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  • Espécies de seres vivos introduzidas por ações humanas: aspectos gerais e suas consequências

    Por Vitória Oliveira, membro do Centro de Estudos em Ecologia Urbana do IF Barbacena/MG e Delton Mendes, professor e coordenador do Centro de Estudos em Ecologia Urbana do IF Barbacena/MG

    Por bilhões de anos barreiras geográficas, como oceanos, montanhas e vulcões, foram fatores que impediam, ou limitavam muito a movimentação de espécies para lugares diferentes de sua origem. Atualmente, mesmo que a configuração do planeta em vários continentes seja mais uma barreira importante, a partir da ação humana, sobretudo via globalização, iniciada com as grandes navegações, depois com automóveis e agora ampliada pelos transportes aéreos, barreiras que antes eram intransponíveis passaram a ser superadas, favorecendo o transporte de espécies de seres vivos em escala global. Deste modo, espécies de plantas, animais e até microrganismos que antes existiam apenas num único lugar, ou região, puderam ser introduzidos em um ambiente diferente de sua origem. Chamamos de espécies exóticas as espécies que são introduzidas em habitas, ecossistemas, nos quais elas não surgiram e não viveriam normalmente, e que ali passam a viver por conta de algum tipo de ação humana. E elas podem provocar sérios problemas. 

    A transposição de espécies para locais diferentes de sua origem por meio de ações de pessoas pode acontecer de forma intencional, como por exemplo, através da agricultura, cultivo de plantas em jardins ou até mesmo seres vivos de interesse econômico. Caso bastante conhecido é a dispersão do caramujo africano (Achatinafulica) trazido para o Brasil para ser utilizado na alimentação humana (Embrapa, 2004). Além disso, a introdução das espécies pode ocorrer de forma acidental, como é o caso do Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue e outras doenças. Acredita-se que o inseto de origem africana tenha chegado ao Brasil, através de navios que transportavam negros para serem vendidos como escravos (FIOCRUZ, 2018) 

    Espécies invasoras são, por muitas vezes, classificadas como pragas, sendo responsáveis pela transmissão de doenças além de representarem amplos prejuízos ao ambiente e perda de biodiversidade (Ziller, 2001). Silva e Voltolini (2017) destacam que espécies exóticas apresentam grande capacidade de adaptação, visto que não possuem predadores naturais e podem ser menos suscetíveis a doenças da região. Por essa razão apresentam vantagens competitivas quando comparadas a espécies nativas, o que resulta em extinções nativas em massa.

    Apoio divulgação científica: Samara Autopeças e Barbacena Online

    Referências: 

    Fio Cruz. Curiosidades sobre o A. aegypti. Disponível em: <http://www.ioc.fiocruz.br/dengue/textos/curiosidades.html> Acesso em: 31 de julho de 2020.

    Oliveira, M. D. Introdução de espécies: uma das maiores causas de perda de biodiversidade. – Artigo de Divulgação na Mídia, Embrapa Pantanal, Corumbá-MS, n. 75, p.1-3. dez. 2004.

    SILVA, A. S. A; VOLTOLINI, J. C. Impacto e manejo da invasora exótica Tradescantia zebrina Heynh. exBosse (Commelinaceae) sobre plantas nativas em um fragmento de floresta Atlântica no Sudeste do Brasil. São Leopoldo: Instituto Anchietano de Pesquisas; Pesquisas, Botânica, Nº 70: p. 205-212, 2017.

    Ziller, S. R. Plantas exóticas invasoras: a ameaça da contaminação biológica. Revista Ciência Hoje,20(178): 77-79, 2001.