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    Barbacena, MG Previsão completa
  • Entre doces, flores e dons

    Por Débora Ireno Dias

    Sou uma formiga no que diz respeito a doces! Tenho bom paladar por eles, chocolates então – do amargo ao brigadeiro – nem se fala. Mas, todas as minhas tentativas de fazer um doce deram errado. Quem já comeu – ou melhor, tentou comer – a palha italiana que fiz, quase perdeu um dente; o brigadeiro que tentei fazer para o aniversário da Mamãe, entortou uma colher; a última peripécia foi sábado passado, quando fiz um pudim de Maria Mole, que fez jus ao nome e pôde ser degustado como um mingau. 

    Ah, flores! Como gosto de ver meu lar florido! Sempre ganho vaso de alguma flor. tento cuidar: água, sol, lugar arejado. A última tentativa foi um girassol, presente do Amor. Minha flor predileta. Fiz todo o ritual: sol, água, ar, luz natural. Mas, tal qual o brigadeiro que não ficou no ponto, o girassol passou do ponto, morreu. Ou secou. 

    Isto me deixou meio frustrada. Como não consegui fazer um simples doce ou não dei conta de cuidar de uma flor? Simplesmente, não dei, não consegui. Como não dei conta ou não consegui tantas outras coisas ao longo das minhas décadas (já tenho décadas, 4 e meia, mas tenho!). 

    Vejo muitos queridos postando as flores e plantas de que cuidam. Cada lindeza da natureza! Vejo também postarem suas artes culinárias e tantas outras artes que fazem ao longo do tempo. 

    Vejo, admiro, aplaudo. Dependendo do que for, sinto-me motivada a fazer também: ora dá certo, ora vira um aprendizado.  E quando falo em aprendizado é porque estou aprendendo que “não dar certo” pode ter outro ponto de vista. Não é romantizar ou relativizar o que não saiu do jeito que eu pretendia. Buscar as hipóteses para ver o que não foi bem, tentar consertar o que for possível, aprimorar algo é preciso. Mas ver que eu não soube fazer o brigadeiro,  porém consigo fazer bolos usando aveia e frutas e macarrão com molhos diferentes. Não consegui manter o girassol lindo, mas consigo traduzir um pouco do que sinto e vejo nas palavras que vocês lêem. 

    A esta altura do campeonato da vida, olhar o tanto que não se fez, não se conseguiu, não se conquistou é uma prática comum a muitos de nós. E tal ação nos faz comparar com este ou aquele, com isto ou aquilo e o caminho acaba sendo uma saúde emocional debilitada. Olhar o Outro pode ser incentivador, mas olhar o que Você sabe fazer, o que Você conseguiu conquistar e consegue realizar e lhe causa um sorriso no rosto e um olhar de admiração por si mesmo, é uma vitória! Falo para Você, mas antes, falo para mim mesma! E não é fácil escutar, internalizar e apreender esta verdade. É um Caminho que preciso – precisamos – trilhar todos os dias. Com leveza, sem cobranças, mas olhar o que tenho – temos – de potencialidades e desenvolvê-las. É o que tenho buscado fazer. Pés no chão, um dia de cada vez, sentir a realidade e vivê-la. Pode ser desafiador, mas também transformador. 

    Ah, o girassol foi parar nas mãos da Mamãe – ela sabe fazer as plantas voltarem a viver, bem como o brigadeiro duro que virou recheio de rosca caseira. O mingau de “Maria mole” voltou para o liquidificador, recebeu mais um ingrediente e se transformou em pudim. Transformação!