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  • Contra-Ataque: Mais azul do que o esperado

    Sérgio Monteiro

    Mais azul do que o esperado

     

    A se considerar a falta de perspectivas do início da temporada e a crise que assola o clube, podemos dizer que o torcedor cruzeirense está satisfeito e esperançoso com o trabalho realizado pelo técnico Felipe Conceição até aqui. Claro que os resultados obtidos – classificação para a segunda fase do Campeonato Mineiro e vaga garantida na terceira fase da Copa do Brasil – estão bem distantes do que reza a tradição do clube, mas, aos poucos, o time começa a caminhar rumo a seus objetivos.

    Felipe Conceição chegou sem muito alarde e teve um início complicado, como esperado. Estreou com um empate diante do Uberlândia, na abertura do estadual. Na segunda rodada, perdeu para a Caldense no Mineirão. Sofreu para passar da primeira fase da Copa do Brasil, buscando um empate diante do São Raimundo-RR. O cenário não era nada favorável, mas com muito trabalho ele vem superando a desconfiança inicial e fazendo renascer na China Azul a esperança de dias melhores.

    Para muitos, após as rodadas iniciais do Mineiro, o Cruzeiro era dado como carta fora do baralho. E esses não estavam errados. Tudo indicava que o time repetiria o desempenho pífio do ano passado e ficaria de fora das semifinais, tendo que disputar mais uma vez, de forma melancólica, o Troféu Inconfidência, competição claramente criada para dar mais oportunidades aos times do interior.

    A vitória diante do Atlético foi crucial para que a Raposa reencontrasse o caminho dos triunfos. A expectativa que se gerou antes do clássico foi de uma possível goleada do time atleticano. Expectativa essa que prevalecia entre os próprios cruzeirenses. Mas de forma surpreendente, o Cruzeiro foi superior e venceu o seu rival. Não por acaso, mas como consequência da entrega do time e do trabalho desenvolvido por seu treinador. Dali pra cá, vieram as classificações em mais uma etapa da Copa do Brasil e para as semifinais do Mineiro.

    Resultados que solidificam o trabalho feito nesses dois primeiros meses de temporada e dão a confiança necessária para o grande objetivo do ano, que é o retorno à Série A do Brasileiro. Daqui a um mês, começa a Série B e, ao contrário do que muitos pensavam, o Cruzeiro tem tudo para chegar forte à competição, como um dos candidatos ao acesso à elite do futebol nacional. Isso só não acontecerá se o time tiver um desempenho trágico nas fases finais do estadual, o que parece distante de acontecer.

    O mérito do trabalho passa muito pela defesa quase intransponível montada por Felipe Conceição. Em 13 jogos na temporada, o Cruzeiro sofreu apenas cinco gols. Não à toa, é a defesa menos vazada do Mineiro. Em nenhuma das partidas disputadas, a Raposa sofreu mais de um gol. Essa é a grande arma cruzeirense para os duelos com o América, nos dois próximos domingos, válidos pela semifinal do estadual.

    Mas o ataque, que vinha sendo criticado pela pouca efetividade, resolveu desencantar na última partida. Pela primeira vez, o time balançou as redes adversárias por mais de duas vezes em 90 minutos. A goleada por 4 a 0 diante do Patrocinense vem coroar esse trabalho. E mais do que isso: devolve ao torcedor a alegria dever seu time em campo. O astral é outro e a torcida espera que de fato o time tenha entrado novamente nos trilhos. Afinal de contas, restam ainda muitas páginas heroicas e imortais por serem escritas.

     

    Obs: Esta coluna é dedicada ao amigo Anderson Gorgulho, que infelizmente não conseguiu superar a Covid-19 e nos deixou no último domingo, dia 25. Cruzeirense apaixonado, certamente continuará vibrando com as vitórias celestes e torcendo para que seu time retome, o quanto antes, o caminho das grandes conquistas.

     

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    Crédito – Fernando Moreno/AGIF