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  • Contra-Ataque: No grito ou na bola?

    Sérgio Monteiro

     

     

    No grito ou na bola?

     

    Hulk demorou, mas estreou com a camisa atleticana. Depois de algumas atuações apagadas e um mal-estar com o treinador Cuca, o atacante, enfim, apresentou o seu cartão de visitas. Mesmo começando no banco de reservas mais uma vez, Hulk foi decisivo para a vitória do Atlético sobre o América de Cáli, a primeira do time na Libertadores. Autor dos dois gols atleticanos, ele mudou a cara da partida no segundo tempo, mostrando que pode ser útil ao Galo nessa temporada.

    Pelo segundo jogo seguido, Hulk ganhou a oportunidade como centroavante, no lugar do chileno Vargas, que está em dívida com o Galo e seu torcedor. E claramente abre uma dúvida na cabeça do treinador para os próximos jogos. Nos bastidores, comenta-se um provável pedido de Cuca à diretoria para que contrate um atacante de área, mas a solução pode estar no próprio clube. De quebra, ainda resolveria a insatisfação do jogador, que tem cobrado publicamente do treinador a titularidade.

    Hulk chegou ao Atlético ainda sob o comando de Sampaoli, ainda que não tenha jogado com o treinador argentino. Sua contratação foi anunciada ainda em 2020, mas sem condições de ser escalado na reta final do Brasileirão porque o prazo de inscrições já havia se encerrado. Teve chances no início do Campeonato Mineiro, mas sempre escalado como falso ponta-direita e não correspondeu, caindo no desgosto da torcida e do técnico Cuca. Acabou perdendo a condição de titular para Savarino.

    No último final de semana, após vitória magra do Galo sobre o Athletic, pela última rodada do Campeonato Mineiro, o atacante resolveu usar os microfones da imprensa para desabafar e cobrar mais oportunidades nos jogos, o que, segundo ele, lhe daria mais condições de mostrar o seu melhor futebol. As declarações não pegaram bem e o técnico Cuca deu o troco, dizendo que dá minutagem àqueles que lhe entregam algo dentro de campo. O episódio criou um mal-estar no clube e inflamou a torcida, dividida entre o atacante e o técnico, que também tem um começo de trabalho ruim.

    Mas com os dois gols e a boa atuação no segundo tempo diante do América de Cáli, somados ao fraco desempenho de Vargas no comando de ataque alvinegro, a expectativa que fica é de novas oportunidades para Hulk como centroavante do Galo. Quem ganha com isso é o torcedor, que anda impaciente e ansioso por ver o badalado time sair, enfim, do papel. Coincidentemente ou não, os 45 minutos finais do jogo de terça renovam as esperanças da Massa.

    Ainda que o time tenha se complicado no final do jogo e corrido riscos de sofrer o empate, o atleticano claramente aprovou o desempenho do Galo no segundo tempo. E espera que tenha sido uma amostra do que vem pela frente, exatamente no momento em que a temporada começa a esquentar. Sábado, o time abre as semifinais do Campeonato Mineiro diante do Tombense, no Independência. Na terça que vem, recebe o Cerro Porteño, no Mineirão, em confronto que vale a liderança, ainda que momentânea, do Grupo H da Libertadores.

    E a boa notícia é que o Galo parece ter encontrado um camisa 9.Se não conseguiu no grito, Hulk deu o primeiro passo para conquistar a confiança do treinador e do torcedor atleticano na bola.

     

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    Crédito – Washington Alves / Reuters