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  • Covid-19: Aqueles que já foram vacinados devem continuar usando a máscara?

    Até o momento, cerca de 12,7 milhões de brasileiros receberam a primeira dose da vacina contra o coronavírus, o que representa pouco mais de 6% da população do país. A segunda dose foi aplicada em aproximadamente 4,3 milhões (2%). Embora este número seja considerado baixíssimo, depois do início da vacinação uma pergunta é comum na população: quando teremos a liberdade de sair sem máscaras?

    A questão envolve mais cuidados do que parece: equivale a um retorno à normalidade com abraços e beijos dos vacinados em seus entes queridos, reuniões com amigos, saídas para shows, shoppings e restaurantes, sem a ameaça permanente de contágio pela Covid-19.

    A pandemia não acabou. Médicos e cientistas aconselham ser paciente.

    Uma orientação é unânime entre os cientistas, pesquisadores e profissionais de medicina – a data em que as pessoas vacinadas poderão esquecer de usar máscaras em locais públicos dependerá não apenas da taxa de diminuição das infecções, mas da porcentagem de pessoas não vacinadas em uma comunidade.

    De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), órgão de saúde dos Estados Unidos, país que inclusive já aplicou mais de 100 milhões de doses de imunizante na população, as pessoas que já completaram todo o ciclo de vacinação contra a Covid-19 podem se reunir com outras pessoas na mesma situação, sem usar máscaras ou manter o distanciamento social.

    Porque?

    Porque os cientistas ainda não sabem se os vacinados podem transmitir o vírus aos não vacinados. E embora todas as vacinas Covid-19 sejam excelentes para proteger uma pessoa de formas graves da doença, com risco de morte, a pesquisa não confirma de forma conclusiva que uma pessoa vacinada não infecte outras pessoas.

    A pesquisa existente até agora sobre a capacidade da vacina de também evitar que os vacinados transmitam o vírus é preliminar, mas encorajadora. Segundo especialistas, com 80% a menos de transmissibilidade, principalmente quando a maioria da população estiver vacinada e as hospitalizações e mortes cairem, talvez seja a hora de começar a pensar em liberar o uso de máscaras.

    No entanto, a grande maioria da população ainda não foi vacinada e, no Brasil, a média de óbitos continua altíssima, ainda com agravantes como vacinação em ritmo lento pela falta de imunizantes e circulação de novas cepas. Assim, diante da incerteza sobre o contágio, os especialistas dizem que mesmo quem já foi imunizado terá que continuar usando a máscara para proteger os outros.

    Os vacinados devem continuar usando a máscara como acessório indispensável, recomenda Mônica Levi, presidente da Comissão de Revisão de Calendários Vacinais da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Ela estende a recomendação à todas as medidas de higiene. “É imprescindível que se mantenha todas as formas e diretrizes, inclusive o distanciamento social, o funcionamento de estabelecimentos com horário e público reduzidos e o uso de álcool gel”, afirma.

    Ensaios clínicos

    Os ensaios clínicos das vacinas foram elaborados para testar se os imunizantes evitariam quadros graves da doença e morte, o que geralmente ocorre por efeito da proliferação do coronavírus nos pulmões. Mas o contágio, ao contrário, é produzido pela proliferação do vírus no nariz e na garganta, e os pesquisadores ainda não sabem exatamente qual é a porcentagem de redução da transmissão pelas pessoas vacinadas.

    Hipótese

    Estudos em animais sustentam a hipótese de que o sistema imunológico, treinado pela vacina, deve parar o vírus logo após o contágio, encurtando o período de infecção e as diminuindo as doses no nariz e na garganta. Isso deve ser suficiente para reduzir significativamente as chances de uma pessoa vacinada infectar outras pessoas.

    Os dados de algumas dezenas de participantes do ensaio Moderna, que foram testados ao receber sua segunda dose, sugerem que a primeira dose diminuiu as infecções em cerca de dois terços. Outro pequeno lote de dados emergiu recentemente do teste da Johnson & Johnson. Os pesquisadores procuraram sinais de infecção em 3.000 participantes, até 71 dias após receberem a vacina de dose única. O risco de infecção nesse estudo pareceu diminuir em cerca de 74%.

    Mais dados são esperados nos próximos meses, tanto da Pfizer-BioNTech quanto da Moderna. Mas os ensaios clínicos podem superestimar a eficácia de uma vacina, porque o tipo de pessoa que já escolheu participar tende a ser cuidadosa e também é aconselhada a tomar algumas precauções.

    Alguns pesquisadores estão rastreando infecções entre pessoas imunizadas em ambientes do mundo real. Um estudo na Escócia, por exemplo, conduziu testes a cada duas semanas, independentemente dos sintomas, em profissionais de saúde que receberam a vacina Pfizer-BioNTech. Os estudos descobriram que a eficácia da vacina em evitar que a pessoa imunizada infecte outras pessoas foi de 70% após a primeira dose e 85% após a segunda.

    Portanto, as medidas sobre o uso de máscara dependerão também de resultados definitivos de ensaios clínicos definitivos sobre o grau de transmissão do vírus pelos imunizados. Na opinião dos especialistas, mesmo as pessoas vacinadas estão longe de um cenário que permita deixar o rosto livre, sem a proteção do acessório, bem como dos demais cuidados de higiene e distanciamento social.