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    Barbacena, MG Previsão completa
  • Dojo-Kun: os cinco lemas do karatê

    Olá leitor amigo! Não… você não leu errado! Hoje falarei sobre Karatê! Porém sem grande espanto, ok? Vou fazer uma relação desse assunto com as regras de conduta social que o Direito impõe e tenta manter em sociedade.

    Apesar da arte marcial ter feito muito sucesso nos anos 80 com o filme Karatê Kid (qual contemporâneo meu não imitou o equilíbrio e o chute da garça?), este texto não será exatamente uma reflexão sobre “Cobra Kai”, série que faz sucesso na Netflix por mostrar que talvez o mundo não seja feito de heróis e vilões estereotipados, porém uma sociedade feita de pessoas falhas e virtuosas ao mesmo tempo, como realmente somos.

    Enfim… o Karatê-Do em seu estilo Shotokan é o legado deixado pelo honorável Mestre Gichin Funakoshi, que faleceu em 1957 em Okinawa no Japão. “Kara” significa vazio. “Tê” significa mão. “Do” significa caminho. Logo, essa arte marcial é “o caminho das mãos vazias.” Uma forma de combate quase sempre desarmada. Porém o Karatê vai muito além de defesas, socos e chutes.

    “Dojo” é o local de treinamento. E “kun” seria algo como lemas. Mas em uma adaptação livre, “Dojo-kun” poderia representar “as regras da casa” ou os cinco compromissos que o verdadeiro carateca assume:

    1) Compromisso com o esforço! Como tudo que vale à pena na vida, o sucesso e evolução não vem de forma fácil. A dedicação é a chave. É não se abater diante dos obstáculos. É não desistir diante das dificuldades. O esforço é um hábito no Karatê.

    2) Compromisso com a formação do caráter. O filme “Kuro Obi” (Faixa Preta) é um alerta dos perigos do mau uso do conhecimento do Karatê. Ser um bom lutador, não é sinônimo de ser bom carateca. O verdadeiro mestre é um exemplo de vida, um modelo a ser seguido. Sua postura íntegra e ética ultrapassa o tatame e é aplicada em tudo em sua vida.

    3) Compromisso com o verdadeiro caminho da razão. Não é ser frio nem calculista! Nada disso! Somos criaturas com sentimentos, porém também somos racionais. E é a razão que conduz “o caminho das mãos vazias”. Não agir movido por sentimentos levianos e passageiros. É canalizar de forma consciente os ensinamentos e sentimentos em harmonia com os compromissos anteriores.

    4) Conter o espírito agressivo. A natureza humana nos leva à raiva. Quantas vezes temos vontades e pensamentos coléricos que em nada resolvem nossos problemas? Quantas vezes uma ação impensada e movida pelo ódio aumenta infinitamente nossa dor? Se assumimos o compromisso com a razão, assumimos o compromisso em conter aquilo que é destrutivo, seja contra nós mesmos ou contra quem nos cerca!

    5) Respeito acima de tudo! A cortesia é a marca do verdadeiro Mestre e aluno do karatê. Respeitar os mais graduados como forma de hierarquia, porém respeitar os menos graduados como disciplina saudável. O carateca jamais inicia uma luta. Respeitamos a todos e buscamos a paz.

    E agora? Qual a relação desses cinco lemas com o Direito?

    Consegue reparar como os compromissos do Karatê estimulam uma vida social melhor? Nenhuma das regras do “Dojo-Kun” é incompatível com as boas práticas que o Direito estabelece para o convívio social.

    Pensem por exemplo na Boa-fé objetiva do Direito Civil. A conduta leal esperada entre as partes em uma relação contratual ou de consumo. O objetivo aqui não é mover a economia nem assegurar o lucro, mas manter uma harmonia nas relações civilistas.

    Pensem nos ilícitos previstos no Direito Penal. Quantos deles não são praticados por uma conduta irracional? E os crimes contra a honra? Não são frutos de condutas desrespeitosas? E os crimes passionais? Resultado de não saber conter o espírito agressivo que existe no interior de cada um de nós!

    O objetivo maior da Ciência Jurídica não deveria ser punir quem descumpre as leis, assim como o alvo do verdadeiro Karatê não é ferir o adversário! Ambos buscam a paz e a harmonia. Uma vida melhor e digna.

    Ora, sou professor e acredito no conhecimento como forma de transformar positivamente a vida! 

    E agora, prestes a me graduar no Karatê-Shotokan, vejo a arte marcial como caminho para saúde: física, psicológica, espiritual e até social! Ou preciso estender ainda mais esse artigo e falar da importância do esporte como forma de afastar uma pessoa de uma vida marginalizada?!

    Assim como o Direito, temos um papel preventivo aqui.

    O assunto daria uma tese, mas creio que a mensagem está passada! 

    Por fim, este texto é uma homenagem ao meu Mestre Ronaldo Pacheco (AKJJ-Associação de Karatê e Jiu-Jitsu de Barbacena) e ao Mestre William Martins (Presidente da FKM – Federação de Karatê Mineira)! Exemplos na maestria do “Karatê-Do”, seja no tatame, seja na vida pessoal! Muito obrigado pelos ensinamentos! E que comece o novo caminho da nossa jornada! “OSS!”

    Saibam mais sobre o Karatê em:  www.fkm-karate.com.br e no Instagram @fkmocificial