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Greve dos Professores, um movimento histórico

A crônica de Leonardo Lisbôa

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Mentira!

 

Isto  mesmo!  Dizer   que  professor   faz  ou  está  em  greve  é  uma  falácia.  Fazer  greve  é  levar  a  produção  ao  caos  para  que  os  donos  dos  meios  de  produção  sintam  o  prejuízo.

 

É  uma  inverdade dizer que  professor  da  rede  estadual  faz  ou  está  em  greve  pela  simples  razão  de  que  na  verdade  ele  apenas  adia  a  sua  tarefa  e  o  seu  fazer   laboral.

 

A  categoria  propõe  a  greve  e  o  primeiro  questionamento  que  se  faz  é   “Quando  faremos  a  reposição  dos  dias   letivos  parados?”.   O   próprio  profissional  levanta  esta   questão.  Todos os segmentos  levantam  esta  voz:  professor,  pedagogos, supervisores  escolares,  pais,  alunos,  família.

 

Deixamos  de  trabalhar  na  semana  letiva  –  segunda-feira  a  sexta-feira –  para trabalhar  o  dia  letivo  aos  sábados  e  nas  férias  escolares.  Isto   é   greve?  NÃO!!!  É  adiamento  letivo.  Gerou  caos  ou  prejuízo?  Não!  Não  em  virtude  de  nossa ausência na escola não  fez  sentido  e  nem foi  sentida.  Apenas  adiamos   nossos  compromissos.  Os  cofres  públicos  até   agradecem   por  pagar  quando  puder   e   quando   entrar   mais   dinheiro   no   caixa.

 

Os  alunos  ficarão  sem  aula?   E   o   vestibular   (quando  existia)?   E   o   ENEM?   E  a carga  horária  destes  alunos?   Este  é   o   espírito   materno   que   rege  a   Educação.   Professor   tornou-se   o    substituto  da   família.  E   nunca   foi   visto  como  um   profissional.

 

Se   antes  ele  era  visto  como  o   missionário,  agora  ele  é   visto   de   outra   forma:   a   família   do   aluno   carente.

 

Em   outubro   vem  aquele  vídeo  que   alguém   sempre   compartilha   em   que   o   repórter  diz   “Cumprimentamos  aos  professores   pela   nobre   missão   de   ensinar”. O   mesmo   sela o  seu   discurso   dizendo:   “O   professor   é   um   sacerdote!”.

 

E  todos   carentes   se   deixam  levar   por   esta   doce   mentira   e   fazem   um   alarido  tremendo  sem   nenhuma   reflexão  e  senso crítico.  Deixam-se  enganar   esquecendo  que  são   profissionais:   Trabalhadores   do   Ensino.   Trabalhadores   da   Educação!  Trabalhador  recebe  salário.  Sacerdote   recebe   missão   porque   exerce   abnegadamente   pelo   seu   ofício.

 

Há   31   anos  eu  participei  de  greve  dos  professores  que  foi  de   maio  a   agosto daquele  ano.  Talvez  a  mais  longa  greve.  Outras   houve:   em 1979   (eu  era   aluno   do   antigo  2º  Grau)   e   outras   tantas  que  caíram  na  banalização  do  movimento   no   transcorrer  de  minha  vida   profissional.

 

E  aí  está  ela  de   novo.

 

Nós    nos  desrespeitamos  porque  apenas  adiamos  nossas  atividades  laborais  e  não  sabemos   provocar  e   demonstrar   a   importância  de   nossas   presenças   profissionais   no   mundo   escolar   para  a   sociedade.

 

 

A  sensação  é  de  frustração,  pois  muda  governo  e a  Politicalha  Partidária  é   a  mesma:  DESRESPEITO  ao  PROFISSIONAL  e  ao   CIDADÃO.

 

 

 

Leonardo Lisbôa

Barbacena, 21/06/2018

Direitos do texto e foto

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Lei do Direito Autoral nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998.

 

 

 

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NOTA DA REDAÇÃO: Leonardo Lisbôa  é professor da rede pública de ensino de Minas Gerais. Fez sua especialização em História na UFJF e seu mestrado em psicopedagogia na Universidade de Havana, Cuba. Publica textos também no sítio www.recantodasletras.com.bronde mantém duas escrivaninhas (Perfis): o primeiro utilizando o próprio nome ‘Leonardo Lisbôa’ e o segundo o de ‘Poesia na Adega’.  Registro no CNPq: http://lattes.cnpq.br/0006521238764228

1 comentário
  1. Geraldo Mineiro Diz

    Solidarizo-me com os professores e servidores escolares em “adiamento letivo”, mostrando a sua insatisfação pelo escalonamento e pelos atrasos em seu pagamento, assim como reivindicando o atendimento aos seus direitos. Destaco a crítica situação dos servidores inativos, muitos já idosos e com gastos em saúde (medicamentos, consultas e exames particulares, já que nem tudo o IPSEMG e o SUS cobrem no devido tempo) e que, no entanto, receberam apenas míseros R$500,00. Seja feita JUSTIÇA aos servidores estaduais ativos e inativos!

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