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É possível que exista em nosso planeta um animal que realiza a fotossíntese?

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Por Sabrina Medeiros (membro do Centro de Estudos em Ecologia Urbana do IF Sudeste Barbacena/MG e graduanda em Ciências Biológicas) sob orientação do Prof. Delton Mendes. 

“O universo em que vivemos está cercado de inúmeras curiosidades e surpresas. Você já pensou na possibilidade de um animal heterotrófico conseguir realizar também o processo de fotossíntese?”

A fotossíntese é um processo realizado por seres autótrofos como vegetais, espécies de algas (diatomáceas e euglenoidinas) e algumas bactérias com o intuito de sintetizar seu próprio alimento a partir da luz do Sol. Já os seres heterótrofos (animais, protozoários, fungos e a maioria das bactérias) não conseguem obter seus nutrientes a partir da luz solar por não apresentarem estruturas fotossintetizantes denominadas cloroplastos, que em seu interior contém pigmentos responsáveis pela absorção da energia luminosa. Porém, o universo em que vivemos está cercado de inúmeras curiosidades e surpresas. Você já pensou na possibilidade de um animal heterotrófico conseguir realizar também o processo de fotossíntese?

Coloração verde e morfologia semelhante a uma folha: essas são as características da lesma-do-mar (Elysia chlorotica) descoberta pela pesquisadora da Universidade de Maine (EUA), Mary Rumpho. Essa pequena lesma que vive na costa dos EUA se alimenta de algas e consegue “reter” os cloroplastos presentes nessas em suas células digestivas, que continuam realizando por um determinado tempo a fotossíntese, gerando então carboidratos e lipídios, que acabam nutrindo o animal. 

Esse ser vivo só consegue reter esses cloroplastos presentes em algas, das quais se alimenta, graças ao seu DNA, que contém um gene da alga Vaucheria litorea que permite que o animal faça realmente o processo de fotossíntese. De acordo com Sidney K. Pierce, professor da Universidade do Sul da Flórida e da Universidade de Maryland “o gene é incorporado ao cromossomo da lesma e transmitido para a próxima geração de lesmas”, então, os descendentes da lesma E. cholorita continuam tendo que se alimentar de algas para incorporar seus cloroplastos, porém, já possuem o gene necessário para retê-los, sendo capazes de sobreviver sem se alimentar do meio externo durante vários meses.

Esse incrível exemplo de transferência de genes tem levado os cientistas à reflexão, principalmente no que se trata dos aspectos positivos de processos similares em humanos, não utilizando o gene do próprio animal, mas se valendo da mesma estratégia para corrigir divergências no DNA humano que provocam diversas doenças. Ainda segundo Pierce: “a lesma do mar é um bom modelo biológico para terapia em humanos? Provavelmente não. Mas descobrir o mecanismo dessa transferência de genes que ocorre naturalmente pode ser extremamente instrutivo para aplicações médicas futuras”.

Apoio divulgação científica: Samara Autopeças

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