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Dos lobos cinzentos aos cães domésticos: um caminho evolutivo mediado pela humanidade

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Por Vitória Oliveira, membro do Centro de Estudos em Ecologia Urbana do IF Sudeste e graduanda em Ciências Biológicas, sob orientação do prof. Delton Mendes

Há cerca de 30.000 anos, quando os seres humanos ainda eram caçadores coletores, os primeiros lobos cinzentosse aproximaram das fogueiras dos acampamentos. Foi essa aproximação que marcou o início de uma grande parceria.

Os cães pertencem à família dos canídeos, que é um grupo de mamíferos carnívoros composto por 38 espécies. Dentre elas somente a Canis familiaris foi efetivamente “domesticada”, ou seja, apropriada para a conveniência humana. Inicialmente, cientistas acreditavam que filhotes de lobo haviam sido capturados por homens e transformados em cães de caça. Entretanto, pesquisas recentes mostraram que os lobos se aproximaram dos acampamentos pré-históricos atraídos por restos de comida e foram tolerados pelo homem, por consumir esse lixo biológico.

A partir de então, o ser humano passou a moldá-los às suas necessidades. Sobreviveram os cães mais habilidosos, ágeis e proativos. Além disso, eles precisavam ser dóceis e disciplinados. Nesse momento, a fofura se tornou seletivamente vantajosa, pois, além de participar ativamente da caça e fazer a guarda, os animais precisavam manter uma boa relação intra e interespecífica. Dessa forma, o Canis familiaris passou por um processo que chamamos de seleção artificial, que consiste em uma sucessão de cruzamentos, conduzidos pelo ser humano,com o objetivo de selecionar características desejáveis em animais e plantas. Essa seleção resultou em todas as subespécies (raças) que conhecemos hoje.

A combinação da habilidade dos cães, com a inteligência humana, favoreceu ambas as espécies, tornando-as uma dupla imbatível. Juntas, exploraram e habitaram todos os cantos do planeta e, aquela aliança que antes era apenas conveniente, tornou-se uma grande amizade. Desde então, uma ligação emocional muito profunda tem sido percebida,o que possibilitou o desenvolvimento de habilidades comuns, como a interpretação de emoções e linguagens sonoras, como o latido ou mesmo o tom de voz.

Milhares de anos se passaram e essa relação se tornou ainda mais próxima. Em países desenvolvidos como o Japão e EUA muitas mulheres que ocupam cargos bem remunerados, optam por não ter filhos. O espaço físico e emocional deixados por essa escolha passou a ser preenchido por cachorros. No Brasil, segundo dados do IBGE (2016), o número de famílias que criam cães já é maior do que as famílias que têm crianças. Dados recentes mostram também que grande parte da renda dos lares passou a ser direcionada a esses parceiros. Em suma, carinho e cuidado mútuos possibilitaram todo o processo evolutivo dos cães, de tal forma que atualmente são considerados como partes indissociáveis de muitos núcleos familiares, em todo o mundo.

Referência bibliográfica:  Ridley. Evolução/ 2016.

Apoio divulgação científica: Samara Autopeças

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