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  • Contra-Ataque: Pare o mundo que a Conmebol precisa descer

    Sérgio Monteiro

     

    Pare o mundo que a Conmebol precisa descer

     

    É impressionante como os cartolas da Conmebol não conseguem evoluir. A entidade é mestre em trapalhadas e atrocidades e esta semana escreveu mais um triste capítulo de sua história. A realização de partidas da Copa Libertadores na Colômbia, país que vive um caos social, é mais uma prova cabal da insensibilidade e falta de empatia dessa gente. Na quarta-feira,o duelo entre o Junior Barranquilla e o River Plate teve que ser interrompido algumas vezes por causa do gás lacrimogêneo utilizado pela polícia para conter as manifestações do povo colombiano nos arredores do estádioRomelio Martínez, em Barranquilla. Situação que se repetiu um dia depois, quando se enfrentaram no mesmo palcoo América de Cali e o Atlético. Para espanto de quem?

    As manifestações não pegaram ninguém de surpresa. O clima político que vigora na Colômbia é de conhecimento de todos, inclusive da própria Conmebol, que, na semana anterior, chegou a transferir jogos daquele país para outros, como o Equador. Estranhamente, a entidade que comanda o futebol sul-americano voltou atrás na sua decisão e manteve as partidas em terras colombianas nesta semana que se encerra, mesmo com as manifestações se intensificando e sendo alardeadas nas redes sociais. O que seu viu foi um verdadeiro campo de batalha no entorno do estádio, com destruição, confronto entre a população e policiais e, claro, a segurança das delegações dos times participantes da partida ameaçada.

    O jogo entre América de Cali e Atlético teve que ser interrompido por cinco vezes porque os jogadores sofriam com os efeitos do gás lacrimogêneo.Em uma delas, na parte final do primeiro tempo, os atletas tiveram que deixar o gramado e ir para o vestiário. Mas a insensibilidade da Conmebol venceu e o jogo foi disputado até o final. Este não é o primeiro atestado de incapacidade da Confederação, mais conhecida pelas presepadas de seus dirigentes do que por qualquer outra eventual qualidade. E chama a atenção o fato de a Copa América, no mês que vem, estar marcada também para a Colômbia, país-sede ao lado da Argentina. Não se espantem se a Conmebol for omissa e permitir que as seleções sul-americanas enfrentem essa guerra interna dos colombianos.

    Apesar do cenário desfavorável, América de Cali e Atlético fizeram um bom jogo, com grandes chances de gols para os dois lados. Quando a bola rolou, o que se viu foram duas equipes em busca do resultado positivo. Melhor para o Galo, que venceu e se garantiu matematicamente nas oitavas-de-final da Libertadores. Líder do grupo com três pontos a mais do que o Cerro Porteño, o time mineiro não pode mais ser alcançado pelo La Guaira e pelo próprio América e jogará as duas últimas rodadas para garantir o primeiro lugar e as vantagens nas fases seguintes da competição.

    O Galo desperdiçou boas chances e poderia ter feito mais gols, mas em uma noite que ficará marcada de forma negativa, a vitória por 3 a 1 ficou de bom tamanho. Com a derrota, os colombianos não têm mais chance de classificação. Mas quem perdeu mesmo foi o futebol, que mais uma vez sucumbiu diante da insensibilidade de seus cartolas. Uma pena, pois o esporte mais popular do planeta deveria divertir as pessoas e amenizar o doloroso momento por que passa a população mundial. Quando perde o futebol, é sinal de que o mundo precisa, além de vacina, de tratamento para sair da CTI.

     

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    Crédito – Pedro Souza / Atlético-MG