• 18ºC
    Barbacena, MG Previsão completa
  • Eu queria ser civilizado como os animais

    Por Francisco de Santana

    Cães e gatos sempre ansiavam por melhores dias no que concerne aos maus tratos praticados diariamente pelos seres humanos que descarregam neles suas frustrações, desequilíbrios emocionais e neuroses. As violências são de todo tipo como chutes, queimaduras, abandonos e até zoofilia. Os animais sem teto são os que mais sofrem porque vivem perambulando pela cidade a procura de carinho, respeito, sombra e água fresca. Há os mais espertos que se refugiam no interior de bancos ou em casas abandonadas temendo pelo seu maior predador: o homem. Por clamarem por carinho, ganham violência. Já se tornou uma prática comum cães e gatos serem deixados pelas estradas à mercê da sorte pelos seus donos que já não querem suas companhias. A grande maioria morre atropelada. 

    Estamos no processo das eleições para o legislativo e executivo municipal. Defender a causa dos animais se tornou um grande cabo eleitoral para os candidatos. São promessas vãs, levianas e desprezíveis.   Se fôssemos um povo educado, propagaríamos essa falsidade para nenhum eleitor votar neles. As promessas são eloquentes, porém sem fundamentos e com propósitos eleitoreiros. Vigiemos!  

    No cenário triste da pandemia causada pela Covid-19, que já matou mais de 150 mil cidadãos brasileiros, uma notícia alvissareira apareceu. É como se descobríssemos um oásis no meio de um vasto deserto. Entrou em vigor a Lei 1.095/2019 sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro no dia 29 de setembro que aumenta a pena para quem maltratar ou praticar abusos contra cães e gatos. Se condenado, o desalmado ficará preso de dois a cinco anos, além de pagar multa e ser proibido de ter a guarda de outros bichos. Esse dinheiro arrecadado deveria ser revertido para as instituições legalizadas protetoras dos animais munindo-as de profissionais veterinários, ajudantes, medicamentos, rações, equipamentos para cirurgias e exames. Os governos federal, estadual e municipal deveriam ajudar no combate à violência animal. 

    Seria um Sistema Único de Saúde canino? Se for para ajudar, o nome não importa. O que me preocupa é saber que a corrupção campeia o país e, por isso não posso garantir se o teor da lei vai inibir a ilicitude penal, mas admito que a lei seja um fator positivo. O marco do respeito aos pobres bichos. Que Deus e São Francisco nos encham de fé e esperança. 

    “A lei veio em boa hora para evitar que voltem a ocorrer mutilações de pets. Além de garantir punição severa para o indivíduo que praticar um ato violento contra animais domésticos, ela tem caráter educativo, de desestimular os maus-tratos a animais”, pondera o advogado constitucionalista e criminalista Adib Abdouni.

    “Penso que essa lei não vem apenas proteger o animal, vem também proteger o ser humano da insensibilidade, do descaso, do sentimento de ódio e violência que se projeta com fúria para o corpo de um ser, que é incapaz de reagir contra quem o alimenta, quem outrora até lhe deu carinho, corpo que apenas se encolhe enquanto têm patas amputadas, crânios perfurados pelo salto agulha de sua dona. Seus gritos muitas vezes são ouvidos, mas é apenas um animal. Essa lei não vem apenas proteger o cão e o gato, vem proteger o homem através de uma tentativa de preservar a sua própria humanidade”. Troy Steve (Professor).

    Analistas entendem que a lei é boa e veio num momento em que a violência contra os animais cresce numa proporção gigantesca e assustadora. Para se ter a guarda do animal, o ser humano tem que conhecer suas responsabilidades como alimentação, banhos, tosas, vacinações e etc. Um fator que preocupa os analistas é a fiscalização. Quem serão os responsáveis por administrar os cadastros de abusadores para que não tenham mais animais? Quem são os que já foram condenados? A prática nos dará as respostas precisas nos momentos exatos dos acontecimentos. 

    É fato que a sociedade ansiava e clamava pela iniciativa de inibir e combater a violência contra os animais. Quem assim o faz não tem apelo emocional em sua defesa porque atinge o ápice da maldade.  Os primeiros casos servirão de exemplos para todos que se envolvem com os animais. Dalai Lama já enaltecia os respeitos dos três R`s que devemos ter: respeito por si mesmo, respeito pelos outros e responsabilidade pelas ações. Eu incluo os animais entre os outros. 

    (Fonte: Site Consultório Jurídico – Vida de cão – Internet).