excelente corporação musical denominada Euterpe Iris. A fábrica passou a contar também em suas instalações com uma bem equipada oficina mecânica e uma grande marcenaria, além de um amplo refeitório que foi construído para o bem-estar dos funcionários.

    No final dos anos 20, a Companhia Fiação e Tecelagem Barbacenense, contando com duzentos teares ativos em sua planta industrial, produzia aproximadamente 200.000 metros de tecidos de algodão e brim por mês, atendendo os mercados consumidos de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

    A Fiação e Tecelagem Barbacenense passou à direção do Sr. Thomas Muir, em partir de 1924 e prosseguiu em atividade até o ano de 1928, quando foi fechada, ocorrendo a demissão de todos os seus funcionários. A reabertura da empresa somente se faria mais tarde, em 1930, quando foi adquirida pela Companhia Têxtil Ferreira Guimarães.

    O antigo escritório da Companha Fiação e Tecelagem Barbacenense. Foto de Januário Basílio.

     

    NOTA DA REDAÇÃO: Silvério Ribeiro é Pesquisador e Escritor; membro da Academia Barbacenense de Letras.

     

    Fontes:

    Jornais:

    Cidade de Barbacena, Edição de 14 de julho de 1919, nº 1507, pág.1. Artigo Intitulado: Companhia Fiação e Tecelagem Barbacenense – Relatório de sua Directoria.

    Cidade de Barbacena, Edição de 13 de outubro de 1921.

    Cidade de Barbacena, Edição de 30 de março de 1924.

    Cidade de Barbacena, Edição de 31 de agosto de 1924.

    Cidade de Barbacena, Edição de 15 de janeiro de 1925.

     

    Livro:

    RIBEIRO, José Silvério. História Econômica do Município de Barbacena. 2012. Editora Cidade de Barbacena, págs. 99 a 135.

     

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