Docentes e Técnicos Administrativos do IF Sudeste fazem carta à população de Barbacena

Servidores do IF Sudeste – Campus Barbacena prepararam uma carta aberta aos alunos, familiares e também à sociedade civil da cidade com esclarecimentos sobre o movimento de greve que começou no mês passado. A carta foi enviada ao Barbacena Online com um pedido de que fosse publicada na íntegra.

 

CARTA ABERTA

dos Servidores do Campus Barbacena do IF Sudeste MG para as famílias, demais membros da comunidade escolar e sociedade civil de Barbacena, em 15 de maio de 2024

 

Estamos vivenciando um momento singular da luta em defesa da educação pública, gratuita, inclusiva, laica e de qualidade, características que vêm sendo negligenciadas ao longo dos últimos governos. Diante desse quadro, professores e técnicos em educação (TAEs) do Campus Barbacena do IF Sudeste MG aderiram  ao movimento grevista dessas categorias , deflagrado nacionalmente. Gostaríamos de compartilhar com vocês as razões pelas quais nós aderimos ao movimento grevista.

 

Na pauta nacional temos reivindicações por reestruturação salarial, recomposição das carreiras (TAEs e docentes) e revogação das portarias que precarizam cada vez mais a educação pública de qualidade. Destacamos, também, o orçamento para a educação, que enfrenta um processo de desmonte que afeta diversos setores públicos, incluindo, não só a educação, mas também saúde, previdência e segurança pública. Destacamos a corrosão inflacionária dos nossos salários, uma vez que desde 2017 não tivemos reajuste salarial. As negociações da greve  ainda não alcançaram êxito.

 

O campus Barbacena, especificamente, sofre com a estagnação do orçamento público para a educação, operando com o mesmo montante destinado à manutenção desde 2016.Devido a isso, enfrentamos dificuldades relacionadas à precariedade da estrutura física e à escassez de recursos humanos, o que prejudica significativamente nossas condições de trabalho e a oferta do ensino de qualidade na formação dos estudantes. As deficiências incluem desde a manutenção básica, até a acessibilidade e conservação das infraestruturas existentes, fundamentais para garantir o mínimo de conforto e segurança para alunos e profissionais; além do comprometimento do valor repassado nas políticas de assistência estudantis.

 

Para exemplificar esse impacto da falta de orçamento, podemos citar a situação do prédio da sede. Construído a partir de 1910, o prédio é uma estrutura de grande valor arquitetônico, histórico e cultural, oficialmente tombado pelo Patrimônio Municipal e que agora corre o risco de colapso. Sua  estrutura física encontra-se interditada desde o período pandêmico, com problemas significativos na acessibilidade, no telhado e nas instalações elétricas.

 

Além da questão estrutural, temos também a questão da tipologia do campus. Desde a criação dos Institutos Federais, em 2008, nosso campus foi categorizado sob a “Tipologia 120/90 Agrícola”, o que quer dizer que podemos ter 120 docentes e 90 TAEs para atender a toda a nossa demanda. A classificação do campus é usada para determinar os recursos alocados aos campi pelo governo, baseando-se em critérios que incluem área física e tipo de atividade predominante, como a agrícola. Com quase 500 hectares de extensão, nosso campus enfrenta desafios significativos de manutenção e uma necessidade constante de investimentos para manter e melhorar suas instalações e serviços. Corrigir essa classificação é vital para que possamos ampliar a quantidade e a diversidade de cursos oferecidos, elevar ainda mais a qualidade do nosso ensino, intensificar nossas atividades de pesquisa e extensão e, consequentemente, fortalecer a conexão do Instituto Federal com a comunidade externa, a sociedade.

 

Portanto, diante desses desafios e da importância do nosso papel na comunidade, pedimos a compreensão e o apoio de todos, para que possamos superar juntos essas dificuldades.Nossaadesão à greve e as reivindicações apresentadas por nós refletem nossa dedicação não apenas à melhoria de condições para os docentes e técnicos, mas também ao fortalecimento de uma educação pública de qualidade, acessível a todos. Contamos com o envolvimento e o apoio de toda a comunidade para que, juntos, possamos construir um futuro melhor para o nosso campus, nossos profissionais e estudantes, e para a educação pública do Brasil.

 

RECOMPOSIÇÃO, REESTRUTURAÇÃO E REVOGAÇÃO:

NOSSA GREVE É PELA EDUCAÇÃO!

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