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E chegou 31 de dezembro

Márcio Nogueira de Paiva

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Esta é uma data muito especial para nós. Deixamos para trás o velho e recomeçamos. A cada ano temos  novos planos, promessas, novas expectativas. Às vezes o que ficou daquele ano nem queremos lembrar-nos, podendo ser por questões pessoais como o falecimento de uma pessoa querida, o fim de um relacionamento, a perda de um emprego e também pode ser por questões coletivas como o fim de um ciclo político nacional, estadual ou municipal. Por outras vezes estamos deixando aquele que foi “o nosso ano”: a formatura, o encontro da namorada que desejávamos, o casamento, o prêmio da mega-sena (para pouquíssimos, mas eles existem), o primeiro emprego, a promoção de cargo depois de tantos anos trabalhando com esmero, estudando, “dando a vida pela empresa”, a casa própria, o nascimento de um filho, a aposentadoria, o nascimento de um neto…

Notaram como enumerei muito mais as coisas boas do que as ruins? É tão natural que nem sentimos: coisas boas que venham e coisas ruins que se afastem bem depressa. “Ufa, ainda bem que esse ano está acabando, foram tantos as decepções e os desgostos. Credo”. Mas aqui chego a um dos pensamentos que quero deixar.

Não é a passagem de 31 de dezembro para 1º de janeiro que muda a nossa sorte ou nosso azar. Todos sabem disso. O que transforma nossa vida é a mudança que deve existir dentro de cada um. Mas não é fácil. Exige dedicação, disciplina, renúncias, esforços adicionais e também não acontece de um dia para outro. São passos que damos degrau por degrau. Médicos se formam em seis anos e mais quatro entre residência ea especialização. Dez anos. Advogados, engenheiros e outros profissionais seguem este caminho.

Muitos, a grande maioria, dos acontecimentos que não queremos são inevitáveis e nada do que fizermos vai modifica-los, como a morte de alguém ou a perda de emprego motivada pela crise econômica. Mas outros podemos evitar com atitudes diárias, como ter uma vida saudável prorroga o aparecimento de algumas doenças (aqui escrevo para mim mesmo, que sou fumante). Por outro lado os acontecimentos bons dependem e muito de nós, tirando, é claro, o prêmio da mega-sena.

Completando este pensamento acredito ser esta uma data simbólica. No calendário chinês estamos no ano 4716 desde 16 de fevereiro e este acaba em 04 de fevereiro. Mas são diversos os calendários existentes: judaico, coreano, japonês, tailandês e outros. Mas em nosso calendário gregoriano estamos encerrando um ano e começando outro. Mas o que mais vale é nossa disposição em mudar ou melhorar nossos hábitos e atitudes.

Mas agora penso que vem uma grande mudança e com data bem definida. A transição dos governos federais, estaduais e das casas legislativas. Meu pensamento é que nosso futuro depende inevitavelmente do êxito do Executivo Federal em conjunto com o Senado e a Câmara. Não importa em quem votamos. Temos agora que deixar todos os pensamentos positivos fluírem para Brasília, para o Presidente e para toda a equipe de governo. E fazer nossa parte trabalhando, estudando, dando o melhor de nós.

Em minha pouca e curta experiência política (nasci dentro do período militar) penso que demos um grande passo na redemocratização, mas na ocasião poderíamos ter ido mais longe e perdemos uma oportunidade de mais avanços. Depois tivemos outra grande chance com o primeiro Presidente eleito pelo povo depois de muitos anos. A decepção veio e só não fizemos o primeiro impeachment porque o Presidente renunciou antes, mas foi aberto o caminho para o Plano Real, que foi um grande e excelente plano que acabou com a inflação (o monstro que nos assombrava). Mas o tempo deste governo foi curto e emendamos com oito anos, que não foi nem de bonança e nem de grandes transformações na economia. Estávamos consolidando a democracia (creio eu). Para mim o período seguinte foi o que perdemos as maiores chances de crescer economicamente e de forma sustentável, com a inclusão da grande população mais pobre. O Governo tinha o respaldo, a confiança do povo brasileiro, afinal quem nos conduzia sabia muito bem como é ter de acordar de madrugada para trabalhar e voltar já quase na hora de ir de novo, gente como a gente. Não era um político profissional, não era um intelectual que escreve muito bem. Bem, o desfecho estamos vivendo até hoje e se foram mais doze anos perdidos.

A expectativa agora é grande, a torcida a favor também e para quem tem uma religião, qualquer que seja, as preces, rezas e orações podem ajudar muito. Mas a euforia deve ser pouca. Ninguém vai mudar nada do dia para o outro. Não vamos acordar com um PIB de 10 e acordar com um de 100, não vamos dormir com uma população de 5 milhões de desempregados e acordar com 100 mil.

Só Jesus fez a água mudar em vinho no mesmo instante. Mas lembremos que para ressuscitar levou três dias e para nos doutrinar (para quem é cristão, como eu) Ele está tentando até hoje.

Minha expectativa é de um governo de sacrifícios, mas de crescimento modesto, que possa sustentar pelo menos mais dez ou doze anos de avanços duradouros e beneficiando o todo o povo.

Um bom ano de 2019 a todos, lembrando que vale pular as sete ondas, vestir branco…

 

Márcio Nogueira de Paiva – Barbacena – 31 de dezembro de 2018.

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