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    Barbacena, MG Previsão completa
  • Contra-Ataque: Quanto mais ‘aVARcalhado’, melhor

    Sérgio Monteiro

    O Brasil não pode mesmo ser levado a sério. Na política, na pandemia e no futebol então…socorro! Desde a criação do árbitro de vídeo (VAR) pela FIFA, não há uma rodada sequer do futebol brasileiro que não são discutidos vários “erros” de arbitragem. Na verdade, o cenário já era esse antes. Mas o VAR não teria surgido para acabar com isso? Não em terras tupiniquins.

    Não quero ser profeta do acontecido, mas sempre falei que o VAR, no Brasil, seria a institucionalização do “erro”. E não é preciso se esforçar demais para entender isso. Os mesmos cidadãos que antes “erravam” dentro de campo são os que operam o VAR na cabine hoje. Ou seja, não muda nada. A não ser que hoje têm um ar condicionado e uma cadeira confortável para conduzirem o destino do futebol brasileiro.

    Antes de mais nada, quero registrar que não sou contra o VAR. Apenas não acredito na sua eficiência em solo nacional. E não é pelo VAR propriamente dito. Ora, ele é operado por um ser humano. Por um juiz. No nosso caso, por um juiz brasileiro. Como confiar? Complicado para quem teve que conviver a vida inteira com “erros” dos Wright, Simon, Aragão, Mário Rezende e Meira Ricci da vida.

    O Brasileirão se aproxima da decisão, com Internacional e Flamengo disputando a taça. O São Paulo ainda tem chances matemáticas, mas precisa de um milagre para alcançar o feito. E a antepenúltima rodada tem uma chuva de lances polêmicos em quais jogos? Pois é. O Brasil é, no mínimo, divertido, não é mesmo? Gol do Flamengo validado pelo VAR em condições bastante suspeitas. Gol do Inter na mesma situação. Pênalti absurdo marcado para o Vasco, mesmo após o árbitro ir à cabine, chamado pelo operador do VAR.

    Mais aVARcalhado que isso, desconheço. O lance da vitória flamenguista sobre o Corinthians deveria ser o menos polêmico de todos eles. Mesmo que aos olhos de todo um país Gabigol estivesse claramente impedido ao receber a bola para garantir a festa rubro-negra. Afinal de contas, traçou-se a linha e pronto. Gol validado. Sem discussão! Só que não. Nem mesmo as linhas de impedimento são confiáveis mais. Porque não são meramente tecnológicas. São operadas por alguém. Adivinhe por quem?

    E são essas linhas que estavam – pasmem – descalibradas no duelo entre Vasco e Inter em São Januário. Sim, descalibradas. Acontece, diz a comissão de arbitragem da CBF. Logo no momento do primeiro gol Colorado. Que acontece, é verdade. Aconteceu também de um dia o Wright expulsar metade do time do Atlético em um confronto com o Flamengo valendo classificação pela Libertadores. Aconteceu com Simon, com Aragão, com Armando Marques. Aconteceu com Meira Ricci, que viu pênalti em cima de Ronaldo em um lance contra o Cruzeiro, valendo título brasileiro. Aconteceu tantas e tantas vezes com Márcio Rezende de Freitas, não é mesmo?

    A mesma linha que estava desclaibrada em São Januário, um dia esteve bem calibrada e viu impedimento de Luciano quando o São Paulo empatava com o Atlético, no primeiro turno, no Mineirão. Acontece, uai. Ainda que o Gaciba tenha vindo falar meses depois que não estava em impedimento e houve um “erro” ali. Será que ele percebeu que houve um “erro” quando o árbitro marcou pênalti para o Vasco no domingo? E o que é pior: depois de consultar o VAR. Acontece, né? Por sorte, o Cano chutou para fora.

    Os árbitros são humanos e todos nós erramos. O que não está dando para digerir é usarem o VAR para isso. Tem sido um festival de pênaltis mal marcados, de impedimentos duvidosos, de expulsões absurdas que não dá para engolir a seco. A coisa está tão grave no futebol nacional que o Corinthians está pedindo seriedade e vai ao STJD pedir a anulação do jogo com o Flamengo. Pior: flamenguistas amigos meus estão falando em favorecimento. Primeiro, disseram que o favorecido era o São Paulo, depois o Atlético e agora apontam o Internacional como o queridinho da CBF. É mole? Não consigo entender como esse pessoal rasga a história com tamanha simplicidade. Vai, Brasil! E que venham mais gols da França, da Holanda, da Alemanha e da Bélgica.

     

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    Crédito – Renato Peters