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Grudou, emprenhou!

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A minha essência infantil aflorou ao presenciar um fato até então inusitado ocorrido em frente à minha casa. O escândalo foi tamanho que os vizinhos foram à minha casa para saber o que estava acontecendo. Aos gritos, clamei pela mãe e irmãos: “Mãe! Guiomar! Lica! Nico! Aparecida! Zeca! 

Minha mãe, muito nervosa e preocupada, foi ao meu encontro e perguntou:

– O que está acontecendo! Que gritaria é essa?Alguém bateu em você? Algum bicho lhe mordeu? Pare de chorar e me conte o que aconteceu. Você caiu? Machucou? Se não parar de chorar, vou lhe dar uma surra para você chorar direito!

– Mãe, eu vi lá fora dois cachorros colados pelo rabo. Eles estão tentando correr e o mais forte está carregando o mais fraco. O Tadeu está procurando um cabo de vassoura para bater neles. Coitadinhos! Eles estão com muito medo. O Paulinho está correndo numa direção e o Jeová na outra para obrigá-los a se mexerem para ver se descolam. O Maurício disse que eles só vão desgrudar se jogar água fervendo. 

Minha família riu da história e da minha preocupação com os cachorros. Decepcionei-me com a reação deles. A Anélia disse que não faria nada para descolá-los porque a natureza se incumbiria disso. “Que natureza?” Perguntei. Ao invés de uma resposta satisfatória, ganhei mais risos. As pessoas ao verem a cena mudavam de rumo, principalmente as mulheres, que faziam carinhas de nojo e pareciam dizer: “Credo! Que nojeira!” A Dolores disse: “Cachorrada sem vergonha, não tem um lugar melhor  para vocês fazerem essa bobice?”. Esse questionamento me fez refletir sobre os valores do ser racional e do irracional. O irracional é mais compreensível. Eu tremia, chorava e até rezava pedindo ao São Francisco de Assis para descolarem aqueles cachorros, se possível, agora, urgente.  

Minha aflição aumentou com a chegada do Tadeu trazendo um balde de alumínio enorme cheio de água fervendo que de tão quente, lhe queimou a mão. Bem feito! Ele gritou um FDP tão alto que trouxe força e coragem aos cachorros. Pressentindo a dor ou a morte iminente, eles, num esforço gigantesco, se desvencilharam e a liberdade os fez correrem sem rumo. Que alívio para eles e para mim. Tadeu muito nervoso e não satisfeito com a derrota, correu atrás deles com o balde de água fervendo praguejando: “Vira latas, FDP, se voltarem aqui eu juro que vou queimá-los vivos!”. Depois do ocorrido, eu queria saber o porquê daquilo. Minha mãe prometeu colocar pimenta na minha boca se eu tocasse no assunto. Minhas irmãs corriam de mim. Aquele assunto morreu e se transformou em tabu. Pensei em perguntar às professoras, mas fiquei envergonhado e desisti. Resolvi então procurar a resposta com o meu professor de sacanagem, Eleutério, que me enrolou e não explicou nada. Conclui que ele também não sabia de nada. A dúvida persistiu por longo tempo.  

Depois de muitos anos, ao levar meu cachorro a uma veterinária, sem constrangimento, perguntei o motivo dos cachorros colarem na hora do ato sexual. Ela se assustou com a pergunta e saiu pela tangente. 

Nesta semana, li um artigo muitíssimo interessante focando o assunto em pauta. Ele foi escrito pela Doutora Érica Heleno Electo, proprietária da Clínica Piranga Vet, Piranga/MG.. 

“Não se pode separar esses animais porque o pênis do cachorro tem uma estrutura que se chama bulbo. Durante a cópula ela se incha dentro da cadela e ele não consegue retirar o pênis. Você tem ideia porque isso acontece? É para garantir que a fecundação ocorra com o sêmen daquele cachorro, por permanecer mais tempo lá dentro. Lógico que você já ouviu essa expressão: grudou, emprenhou! Como o bulbo está muito grande, ele não consegue sair, se for forçado pode machucar os dois cachorros, demora um pouco, mas eles vão desgrudar assim que o bulbo reduzir e voltar ao tamanho normal. Agora que você já sabe, não tente separar os cães, hein! Mas para não ver essa cena, CASTRE o seu CÃO e CADELA!”.

Ainda hoje, encontramos seres tidos como humanos jogarem pedras, darem pauladas nos cachorros quando estão copulando ou simplesmente perambulando pelas ruas. É triste constatar esse ato desumano e cruel. 

(Fontes: Youtube Vet Sincera/Internet).

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