Enchentes no Rio Grande do Sul: por qual razão têm ocorrido?

Por Delton Mendes Francelino, professor, Doutor, coordenador do Centro de Estudos em Ecologia Urbana do IF, Campus Barbacena e Diretor/ Criador da Casa da Ciência e da Cultura de Barbacena, Minas Gerais. Instagram: @delton.mendes

Nos últimos meses, o estado do Rio Grande do Sul (e também outros países ao Sul da América) tem enfrentado enchentes severas, causando destruição, mortes e desabrigando milhares de pessoas. As razões por trás desse fenômeno são diversas e envolvem tanto fatores naturais, quanto ações humanas. Acredito ser importante tornar evidentes algumas destas razões, sobretudo diante da quantidade de fake News surgidas.

A principal causa das enchentes é o volume extraordinário de chuvas. Nos últimos meses, o estado foi atingido por várias frentes frias, que resultaram em precipitações acima da média histórica. Essa situação é exacerbada pelo El Ninõ (e, talvez, também, pelo La Ninã), e, como consequência, altera os padrões climáticos, aumentando a incidência de chuvas na região sul do Brasil. Além disso, tivemos maior índice de chegada dos “rios voadores” provenientes da Amazônia. Concomitantemente a uma onda de calor que impediu as nuvens de se dispersarem para o norte e centro do Brasil, foram fatores chave para a ampla precipitação ocorrida até então.

As mudanças climáticas globais também desempenham papel crucial na intensificação das chuvas e, consequentemente, das enchentes. O aumento da temperatura média global tem provocado maior nível de evaporação dos oceanos, levando a um ciclo hidrológico mais intenso em algumas regiões do globo terrestre. Com mais vapor de água na atmosfera, as tempestades tendem a ser mais fortes e duradouras, resultando em maiores volumes de precipitação.

Cabe destacar, além de tudo isso, o desmatamento e as alterações no uso do solo no Rio Grande do Sul, que têm contribuído significativamente para as enchentes. A retirada da vegetação nativa para dar lugar à agricultura e à urbanização reduz a capacidade do solo de absorver água. Além disso, a pavimentação e a construção de infraestruturas impermeáveis aumentam o escoamento superficial, fazendo com que a água da chuva chegue mais rapidamente aos rios e córregos, elevando seus níveis de forma rápida e intensa.

A infraestrutura de drenagem nas áreas urbanas do estado também é um fator que agrava as enchentes. Muitas cidades do Rio Grande do Sul possuem sistemas de escoamento que não foram projetados para lidar com volumes tão altos de água. A falta de manutenção adequada e a obstrução dos canais de drenagem com lixo e sedimentos contribuem para a incapacidade de escoar a água das chuvas de maneira eficiente, resultando em inundações. A erosão e o assoreamento dos rios são consequências diretas do desmatamento e do uso inadequado do solo. Com a perda da cobertura vegetal, o solo fica mais suscetível à erosão, especialmente durante chuvas intensas. O material erodido é transportado para os cursos d’água, onde se deposita no fundo dos rios, reduzindo sua profundidade e capacidade de vazão. Esse processo facilita o transbordamento dos rios durante períodos de chuva forte.

Obviamente, não é a primeira vez que se vê enchentes na região Sul do país, mas, cabe destacar, que as razões das atuais apresentam singularidades, diferenças, à outras que já ocorreram. Toda bacia hidrográfica, e seus rios principais e afluentes, tendem a ter, em momentos, anos, ciclos de anos, alterações de vazão e cheia. No entanto, é preciso destacar que as razões apontadas acima tornam a preocupação ainda maior, pois as mudanças climáticas devem assolar cada vez mais a região neste sentido, e também, outras partes do Brasil e do Planeta.

Por isso, buscar investimentos em infraestrutura de drenagem, reflorestamento de áreas críticas, planejamento urbano sustentável e a implementação de políticas de adaptação às mudanças climáticas é fundamental. Além disso, é essencial melhorar os sistemas de alerta e resposta a emergências para proteger as comunidades vulneráveis e minimizar os danos causados pelas enchentes.

A compreensão das causas das enchentes no Rio Grande do Sul é o primeiro passo para a implementação de soluções eficazes. Somente com uma ação coordenada entre governo, sociedade civil e setores privados será possível mitigar os impactos desse fenômeno e garantir a segurança e o bem-estar da população gaúcha.

Interessados pelas ações da Casa da Ciência e da Cultura, bastam seguir o perfil de Delton pelo Instagram @delton.mendes, ou buscar informações via whatsapp (32) 98451 9914.

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