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  • Contra-Ataque: Quem tem Hyoran precisa de Nacho Fernández?

    Sérgio Monteiro

     

    De patinho feio a salvação nas últimas partidas. A passagem do meia Hyoran pelo Atlético está passando por uma reviravolta. Emprestado pelo Palmeiras no início da temporada, Hyoran era visto pela torcida e até mesmo pela comissão técnica como carta fora do baralho. Tanto que ficou bastante tempo sem ser utilizado pelo técnico Sampaoli. Mas foi decisivo nos últimos três jogos – duas vitórias e um empate -, marcando gols em todos eles e sendo uma das principais referências no ataque alvinegro. Não por coincidência, o Galo está de volta à briga pelo título nacional.

    Braço direito erguido e punho cerrado: mais do que as atuações decisivas e os gols, esse gesto é capaz de encantar a torcida atleticana

    Hyoran chegou ao clube antes mesmo de Sampaoli, ainda sob o comando do venezuelano Dudamel. Possivelmente, se Sampaoli já fosse treinador alvinegro no início de 2020, sequer teria vindo para Minas. Chegou e já assumiu uma camisa no time titular, mas fez um Campeonato Mineiro ruim e não agradou à Massa. Já com Sampaoli, ficou na reserva e entrava em algumas partidas durante a campanha no Brasileirão, mas ainda sem brilho.

    Chegou a ser decisivo na virada sobre o Corinthians, no início do Campeonato Brasileiro, marcando dois gols na vitória por 3 x 2, no Mineirão, e mesmo assim para grande parte da torcida era o patinho feio do time de Sampaoli, que àquela altura iniciava uma trajetória que enchia os alvinegros de esperança.

    Com empréstimo por apenas uma temporada, era dada como certa a devolução do meia ao Palmeiras agora, no início de 2021. Fato que chegou a ser noticiado pela imprensa mineira. O não aproveitamento de Hyoran no time esse ano era consenso entre comissão técnica, diretoria e torcida.

    Só que Zaracho, jovem promessa argentina contratada a pedido de Sampaoli, não mostrou ainda a que veio. Com dificuldades de adaptação, não encaixou no time. E Nathan, que era uma das peças principais do esquema de Sampaoli nas primeiras partidas, caiu de rendimento após lesão muscular na coxa esquerda. Com isso, o treinador teve que apostar as últimas fichas em Hyoran. E foi aí que a história começou a mudar.

    Hyoran não só está sendo decisivo, como está mostrando, finalmente, um futebol que encanta o torcedor atleticano. Talvez até o seu treinador, mas isso não dá para afirmar. Se alguém disser que sabe o que passa pela cabeça de Sampaoli, certamente estará mentindo. Mas o fato é que o meia tem sido peça chave nesse reencontro do Atlético com o bom futebol e os resultados positivos.

    Com um belo gol, abriu o caminho para a difícil vitória sobre o Coritiba pela 28ª rodada, no último jogo atleticano em 2020. Na rodada seguinte, estreia do Galo nesse ano, teve uma atuação discreta, mas marcou, de pênalti, o gol de empate, já nos acréscimos. Ponto que pode ser importantíssimo na disputa pelo título e comemoração com o punho cerrado e o braço esticado para o alto, uma homenagem a ninguém menos do que Reinaldo, o eterno Rei da Massa, no dia de seu aniversário.

    Não bastasse o gesto e os gols decisivos, ele resolveu caprichar ainda mais na 30ª rodada, diante do Atlético-GO. Com uma excelente atuação, lembrou os grandes camisas 10 da história alvinegra. Ditou o ritmo do jogo e novamente abriu caminho para uma vitória alvinegra, marcando um dos gols mais bonitos desse Brasileirão. Digno de Ronaldinho Gaúcho. Não à toa, o mesmo torcedor que passou o ano criticando Hyoran, hoje já se aventura a chamá-lo de Hyoronaldinho.

    O futebol é bom por isso. A mesma mão que joga pedras, faz o afago logo depois. Resta saber se o Galo vai pagar os R$ 7,5 milhões ao Palmeiras por 50% dos direitos econômicos de Hyoran. Será que as atuações recentes são o suficiente para convencer a diretoria e o exigente treinador atleticano? Se depender da torcida, exagerada que é, a 10 já tem dono. Afinal de contas, se a paixão é quem manda no futebol, já é possível dizer: quem tem Hyoran não precisa de Nacho Fernández, não é mesmo?

     

    Imagem

    Crédito – Divulgação/Atlético