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Da Terra ao mar

Por Júlia Gonçalvez, orientada por Delton Mendes Francelino

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Não é muito comum em nossa realidade, já que vivemos num estado não margeado pelo mar, mas as baleias são um grupo de seres vivos instigantes. As primeiras delas apareceram há aproximadamente 30 milhões de anos. Durante a maior parte de sua evolução, foram animais de pequeno porte que só começaram a se desenvolver de forma mais aguda entre 2 ou 3 milhões de anos atrás, até se tornarem os maiores seres vivos atuais da Terra, medindo entre 10 a 30 metros de comprimento.  A maior espécie de baleia conhecida é a Baleia Azul, que pode chegar a ter até 30 metros.

As baleias pertencem à classe dos mamíferos, um grupo de animais tipicamente terrestre, assim como os seres humanos. Porém, o que as diferencia é que são totalmente adaptadas ao ambiente aquático. Diversos estudos mostram que as baleias tiveram uma adaptação evolutiva diferente: seus ancestrais mais diretos eram terrestres, com quatro patas e, possivelmente, em situações de perigo, refugiavam-se na água. Com o passar do tempo, esses hábitos aquáticos aumentaram até que uma espécie desse ser vivo se adaptou a viver na água de tal forma que ainda hoje possuem características adaptativas comuns como patas vestigiais traseiras e internas, o que comprova esse processo evolutivo a partir de um ancestral comum terrestre.

No Brasil a baleia mais comum é a Jubarte, uma das espécies mais conhecidas e estudadas no mundo, podendo chegar a 16 metros de comprimento e viver até 60 anos.  Elas podem ser avistadas no litoral do estado da Bahia entre os meses de julho e novembro, quando migram para se reproduzirem nas águas tropicais costeiras, onde atraem grande turismo de observação por conta de suas acrobacias características.

A caça intensiva às baleias teve inicio no século IX e o principal interesse era a obtenção de carne e óleo. Nessa época várias espécies, como a Baleia Azul e a Baleia Comum, entraram para a lista dos animais ameaçados de extinção. Como conseqüência, foi criada em 1946 a Comissão Baleeira Internacional (CBI) que promovia a redução da caça às baleias. Apesar dessas novas políticas, a caça a esses animais continuou aumentando até que, em 1986, a CBI propôs uma moratória que a proibia. Apesar disso, ainda hoje países como Japão, Noruega e Islândia continuam a predar esses seres vivos e lutam para a liberação da caça.

O abate das baleias é um ato extremamente violento e desumano e só por isso já deveria ser proibido. São animais que demoram a recuperar sua população e são extremamente importantes para a preservação e conservação dos ecossistemas. Segundo o pesquisador Joe Roman, da Universidade de Vermont, “baleias têm uma influência poderosa e positiva no armazenamento global de carbono e na saúde dos oceanos”. Elas são responsáveis por reciclar e levar nutrientes para outras áreas e suas fezes fertilizam e aumentam o crescimento de plânctons, alimento de muitos outros animais marinhos.

NOTA DA REDAÇÃO: Júlia Gonçalves, Membro do Centro de Estudos em Ecologia Urbana do IF Barbacena e graduanda em Ciências Biológicas, sob orientação do prof. Delton Mendes.

Apoio divulgação científica: Samara Autopeças

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