Entre a Terra e o homem: a poderosa conexão que vai além das experiências

Por Maria Júlia Vidal, aluna da Graduação em Ciências Biológicas do IF Campus Barbacena, com orientação do professor Doutor Delton Mendes Francelino, Diretor da Casa da Ciência e da Cultura de Barbacena, Coordenador do Centro de Estudos em Ecologia Urbana do IFET, Campus Barbacena, Diretor do Instituto Curupira e autor de livros. (Instagram: @delton.mendes)

Para algumas pessoas, de acordo com suas crenças religiosas, sobretudo cristãs, nossa origem é proveniente de um homem e de uma mulher, na qual o primeiro foi criado e moldado a partir de uma matéria prima: o barro. No campo sobretudo científico, a base que deu origem a tudo o que conhecemos foi o Big Bang e, posteriormente, ao longo de bilhões de anos, a vida surgiu na Terra e através dos recursos naturais disponíveis, a evolução permitiu que chegássemos à forma humana que conhecemos hoje (e também toda a biodiversidade existente). Independentemente da maneira como os seres humanos surgiram, o fato de que o nosso corpo é proveniente da natureza e, vale refletir: carrega consigo um significado muito sutil sobre a interação e a associação do cotidiano humano com ela.

Marcos Arruda e Leonardo Boff já nos disseram (2000, p. 29): “O ser humano não habita simplesmente na Terra. Ele é terra. […] Entre as pedras, as montanhas, os oceanos, as florestas, os animais e os humanos não há adição como se fossem partes separadas. Todos estamos interligados e organicamente relacionadas”. Nessa linha de raciocínio, seria interessante pensar no humano como parte do meio ambiente e não simplesmente algo inserido nele, para que assim possamos compreender que cuidar e zelar desse espaço verde e cheio de vida é uma ação de autocuidado. 

Há quem diz e crê que as palavras ditas anteriormente não possuem muito sentido. Entretanto, posso afirmar que uma grande parte da nossa sociedade, já esgotada e cansada da árdua rotina dos tempos modernos que tanto nos cobra para apenas sobreviver, ao idealizar um lugar de descanso e paz, para recarregar as energias e por fim voltar ao dia a dia, a imagem que se forma na mente da maioria das pessoas com certeza envolve um cenário com árvores, silêncio, ar puro, uma estranha solidão que conforta, pássaros que cantam e águas que correm emitindo sons que soam como música para seus ouvidos. Ora, se isto não for o que conhecemos como a natureza em seu perfeito estado de conservação, e se isto não for o ser humano em completa ação simbiótica com o meio ambiente, não sei o que poderia ser. 

O ato de buscar a natureza (em seus diversos cenários) nos momentos mais estressantes da nossa vida pode ser comparado ao desejo de chegar em casa após um difícil dia de trabalho, afinal, não há sentimento melhor do que o de finalmente voltar pra casa. A natureza é assim, é a nossa origem, é de lá que viemos e com certeza é para ela que voltaremos seja como for, como cinzas ou como matéria orgânica, o destino é o mesmo. 

Diante do exposto, retorno à frase que citei no início desta dissertação. O profundo significado da nossa interação com a natureza é reconhecer do que somos feitos e para que somos feitos e, consequentemente, buscar compreender que toda ação no ambiente, benéfica ou não, pode nos afetar de imediato ou a longo prazo, afinal “Um homem é rico na proporção do número de coisas que ele tem o poder de deixar intocadas” – Henry David Thoreau. 

Apoio divulgação científica: Samara Autopeças, Jornal Barbacena Online e SEAM – Serviços Ambientais. 

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