Contra-ataque: Quem disse que não vale nada?

Sérgio Monteiro

 

 

Quem disse que não vale nada?

 

Quando Brasil e Argentina entram em campo, não importa se é final de campeonato ou apenas um jogo para cumprir protocolo, como é o caso da partida desse domingo, em São Paulo. De fato, o confronto desse final de semana não vale nada além do primeiro lugar nas Eliminatórias Sul-Americanas, o que, convenhamos, não significa absolutamente nada. Mas a rivalidade entra em campo junto dos dois times, participa de cada dividida e ninguém aceita sair de campo derrotado.

Rivalidade esta que anda ainda mais acirrada após os argentinos ganharem a Copa América em cima da Seleção Brasileira, aumentando a diferença de conquistas locais – a Argentina chegou à sua 15ª taça, contra 9 do Brasil. De quebra, os ‘hermanos’ ainda colocaram fim a um tabu de 28 anos sem títulos. E, para tornar o cenário ainda pior, a conquista se deu em pleno território brasileiro, ainda que sem muitas testemunhas in loco.

Com 21 pontos e 100% de aproveitamento, não é exagero dizer que o Brasil já está com a vaga na Copa do Mundo de 2022 praticamente garantida. Em segundo lugar na tabela e também ainda invicta, a Argentina soma 15 pontos e, embora a matemática ainda não seja tão aliada assim, é fato que ela também irá para o Catar em novembro do ano que vem. Não só pelas campanhas, mas também pela diferença técnica dessas duas seleções em relação às demais que disputam as eliminatórias.

Ou seja, a partida de domingo realmente vale pela rivalidade e ponto. O que está longe de ser pouca coisa. O brasileiro faz questão da vitória para dar o troco nos seus rivais pela última derrota na Copa América. O argentino quer o segundo triunfo seguido para continuar por cima. E o empate não satisfaz os desejos de ninguém. É ganhar ou ganhar.

Mesmo a partida sendo esvaziada também pela ausência de jogadores que disputam algumas das principais ligas europeias, os olhos estão voltados para ela. Afinal, de que valem as eliminatórias se não para vermos dois confrontos entre Brasil e Argentina? É nesse duelo que tudo se ajeita para um lado e desanda para o outro. Por isso mesmo os erros são imperdoáveis.

De nada valerá o recorde obtido pela Seleção Brasileira de sete vitórias em sete jogos pelas Eliminatórias quando a bola rolar. Tampouco terá valor o título recente da Copa América para os argentinos. O que valerá é cada dividida, cada investida ao ataque, cada gol marcado ali, no domingo, ainda que não esteja em disputa, de fato, a vaga na Copa do Mundo do ano que vem.

Brasil e Argentina estão para o futebol sul-americano como Atlético e Cruzeiro para o futebol mineiro. Não vivem apenas de suas glórias, mas também em função de cada passo de seu “inimigo”. Ganhar do rival representa a glória. Tem sabor de título e faz um bem danado para o espírito. É ficar de bem com a vida, esquecer os problemas do cotidiano, o aluguel atrasado, a prestação que vai chegar, o aumento da gasolina. Mais do que isso: é esquecer qualquer 7 x 1 que possa causar transtorno até hoje, é ignorar solenemente os títulos do adversário ou quem ergueu a última taça. Que role a bola para que a gente possa assistir mais um capítulo dessa rica história sendo escrito.